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Levi Nauter
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
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Levi Nauter
Ano passado comentei do único disco de temática natalina que possuía. Repetiria tudo o que lá disse, mas bastará que verifiquem o mês de dezembro. Like Christmas All Year’Round, do Dennis Jernigan, não sairá do meu set list.
Ao contrário, outros títulos estão vindo agregar-se – ou por indicação de amigos ou por curiosidade minha. Só não entrará aqui o plágio descarado que fez André Valadão do CD natalino do Michael W. Smith. Pena que os medalhões ainda são fortes.
Bom, sem dar trela a eles, segue a lista:
Annie Moses Band - The Glorious Christmas [excelente]
Don Moen – Christmas
Hillsong's - Celebrating Christmas
Mary Mary - A Mary Mary Christmas
Navidad con Vástago
Amy Grant - Hallmark Presents The Spirit Of Christmas [excelente]
Amy Grant - Home for Christmas
Sixpence None The Riche - The Dawn Of Grace [excelente]
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Levi Nauter
domingo, 29 de novembro de 2009
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Levi Nauter
Eu tenho a sorte de ter alguns amigos, amigas, alunos e alunas. Sorte, tendo em vista o privilégio de ensinar e aprender – talvez mais esta que aquela tarefa. Pois esse pessoal, de quando em quando, enchem-me de livros a fim de que deles eu usufrua e, quiçá, produza um eventual artigo, uma resenha.
Sem citar o nome dos ‘emprestadores’, abaixo compartilho o que me aguarda e para cuja tarefa não vejo a hora de chegar:
Minhas histórias dos outros, Planeta, de Zuenir Ventura – um mestre na escrita;
América: a história e as contradições do império, L&PM, do professor Voltaire Schilling;
Conversão, Imprensa Metodista, do eminente Stanley Jones;
Sobre o Islã: a afinidade entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo. Nova Fronteira, de Ali Kamel;
Opus Dei – os bastidores: história, análise, testemunhos; Verus Editora, dos autores Dario F. Ferreira, Jean Lauand e Marcio F. da Silva;
Memorial do convento, Bertrand Brasil, do maravilhoso José Saramago;
Maria Madalena e o Santo Graal: a mulher do vaso de alabastro; Sextante, de Margaret Starbird; e
O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Quem mudou a Bíblia e por quê; Prestígio Editorial, do respeitado Bart D. Ehrman.
Lerei-os todos com muito afinco, não descuidando do material da minha área de atuação profissional (produção de texto e gramática) nem daqueles que visam a um cargo público melhor ($$).
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Levi Nauter
domingo, 26 de abril de 2009
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Levi Nauter
Minha amiga, e filósofa/folísofa, Camila Abadie[1] escreveu dois textos[2] cujo conteúdo dialogou comigo. Mais especificamente, fez-me rever, por outro ângulo, a incursão que fiz na leitura (na escrita também, mas esse não é meu foco por ora).
Na infância, minhas leituras restringiram-se à Bíblia. Havia os famosos cultos domésticos (nem tão sistemáticos na minha casa) no quais eu e meus irmãos tínhamos de ler alguns trechos das Sagradas Escrituras. Adolescente, li alguns (poucos) livros do discurso evangélico-fundamentalista. Agora noto o quanto isso me foi nefasto. Há um buraco nas minhas leituras de fábulas. Era pecado ‘na época’.
A Camila, com seus textos, remontou-me ao início da minha vida profissional. Foi nesse período que fiquei sabendo dos livros de auto-ajuda. Quando trabalhei na área de vendas, um colega emprestou-me Sem medo de vencer, do Roberto Shinyashiki. Devorei! Nunca lera algo que me parecia tão empolgante. Tive alguns professores que incentivavam o aluno a querer ser um empreendedor no futuro. A ‘literatura’ de auto-ajuda fortalecia essa, digamos, doce ilusão (não por eu não acreditar no empreendedorismo, senão que nem todos os leitores desses textos o serão). Foi uma boa iniciação. Um livro parecia impulsionar a outro e assim sucessivamente. Numa certa altura, comecei a me dar conta da sistemática repetição, da trama comum em todos eles. O ponto culminante se deu com Lair Ribeiro. Comprei O sucesso não ocorre por acaso. Terminada a leitura, fui para os fundos do pátio, acendi uma fogueira e, folha por folha, queimei toda a (pseudo)obra.
Atualmente sinto-me mais maduro em relação a leitura (tanto do mundo quanto da palavra) – em que pese saber da infinita produção no mercado editorial. A experiência e/ou a prática da leitura vai lapidando, refinando, nosso gosto literário. Em uníssono com a minha amiga, devo afirmar que “a mesma obra que me é tão útil, em pouco ou nada serve a um terceiro”. Também com ela penso que esse tipo de texto pode contribuir nalgum ponto de nossa vida, o perigo estará em “tornar-se dependente de respostas descobertas por terceiros”. Cá pra nós, em 2006 não resisti e adquiri Tudo ou nada. Cá pra nós ainda: já li mais de uma vez.
