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video 22 - para o natal com Faith Hill

Levi Nauter


Gosto da Faith Hill porque ela usa a voz em diversos estilos musicais e, sobretudo, deixa suave e potente sem ser pedante (Celine Dion). O disco de natal dela é muito bom. No vídeo abaixo ela fez uma espécie de clip especial de natal para a MTV.







video 21 - para o Natal com Sting

Levi Nauter



Sting, na minha opinião a grande cabeça do The Police, ficou muito melhor em carreira solo. Seu requinte musical e seu gosto estético são para mim inspiração. Ah se eu também pudesse morar na Itália...
No vídeo abaixo, ele interpreta (o que é mais do que simplesmente cantar) uma música maravilhosa. Mais que isso é o lugar onde ele está cantando, na Catedral de Durham – Inglaterra. Num lugar assim eu – com o maior orgulho e prazer – congregaria. 








video 20 - para o natal com a Carola

 Começo a postar o que venho ouvindo de música natalina. Inicio com a ucraniana Carola.



video 19 - música para o dia 02-11

Levi Nauter



Não há nada mais emocionante, fascinante, renovador e esperançoso do que ouvir música de verdade. A composição é feita por gente que costuma pensar e não simplesmente despejar o que bem dá na telha. E o cantor ou cantora se entrega totalmente à interpretação. Bah!!!
É o caso dessa cantora: Tatiana Parra. Maravilhosa.







video 18 - música para o feriado

Levi Nauter



Há uma infinidade de cantores que atraem meus ouvidos. Sou um chato em matéria musical porque não sou dado a celebridades do midiático mundo gospel. No entanto, alguns nomes sobressaem pela qualidade das músicas que compõem ou escolhem para interpretar. Também não sou do tipo que ergue a bandeira do “melhor cantor (a) gospel da atualidade”; eu fora dessa. Ouço música pela arte mesmo e não pelo conteúdo ser ou não sacro. Arte e beleza, isso me parece imprescindível.
Sem mais delongas, deixo para o feriado dois clipes de dois cantores que aprecio há algum tempo. O velho e bom Don Moen e a bela Christy Nockels, esta o xodózinho da Mariana Valadão. Gosto de suas performances nas conferências Passion. Espero que gostem também. A música que escolhi do Don é parte do maravilhoso trabalho chamado Thank you Lord. Da Christy selecionei uma parceria com o Chris Tomlin na Conferência Passion. A música do Don Moen também é belamente cantada pela pastora irlandesa Kathryn Scott no seu primeiro CD, vale a pena ouvir a versão dela na internet. Espero que vocês gostem.

















o lançamento de louvor mais aguardado do ano

Levi Nauter


Aqueles que gostam de um ‘adorador’, de um ‘mover de deus’, bem como aqueles que dizem que Ele ‘está levantando uma geração disso ou daquilo’ (ainda que não se veja) e todos os que apreciam músicas com poucas notas, mas carregado de ritmos mais norte-americanizados ou europeizados não podem deixar de ouvir esse disco. Ele tem tudo para ser rodado naquelas rádios que se acham pura unção (como se demonstra isso?) ou nas que semeiam Jesus e colhem vidas (e não pessoas), entre outras. As músicas foram, ao que parece, pensadas para ‘pegarem’ o ouvinte; aquelas que a gente passa o resto do dia cantando-as.
O disco a que me refiro ainda sai na frente dos chamados cantores midiáticos ‘gospeis’. Isso porque as letras são um pouco melhores, claramente revelam alegrias e tristezas – ao contrário das ‘góspeis’ que atualmente só buscam coisinhas boas de Jesus. Em vez de lascar a obviedade de que Jesus é a solução, opta por questionar-se na bela canção Quem eu sou. A melancolia de Tempo mistura uma poesia interessante. Perdida e salva faz um belo diálogo com termos aparentemente dicotômicos – e o violão ficou bem bonito, além da linha melódica que a cantora seguiu.
De quem falei até agora? Da Sandy e seu primeiro CD solo Manuscrito.
Ouça e seja abençoado. Se possível, sinta saudade da música brasileira.


confusão

Levi Nauter 



Infelizmente, alguns confundem síndrome de down com  
estar  meio 'down'.