Mas por que disse o que disse até agora? Para falar de um livro de auto-ajuda. Sim, confesso, li um livro de auto-ajuda nas férias de janeiro.
Passei numa biblioteca, o livro estava lá de bobeira; eu também. Então nos juntamos. Peguei-o pelo título: Como evitar preocupações e começar a viver, do Dale Carnegie. O livro é de 1948, faz parte dos primórdios da auto-ajuda. Li a 29ª edição[3] (1991), dita revista e aumentada. Tenho a sensação que muito dos ditos popularescos vieram dessa obra. ‘Se você tiver um limão, faça uma limonada’, por exemplo, é um capítulo do livro (17). Não chorar o leite derramado também está lá.
Em Como evitar preocupações e começar a viver está o princípio básico da auto-ajuda: “...o propósito deste livro não é contar a você nenhuma novidade. O propósito deste livro é fazer com que você se lembre do que já sabe, instigando-o a pôr em prática os seus conhecimentos.” (p. 126). Igualmente encontramos títulos de capítulos exóticos, como Não tente serrar serragem (11) ou Lembre-se de que ninguém chuta um cão morto. Mesmo levando-se em conta a antiguidade do livro e a do autor (1888-1955), há registros deploráveis de preconceito:
...deveria ter o bom senso de fazer o que o cientista negro George Washington Carver fizera... (p. 124 – grifo meu)
Nem mesmo um idiota da Mongólia sonharia tentar voltar a 180 milhões de anos atrás... (p. 123)
Milhões de pessoas... continuam... a desperdiçar, a esbanjar energia, tão descuidadamente como sete marinheiros bêbedos em Singapura! (p. 257)
É possível encontrar, ainda, momentos místicos. Comecemos pelo momento Igreja Universal/Internacional/Mundial do Rein/da Graça e do Poder de Deus:
Comecei a trabalhar com seguros de vida, orientado ainda pelo meu Divino Guia. Isso aconteceu há apenas cinco anos. Hoje, todas as minhas contas estão pagas. Tenho um lar feliz e três filhos inteligentes. Possuo uma nova casa, um novo automóvel e vinte e cinco mil dólares de seguro de vida. (p. 229)
Nem faltou um momento pentecostal, ou The Secret:
Sinta a energia fluindo dos seus músculos faciais para o centro do seu corpo. (...) Repouse sempre que puder. Afrouxe o corpo, deixando que fique mole como uma velha meia. Quanto a mim, conservo uma velha meia marrom sobre minha mesa, enquanto trabalho, para me lembrar de como é que devo afrouxar os músculos. (p. 258/9)
Apesar de tudo, o livro, com um bom filtro, pode contribuir para iluminar nosso caminho. Afora os relatos quase fantasiosos, pode-se tirar algum proveito de alguns conselhos. Afinal, se eles fossem infalíveis seriam vendidos, já dizia um ditado. Então, um resumo dos conselhos apresentados nos 28 capítulos, divididos em sete partes – a oitava é composta de depoimentos sob o título “como venci as minhas preocupações”.
PARTE 1(capítulos 1-3) – Fatos fundamentais que você deve saber a respeito das preocupações:
- viva cada dia apenas até a hora de ir para a cama;
- procure melhorar a situação partindo do pior;
- um lembrete: aqueles que não sabem como combater as preocupações morrem jovens.
PARTE 2 (capítulos 4-5) – Técnicas básicas para a análise das preocupações:
- obtenha fatos;
- tome uma decisão;
- siga sua decisão.
PARTE 3(Capítulos 6-11) – Como eliminar o hábito da preocupação antes que ele elimine você:
- mantenha-se ocupado com algo criativo;
- não se perturbe por ninharias;
- coopere com o inevitável;
- tenha coragem de dar um ‘basta’ no que o incomoda.
PARTE 4 (Capítulos 12-18) – Sete maneiras de cultivar uma atitude mental que lhe trará paz e felicidade:
- pense e aja alegremente;
- não desperdice um minuto sequer falando das pessoas que não lhe agradam;
- não espere gratidão, dê pela satisfação de dar;
- conte as bênçãos que recebeu e não os seus aborrecimentos;
- não imite os outros, sejamos nós mesmos;
- faça do limão uma limonada;
- faça uma boa ação para alguém.
PARTE 5 (Capítulo 19) – O modo perfeito de vencer as preocupações:
- orar.
PARTE 6 (20-22) – Como deixarmos de nos preocupar com a crítica alheia:
- crítica injusta é um cumprimento disfarçado;
- aja da melhor maneira possível e não deixe a crítica lhe derrubar;
- façamos ou peçamos uma crítica honesta e construtiva que nos auxilie.
PARTE 7 (Capítulos 23-28) – Seis maneiras de impedir a fadiga e as preocupações e conservar a energia e o ânimo:
- descanse antes de ficar cansado;
- repouse, leia, converse, faça planos;
- organize-se no trabalho, defina prioridades;
Do capítulo sete faltou-me entender mais três ‘maneiras de impedir a fadiga e as preocupações e conservar a energia e o ânimo’. O autor só se repetiu.
Indico a leitura. Qualquer livro merece ser lido. Nem todos podem receber o nome ‘obra’. Tampouco se deve ler por respeito ao autor. Deve-se ler pelo prazer da leitura simplesmente, incluindo-se os livros sagrados. De preferência, sempre que tivermos tempo seria didaticamente enriquecedor se todos os leitores registrassem suas impressões pós-leitura.
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Levi Nauter
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
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Levi Nauter
Demorei quatro dias para ler e 'comer' o e-book “Neuroses eclesiásticas...” 1. Este livreto (chamo-o assim pelo tamanho e não pelo conteúdo) é do pastor, professor e teólogo Karl Kepler. Eu odeio títulos; no entanto, aqui parece-me importante frizar a atuação e a formação do autor para indiretamente dizer da boa fundamentação do livro. Ou seja, a obra baseia-se na prédica e na prática, na experiência que advém da leitura teórica, calcada na mesma experiência que vem da leitura do mundo, do estar vivo. Das interações entre esses processos.
Sou um leitor chato, bem chato. Sempre que leio algum livro ou alguma obra2 fico como que 'no pé' do autor ou do narrador a fim de verificar sua coerência ao longo do que está sendo dito. Desta forma, rabisco, faço anotações, consulto dicionários, brigo ou me emociono com o texto. Não faço isso pelo mero prazer de captar erros ortográficos ou contradições sutis, mas porque assim cresço; assim é que leio as entrelinhas, o por trás das palavras – o que eventualmente está para ser desvelado.
O que me atrai num livro que pretende ser obra é a humildade que vai aparecendo no decorrer do texto. Karl começa agradecendo “às várias pessoas que contribuíram para este esforço de auto-exame...”, isto é, uma obra escrita nunca é solitária e sim fruto de coletividade(s) . Em seguida, na pág. 2, deixa claro que “...tem a esperança de ajudar-nos...”; não há, portanto, promessas mas intenções. Já no corpo do livro – propriamente dito – ele reconhece: “minha capacidade é bastante limitada” (p. 3). Acho importante esses reconhecimentos porque eles dizem muito da prepotência ou não do autor. Incomoda-me um livro que propõe a descoberta da roda, ou aqueles que afirmam que, após a leitura, 'sua vida não será mais a mesma' e, no entanto, lemos e continuamos os mesmos. A humildade chega mais perto do leitor e por isso impactua, sem dizer. Ela também aceita o contraponto, o diálogo e não o monólogo.
Continuando, Neuroses Eclesiásticas... subdivide-se em dois tópicos: I- as más notícias e II- as notícias boas. Na primeira parte é feita uma espécie de foto áerea da igreja, com algumas tomadas de imagens de eventos importantes do momento de culto no templo (como, por exemplo, a pregação, o louvor e a adoração). Por que existe essa avalanche de más notícias? Karl propõe um “diagnóstico tentativo” que nos leva ao medo. Medo de Deus. Em algum ponto da nossa caminhada cristã houve uma confusão entre temer e ter medo. Ficamos com a última hipótese. Ocorre que muitos não admitem esse medo. Preferem crer que têm o temor com tremor. Mas a experiência clínica de Karl (que é psicólogo) termina por nos desvelar quem somos – mesmo que não admitamos.
A segunda parte da obra é um alento para os que já perderam ou estão prestes a perder a esperança com a igreja. É uma ode aos cansados de igreja, um alívio aos que vêm martelando suas consciências por títulos (como os de 'desviados') empregados pela teologia do medo. Fica claro que a obra é de crente pra crente. No entanto, esse alívio e essa ode não vêm em forma de apologia para que se abandone essa ou aquela denominação cristã. Vêm para que, ao contrário, se tenha uma transcendência a todo tipo de nomenclatura e se vá mais fundo na ponderação de tudo aquilo que nos ensinaram, ensinam ou ensinarão a respeito do que seja servir a Deus. Aliás, servimos ou somos filhos de Deus? - essa questão está lá posta (p. 20).
Merece destaque a exposição que o autor se faz nas páginas. Não se exclui das dúvidas, nem sonega do leitor as descobertas pelas quais foi passando, o que nos impulsiona, se não pelo conteúdo teológico, pela curiosidade de saber aonde ele foi parar. Desmitifica (e desmistifica) assuntos superficialmente ou vesgamente tratados em algumas igrejas evangélicas – sobretudo as neopentecostais (a santificação me parece o exemplo mais significativo).