[que deusinho esse!]



Levi Nauter




Gostaria de me desvencilhar desse deus. Ele não me transmite mais aquela euforia de outrora. Considero-o mais um entre muitos. Um deus assim não merece a minha confiança. Tenho as minhas razões e espero, sinceramente, não ficar sozinho nessa empreitada.



Não posso confiar num deus que não deu inteligência aos latinos, exceto àqueles que moram no céu. Também não vejo graça (nem com gê minúsculo, tampouco com maiúsculo) num father multiforme que, no entanto, reduz os ritmos e as notas ao estilo do céu. Muito menos num ‘sinhôzinho’ que não muda de temática e fica na mesmice da água – razão pela qual me obrigam a ouvir coisas como “faz chover”, “dançar na chuva”, “...em justa medida / a chuvaaaaaaa, a chuvaaaaaaa...”; “vem sobre nós como a chuva”. Não será esse o motivo de tanta chuva aos pobres brasileiros?



Esse mesmo deus anda, por ora, atacando de danças e apaixonites agudas. A ilustração disso parece ser uma infinidade de grupos pseudoproféticos cujo mau gosto estético extrapola o aceitável. Para piorar, combine-se uma letra que empulha palavras-chaves – tais como: noiva, intimidade, apaixonado, incendiar a noiva (‘no meu tempo’ isso não era possível), entre tantas e tantas outras advindas do ‘fértil’ mundo gospel midiático. Possivelmente alguém veio do céu trazendo a boa-nova do vale-tudo a fim de abarcar o maior número de adeptos possível. E caímos nessa cilada. Afinal, nos é proibido pensar. Precisávamos ter perdido o bom-senso? Odiar a beleza e a plástica?



Embora nunca tenha ido, sinto-me um australiano. É! Lá já se canta na língua dos anjos. Noutras vezes é como se eu já estivesse no céu, essencialmente quando vejo anjos cantando na língua original: sing out, mighty to save, celebrate – Jesus – celebrate. Não sei por que todos os History Makers já subiram. Alguns felizardos latinos também já vivem na glória e, de lá, mandam ‘recados’ aos mortais: Marcus Witt, Ingrid Rosário, Marco Barrientos e a última moda entre nós, Jesus Adrian Romero.



O céu é que dita as regras. Lá está deus. Queres saber qual a cor e o jeito de sua face? Pois vá às páginas d’A cabana. Saber onde encontrá-lo? “Por que você não quer mais ir à Igreja” responde. Nada fica sem resposta, não há mistério celestial. Tudo está escrito. Como ser um cristão e andar na moda? Bastará ler o profeta Rob Bell ou o Brian McLaren, por exemplo. Ah, vem do céu o modelo dos que serão Deixados para trás.



Contudo, eu sou um besta mesmo. Decidi não cantar “o hino da vitória”, optei por não “beber dos teus rios”. Não consegui viver “derrubando Golias”, não cheguei ao fim dos “40 dias com propósitos”, nem tive “a grande virada”. Jamais descobri “the secret” e não reina em mim o american dream.



Resta-me o inferno. Não falo inglês – a língua dos anjos. Creio piamente que “no meio do caminho tinha uma pedra” e que “eles passarão...”. Tenho “vidas secas”; prefiro as veredas do sertão ou olhar os lírios do meu pampa.



Sou diabólico. No lugar da língua do céu preferi os representantes da minha: o Chico Buarque, o Zeca Pagodinho, o velho Francis Hime e o saudoso Tom Jobim. Adoro um passeio pelo Hades com essa gente. Os solfejos da ‘encapetada’ Elza Soares são de dar inveja. O que é aquela Virgínia Rodrigues? E a festança da Jussara Silveira junto com a bela Teresa Cristina e a Rita Ribeiro? E o talento, à Sansão, de Lenine? E o Raulzito que não morreu?