Uma obra que merece ser lida porque faz um severo e claro exame da nossa condição de cristãos na contemporaneidade. Leiamos:
“As pessoas de fora da igreja consideram o crente como 'aquele que não faz isso, não participa daquilo, não prova daquiloutro', ou seja, uma identidade negativa. O crente é visto como um ótimo funcionário, bom trabalhador, mas péssimo para se conviver, sem disposição de se sociabilizar” (p. 5)
Ao criticar a hierarquia (que algumas igrejas, pelo menos aqui no Sul, chamam de autoridade) eclesial o autor nos informa que o efeito é ampliar “no cristão comum, aquele sentimento de pequenez, de incapacidade própria”(p. 6). Eu diria, ampliando, que esse efeito se estende aos meandros da nossa atuação na sociedade, temos medo de nos expor. Então, “comportamo-nos como crianças com medo de se arriscar: melhor não se envolver com essas coisas...” (p. 10).
Há uma denúncia contundente na obra que merece destaque – até porque sou parte dessa estatística:
“...muitos, na busca por um crescimento e amadurecimento (que equivale a dizer na busca de mais verdade), tiveram de sair da igreja, pois não podiam ser verdadeiros e maduros lá dentro. Triste situação, mas infelizmente cada vez mais comum...” (p. 16)
É bom que se diga que tal denúncia não vem solta, sem contexto. Ademais, o autor friza seu descontentamento no mesmo momento em que denuncia. E, prosseguindo com a leitura, vamos notar que parece existir um situação na qual a melhor saída (ainda que provisória) será dar uma espécie de tempo. Afinal, a hierarquia eclesial dificilmente não atrela questionamentos e indagações com rebeldia. E, paradoxalmente, nosso sentimento de pequenez está mais ante a figura de um pastor, por exemplo, do que com Deus. Isto significa dizer que sabemos (ainda que de maneira superficial ou sem muita certeza) que Deus não nos abandona; já a pastorada...
Parece-me que nesse contexto fica ótima a (re)lembrança que o autor nos faz: “Deus é seu Pai, não seu dono ou empregador”. E mais: “só podemos brigar com alguém próximo com certeza de não sermos expulsos de sua convivência se sentirmos que o vínculo está garantido, que há de fato amor” (p. 21).
É extremamente importante encontrar obras como essa. Para quem, como eu, está passando por um período de desintoxicação religiosa, nada mais prazeroso, confortante e alentador sabermo-nos todos, sem exceção, pecadores, carentes da graça e da misericórdia de Deus. Isso são boas-novas. Infelizmente as mensagens dos domingos em muitas igrejas são como o Domingão do Faustão, cheias de atrações que servem para pouca coisa.
Meu domingo ficou muito melhor enquanto lia Neuroses Eclesiásticas e, depois, quando ouvi a bela voz da também bela Céu cantando a música '10 contados' (composição da própria cantora junto com Alec Haiat). Parecia Deus fechando o dia com chave de ouro, dizendo que tudo estava sob controle. Observemos a letra da música:
Meu amor não se atrase na volta não
Meu amor não, não, não
Meu amor não se atrase na volta não
Meu amor, meu amor, meu amor, quem mandou?
Mandei uma mensagem a jato às entidades do tempo
Já me foi verificado que nem mesmo haverá segundos
Que os minutos foram reavaliados e que pra cada suspiro serão 10 contados
É, há tempo pra tudo – como já nos adiantava o sábio em Eclesiastes 3.1-8.
1Disponível em http://www.cppc.org.br/textos/Neuroses Eclesiasticas.pdf
2Esse é um tópico muito pessoal, não sei se existe teoria a respeito. Como não fico preso a essa burocracia acadêmica, fiz minha própria opção. LIVRO é aquilo que está publicado (no papel ou na internet, por exemplo) e tem alguma intenção junto ao leitor. OBRA é igualmente isso, o diferencial é ter a capacidade de perpetuar-se devido ao conteúdo que aborda, a forma como expõe tal matéria e/ou as implicações que provoca no leitor/leitora. Portanto, exclusivamente neste aspecto, nem todo livro será obra, mas toda obra será um livro. É um conceito de leigo, mas que – para mim – vem funcionando. Considero-me chato porque opto por continuar a leitura de obras.
A ficção não se encaixa nesse parâmetro, uma vez que considero que arte é arte – não tem compromisso de mudar nada. Apenas representa, sugere, mostra, questiona, apanha. Na arte a estética me parece mais importante. Mas, apesar de tudo, não consigo descartar uma ideologia. Para mim, não existe obra (livro, arte etc) neutra.
LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.