O inferno parece ter mais profetas. E decidi ouvi-los. Escuto o provocador João Alexandre que me tonteia com seus arranjos. Ele representa a igreja já fora de moda – a que pensa. E o que é esse poetinha Gerson Borges que vive em São Paulo, Nordestinamente? E o mundano Jorge Camargo que me ajudou a gostar de ouvir alguns mundanos como o Djavan, além de me fazer olhar melhor a poesia que não vinha dos Salmos?



No juízo final vou tocar a culpa numa penca de gente que não me mostrou o céu. E, sinceramente, espero que o Céu (de verdade) seja mais parecido com o inferno. Que tenha o meu cheiro, as minhas cores, as minhas linguagens, os meus gestos, a minha miscigenação rítmica. Acho, no fim das contas, que serei bem-vindo no céu verdadeiro. Terá chegado o fim da minha grande tribulação (é assim que me parece a música cristã midiática).



Deus, em meus delírios, encontrar-me-á no final da fila. E desconfio que Ele cantará ou assoviará um hino nas Bodas do Cordeiro: “...você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão...”.








NOTA
Gravura de J. Borges para As palavras andantes, de Eduardo Galeano; L&PM, 5.ed.: Porto Alegre, 2007, p. 31.

[sou abençoado]


Levi Nauter
Prefiro andar de ônibus a dirigir meu carro. É menos estressante e me possibilita ler um bom livro ou ouvir músicas. Num trajeto de duas horas o que não se pode é ficar sem fazer nada.

Dia desses, distraí-me e comecei a olhar os carros que aguardavam o sinal tornar-se verde. Gente papeando, arrumando a gravata, retocando o batom, entre outras tarefas. De repente, um adesivo chamou minha atenção: sou abençoado.

Fiquei imaginando o que pensaria sobre bênção alguém carregando um adesivo desses. Seria ter um carro? Dirigi-lo? Um outro automóvel exibia que o carro era “100% de Jesus” (o que não acredito). Isso significa não pagar IPVA? Ou seria ‘podem roubar que Deus dá outro’?

Não encontrei respostas. Apenas pensei comigo mesmo uma série de coisas.
E eu, sou abençoado?

Naquele instante eu ouvia uma das mais novas promessas da música brasileira: Maria Gadú. Ela interpretava – e muito bem – os mestres Chico Buarque e Edu Lobo com A história de Lilly Brown, ainda por cima terminava fazendo uma citação à ‘Pantera cor-de-rosa’.

O disco que leva seu nome é uma obra: foto de bom gosto, músicas bem mixadas e o som está primoroso. Belos arranjos – puxando para o acústico. Merece destaque a versão intimista da popular Baba, sucesso na voz da Kelly Key. O violão dá o tom e o ritmo, enquanto a voz rouca trabalha com primor e ousadia nos contratempos rítmicos. Ne me quitte pas ganhou uma versão tango com direito a gaita e tudo. Ficou ótima. Essas três músicas fizeram-me lembrar da saudosa Cássia Eller, uma cantora que sempre dava um toque especial, todo seu, ao que fazia. A Gadú também faz isso.

É um deleite ouvir a canção Tudo diferente. O jogo de palavras é interessante em Lounge. Mas o dueto de Laranja é espetacular, assim como os arranjos. Repeti muitas vezes a canção-hino Dona Cila. Ai, que saudade me deu da minha mãe. Essa música trouxe uma série de boas lembranças da minha velha guerreira. À mãe devo meu gosto pela musical.

Nosso país tem essas belezas. Quando menos se espera surgem nomes expressando o nosso cheiro, os nossos ritmos, nossos instrumentos; a nossa poesia. Não me restou dúvidas...

...sou abençoado! Nasci brasileiro.

Video 14 - os maravilhosos TAKE 6

Levi Nauter


Em meio a tanta notícia ruim desses políticos, penso que o melhor é apelar para a arte. E nisso, Take 6 é um alento. Cantemos!





JESUS - sem mensagem subliminar

É preciso muita arte, muita tranquilidade e muita confiança em Deus para entender essa bela música como arte pura. Como um alerta naquilo que podemos mudar rumo a eternidade.

louvorzão

Minha colega de trabalho, bióloga e especialista em educação, Elisangela Teixeira deu-me um belo presente: um disco com uma seleção de músicas da inesquecível conterrânea Elis Regina – entre outras pérolas da música brasileira e internacional.

Das músicas que não me saem da cabeça está a simplesmente maravilhoooooooooooosa “Querelas do Brasil”. Há algum tempo venho ouvindo muitíssima música brasileira. Mas não brasileira apenas no ritmo, senão, sobretudo, em seu conteúdo. E essa a que me referi é simplesmente espetacular. Claro que os autores fazem a diferença. Agora, a interpretação da Elis está impecável. Aqui é possível perceber os porquês dela ser considerada uma das melhores cantoras que este país já teve. Note-se, por exemplo, suas nuances vocais ao diferençar Brazil de Brasil.

Fico imaginando se nossas “irmãs” quisessem imitá-la um pouquinho. Como melhoraríamos a arte do “louvor e da adoração”. Ah, se nossas 'valadonas' aprendessem um pouco mais sobre o riso na hora de cantar e um pouco menos de chororô...

A fim de melhorar a audição do vídeo, resolvi 'colar' a letra. Ainda bem, que em termos de letra/poesia com conteúdo já temos alguns 'iluminados' como João Alexandre, Jorge Camargo, Stênio Marcius, entre tantos e tantos outros. Esses, porém, ao contrário do que deveria ser, estão escondidos da 'grande mídia eclesial'. Talvez o bom disso é que eles não precisam vender-se.

Mas ainda falta a ousadia dessa gaudéria nos templos. A riqueza de sua interpretação. Falta, acima de tudo, um cristianismo que além de criativo seja, de fato, com a nossa cara, com o nosso cheiro; que cante as nossas conquistas e reflita sobre as nossas mazelas. Assim como a “Querelas...”, abaixo:

QUERELAS DO BRASIL

Composição: Maurício Tapajós, Aldir Blanc

Interpretação: Elis Regina



O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobim akarore Jobim-açu
Oh, oh, oh

Pererê, câmara, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil ta matando o Brasil
Jereba, saci, caandrades
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, ariraribóia,
Na aura das mãos do Jobim-açu
Oh, oh, oh

Jererê, sarará, cururu, olerê
Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, Olará
Cascadura, Água Santa, Acari, Olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, Olará
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil


Não deixe de assistir ao vídeo. Uma obra de 1980.






[mensagem subliminar]- lnm

Levi Nauter


Não sei se, como diz o provérbio,
as coisas repetidas agradam, mas creio que, pelo menos, elas significam.
Roland Barthes



Ainda estão bem vivas na minha memória as reuniões de que participei visando ao aperfeiçoamento da minha pequena carreira musical-evangélica. Isso denuncia que estou pendendo mais para a velhice. A paternidade precoce (bem antes de termos a Maria Flor eu já me sentia como uma espécie de futuro pai) parece ter jogado alguns anos a mais na minha idade. Gosto da idade que tenho, ela me deu muita história para contar.

Eu dizia das reuniões de aperfeiçoamento musical. Já li muito a respeito. Confesso que agora ando desatualizado, as publicações são mais rápidas que minha capacidade leitora. Ademais, também como reflexo da idade, tornei-me exigente e poucas obras responderam aos meus questionamentos. Tenho optado por ler autores não cristãos e mais “abrasileirados”: José Ramos Tinhorão, Paulo Tatit, José M. Wisnik, são alguns exemplos. Com estes, caminho mais perto do que chamo de arte. Seria um desaforo, contudo, não citar os cristãos que também veem a música como arte. O perfeccionista Michael Card, bem como o Rory Noland – para ficar em dois. Tais nomes recém citados nunca foram objetos de reflexão nesses encontros de adoração e louvor – nem como referenciais, nem como contraponto. Como perdemos artística, intelectual e espiritualmente.

Fui enfarado, no entanto, com um tema: as mensagens subliminares. Sobre elas quero falar e propor algumas perguntas. Se alguém quiser respondê-las, sinta-se à vontade.

Era um domingo. Quatorze horas. Sol escaldante. O templo estava repleto de instrumentistas e vocalistas (para mim ambos são músicos e podem ser muito bons ou muito ruins no que fazem; a disparidade, tanto de técnica quanto de talento, pode desqualificar um ou outro). No que se chamava de púlpito, um toca-discos; ao lado, uma mesa repleta de ‘vinis’ (outro reflexo da minha idade: na época não havia o CD). Lá via-se Rebanhão, Roberto Carlos, Alceu Valença e eles, os Menudos. É interessante notar que não fazia parte dos vinis a serem ‘auditados’ os considerados sacros ou santos da época: Otoniel e Oziel, Matheus Iensen, Curió e Canarinho, entre outros. O que merecia a desconfiança eram os ‘roqueiros cristãos’. Desconfio que pouca coisa mudou.

Começou a reunião, obviamente chamada de ‘culto de louvor’. O responsável explicou as razões de um evento especial como aquele: “tomar cuidado com o que estamos escutando em casa, no carro e/ou no trabalho”. Disse que mensagem subliminar era, naquele contexto, o que se ouvia quando um vinil rodava no sentido anti-horário. Enquanto ele falava, outra pessoa ficava preparando o toca-discos. A plateia, apreensiva, nem piscava tal o apavoramento que a fala inicial causara. Todos queriam saber o que ocorria quando alguém – sem mais nem menos – decidia rodar um disco no sentido contrário.

Muita coisa eu não lembro (a mente é sábia). Não recordo o que dizia o LP do Rebanhão ao contrário, nem faço esforço para tanto. Basta-me lembrar da sempre atual “eu quero voltar ao primeiro amor”. Do Roberto Carlos foi escolhida “a guerra dos meninos” (Hoje eu tive um sonho, foi o mais bonito; que eu sonhei em toda a minha vida...). Do Alceu Valença escolheram “tu vens” (Na bruma leve das paixões que vem de dentro; tu vens chegando pra brincar no meu quintal). Diabolizaram terrivelmente cada uma dessas músicas, além de seus intérpretes e compositores, claro. Já não me vem a mente o conteúdo subliminar.

Para minha tristeza, a música que me fazia ter sucesso entre as gurias foi uma das escolhidas. No recreio, meu jeito de divertir era cantando “não se reprima”, dos Menudos. Pois a mensagem subliminar era “satanás vive”, em vez de “não se reprima”. Meu mundo desabou. O que eu faria para continuar ‘encantando’? Ficava conjeturando sobre o que estaria por trás de uma outra música dos costarriquenhos: “quando o sol nascer será a hora/ triste mais eu tenho que partir..”. Arranjei outra saída. Comecei a canta “wisky a gogo”. Esta não constava do casting das diabólicas. Vai ver a música não louvava o diabo ou, de tão boa, ninguém queria arriscar saber o que estava nas entrelinhas.

Os tempos são outros. Claro que ainda há os caçadores de coisas ruins, mas eles estão mais escassos. Os desenhos animados, até bem pouco tempo, eram o alvo. Ninguém parou de ver desenhos – ainda bem. Então os tais apelaram para a diabolização das logotipias. Lembro de certa vez, quando fiz campanha aberta ao PT. Alguém me disse: “notaste que o “v” da vitória, colocando-s um risco em baixo, torna-se um triângulo e o triângulo tem a ver com a Nova Era?”. Depois foi a vez de algumas marcas: “você sabia que o estilista tal e o marqueteiro fulano fizeram pacto com o capeta?”.

Agora eu decidi caçar os ungidos. Na verdade, tenho coisa mais útil a fazer, não sem antes refletir sobre o que se imagina não ter um discurso de entrelinhas. Pois aí está: em tudo há – aceitemos ou não – um discurso.

Outro dia liguei a TV e um pastor, que jura ser possível semear fogo, estava dublando uma música dita cristã. Não consigo achar digna de meu canto uma canção que faz de Deus um escravo. O cabra cantava “restitui, eu quero de volta o que é meu...”. Que deusinho, não?

Outro programa de TV propagandeou um cantor bela pinta, que chora no palco, toca violão e que, por sorte, faz poucas versões. Ele canta a seguinte música:

Se atentamente ouvir a Deus
E os mandamentos seus
Obedecer
O Senhor meu Deus me exaltará
Sobre todas as nações onde eu passar
Eu não correrei atrás de bênçãos
Sei que elas vão me alcançar
Onde eu colocar a planta dos meus pés
Sei que a sua benção chegará


Notemos a mensagem subliminar. Com um detalhe: não é necessário nem rodar o CD ao contrário. Basta retornar ao trecho acima e ler apenas o que está em itálico. Ou seja, “Se atentamente ouvir a Deus e obedecer / o Senhor meu Deus me exaltará/ Eu não correrei atrás de bênçãos elas vão me alcançar / Onde eu colocar dos meus pés / a benção chegará”.

A música – cantada em momentos de êxtase – parece inofensiva. Mal percebemos a condicional inicial: se. A música começa com o “se”. dito de outra forma, Deus tornou-se aqui um mero recompensador: se fizer isso, ganhará aquilo. Essa é a pior visão divina possível. Deus não é assim. Qualquer música que repasse uma visão dessas está trabalhando contra o Reino. A sorte de pessoas que compõem isso é a acriticidade da grande massa consumidora. É preciso registrar que a música promete outra falácia, que só bênçãos nos chegará. Engraçado que Cristo diz que no mundo teríamos aflições.

Por que não se questionam músicas de auto-ajuda que estão sendo cantadas por aí? Por que não nos engajamos numa campanha com a finalidade de parar de adquirir produtos com esses conteúdos? Por que não mais criticidade – por exemplo, não chamar isso de arte? Que tal ouvirmos mais músicas ‘do mundo’ a essas coisas que andam rodando e dando lucro ($), bênçãos, só para eles?

Quem tem ouvidos (e coragem) que ouça.

às flores da minha vida 2


Teus olhos são como a luz da lua
E a Tua voz como o som do mar
O Teu silêncio é o meu refúgio
E o meu conselho pra caminhar.

No Teu abraço renasce o sonho
No Teu carinho desfaço a dor
Por mais que eu tente viver a vida
Não tem mais jeito sem Teu amor.

Raio de sol, maravilha
Meu bem querer, minha flor
Minha mulher, minha doce amiga
Presente de Deus e do Seu amor.


[trecho da linda música Raio de Sol, composição do excelente João Alexandre. A canção é belamente cantada no CD Família]

[encantada, engasgada, engatada] - levi nauter

Levi Nauter





Durante minhas férias de julho (duas semanas) assisti a um filme no mínimo curioso. Dos estúdios Disney, a história é um conto de fadas na grande metrópole. Giselle é expurgada de seu reino pela malvada rainha. Onde vai parar? Obviamente, como um típico filme norte-americano, cai na Times Square. A partir daí, temos um desfile por belos lugares de Nova York. Um bem apessoado advogado acolhe a menina. Obviamente, também, ela não consegue resistir ao charme do homem.

Mas preciso dar uma dica: não assita ao filme dublado. A música, de estilo caribenho, parece ter sido gravada pela estridente (e chata) voz da Ana Paula Valadão. Era-me bastante irritante ter de ouvir, de quando em quando, o “asim ela sabe que a ama...”. Parecia o tal Diante do Trono. Mas o filme é divertido, nada que o 'subtitle' não resolva. A música – em inglês – torna-se mais audível, machuca menos o ouvido, há menos miação.

No elenco, a princesa é Amy Adams; o advogado, Patrick Dempsey; a malvada é a já velha Susan Sarandon.

Ah, o filme. Chama-se Encantada.



[jesus] - Pedro Luis e a Parede com Ney Matogrosso

Essa é uma obra típica da nossa brasilidade. Viva o povo brasileiro. Viva a arte!

Aristóteles já dizia que deveríamos "brincar para ser sério". De minha parte, penso que a visa sem riso é sem graça.

A composição a seguir é coletiva, de Gustavo Valente, Lucas de Oliveira, Dado, André Passos, Rodrigo Cabelo, Beto Valente E Pedro Luís. O suingue é maravilhoso - essencialmente o contra-tempo muito bem executado pela percussão. As vozes do sempre bom Ney e a bela interpretação poética do Pedro Luís dão o toque magistral para a música. Mas a leitura da poesia também é importante. Leiamos, então, Jesus:


Salve, salve, simpatia!
Dizem que Jesus morreu na cruz
mas eu tive com ele na Dutra, em Queluz
levava na cabeça um tabuleiro de cuscuz
cocada de céu, cocada de luz
cocada de céu, cocada de luz
cocada de céééuuu...

Jesus
Jesus, Jesus
Jesus

Galo cantou
Jesus
Pneu furou
Jesus
Vestibular
Jesus
Atravessar o mar
Moisés
Sobre as ondas com os pés
Jesus
Como Jojó de Olivença
Zulu

No mar da África do Sul
No mar da África do Sul
No mar da África

Jesus, Jesus...

Fazenda do Seu Jesus
Fazenda do céu, Jesus

Tem cachoeira
Fonte de água viva
Também faz sol
Chuva quando precisa
No São Francisco
piracemas de alegria
Belém-Brasília
feijãozinho da Dona Maria.

Jesus, Jesus...

Tatu andou
Jesus
Tatuapé
São Paulo
Bicho pegou
Noé
Bicho de pé
Jesus
Faltou a luz

Jesus, Jesus...

Jesus, Jesus
Vamos tirar Jesus da cruz
Vamos tirar, vamos tirar
Vamos tirar Jesus da cruz

Nós vamos tirar Jesus da cruz
porque o rapaz está pregado
naqueles pedaços de pau
há mais de dois mil anos
Vamos deixar ele com os pés
e as mãos livres
que ele vai pular, dançar
virar cambalhota
e fazer muito melhor.
Mas é muito melhor!

E vai no lombo do cavalo
galopando pelo espaço
Salve a agricultura celeste

Salve a agricultura celeste
(Salve a agricultura celeste)
Salve Jorge, salve simpatia!
(Salve a agricultura celeste)
Salve Mané Garrincha
e Clementina de Jesus
(Salve a agricultura celeste)
Salve Chico Science
e Chico Xavier
(Salve a agricultura celeste)
Salve Raul Seixas
e Chacrinha, o Velho Guerreiro
(Salve a agricultura celeste)
E paz na Terra
a todos os seres
(Salve a agricultura celeste... )


resenha 08-1 - LOUVOR QUE LIBERTA


Levi Nauter




Acabo de ler um livro (esse não merece ser chamado de obra) que há muito buscava. Uma publicação antiga, de 1976, que meus amigos não possuíam para me emprestar. Trata-se de Louvor que liberta, do Capelão Merlin R. Carothers, publicado pela Edições Loyola. Tê-lo nas mãos foi uma bela surpresa. Principalmente pela forma como ele me chegou. Estava numa biblioteca pública onde sou sócio e, de repente, fui dar uma espiada numa espécie de balaio de obras, por assim dizermos, descartadas pela bibliotecária – ou por quem seleciona o acervo.
Terminada a leitura, se pudesse, parabenizaria quem fez isso.
O título do livro sempre chamou minha atenção. Libertação é um tema que faz parte de minhas leituras, essencialmente ligadas à educação, área em que atuo profissionalmente. Considero que ao mesmo tempo em que libertamos o outro vamo-nos (re)libertando de outras prisões – algumas conscientes, outras nem tanto. Continuo considerando que o louvor liberta, sim. Ele é uma poderosa arma contra a opressão diabólica, mas também contra a opressão religiosa. Penso que o louvor liberta justamente por nos pôr em contato direto com Deus, sobretudo, um contato na forma primária da criação: fomos feitos para o Seu louvor. Mas há um hiato considerável entre o que penso sobre louvor e o que o autor da obra em questão acha. Para mim, louvor sempre extrapola a música e o agradecimento, sempre transcende convenções humanas.
Para Carothers, louvor está muito mais para confiar passiva e acriticamente em Deus, ou seja, prega-se – nas entrelinhas – o fatalismo. Essa é a razão da minha aversão ao livro. Mas tem mais.
Tal como muitos outros livros, esse não tem nenhuma relevância ao cristianismo. Os oito capítulos simplesmente relatam as peripécias do autor antes e depois de sua conversão. Pior que isso, as aventuras de Merlin como não-cristão são mais interessantes do que os auto-elogios discorridos ao longo de aproximadamente oitenta e nove páginas. Talvez ainda mais massante seja uma nem tão velada pretensão de conversar téte-a-téte com o Todo-Poderoso. Este, pois, é quem vai dando as ordens ao capelão supercrente. Entre elas o ‘louvor passivista’ (não confunda com pacifista). A partir daí é que vamos lendo uma série de coisas como [segundo o autor, o próprio Deus falou enquanto seu automóvel apresentava problemas]: “Filho, eu queria que você soubesse que nunca deve temer que alguém possa se aproveitar de você. (...) eu resolvo todos os pequenos problemas da vida.” (p. 68)
Na página seguinte, mais uma: [Deus, segundo o autor] “Por que não experimenta louvar-me pela dor de cabeça? (...) Comecei a elevar meus pensamentos a Deus em ação de graças porque Deus estava me dando aquela dor de cabeça...”. na página 71 o autor titubeia sobre a cura para uma senhora e logo tenta se recuperar. Acompanhemos:
“Mas Deus me curou, insisti.
“Então, por que está fungando?
“Não sei, mas Deus sabe, e eu o louvo por isso”. (p. 71)
As citações até aqui são do sétimo capítulo no qual ele diz que Deus falava diretamente com seu espírito. O oitavo capítulo é uma continuação dessas conversas com Deus – só que agora para com outras pessoas. Então o encontramos dando conselhos para a mulher de um soldado que iria para a Guerra: “- agradeça a Deus!” (pp. 72-76), entre outros exemplos que mais parecem para aparecer do que compartilhar sobre louvor.

Há outras inconveniências no livro. Ele me pareceu mal traduzido, como é antigo talvez valha um perdão. Porém, ideologicamente é triste. No quarto capítulo o autor demonstra preconceito com as mulheres ao desconfiar que Deus possa usá-las (p. 35). No final do capítulo (p. 38) faz algo pior (muito comum em alguns animadores de circo travestidos de ‘ministros de louvor’): “olhei para a querida irmã com quem momentos antes tinha antipatizado e compreendi que a amava.” Bela falácia. Há preconceito étnico, quando o autor diz, sem rodeios: “perto do oficial estava um sargento de cor” (p. 53). Não é possível não falar de uma arrogância que também assola muita liderança igrejeira que se sente acima de qualquer suspeita. Carothers não fugiu a regra e tasca sua pseudosuperioridade: “sentia um mal-estar quando estava perto de certas pessoas. Orei a respeito e recebi uma forte impressão de que o que havia de errado com elas era de natureza demoníaca.” (p. 86)

O que mais me impressionou negativamente foi seu discurso bélico. A apresentação do livro deixa essa intenção bem clara. “Este livro relata a história do Cel. Carothers, que de jovem rebelde chegou a capelão do Exército dos Estados Unidos...”. Lamentável, profundamente lamentável considerar-se que ser capelão daquele exército seja uma bênção; admitiria que seja um bom emprego, e só. Mas o discurso norte-americano é belicoso por natureza. E nas páginas iniciais isso fica claro, recheado com inutilidades. Senão vejamos dois exemplos:
[de inutilidade] “Meu trabalho era aparar e esmerilhar aço. Não era muito agradável, mas ajudou-me a conservar a forma física. Estar em boas condições f~isicas significava estar capacitado para a corrida deste mundo a qual eu não queria perder por nada.” (p. 10)

[belicosidade] “Queria entrar em ação na guerra, e quanto mais perto da linha de fogo, melhor (...) Pelo modo como as coisas iam, calculei que ia perder o bom da coisa, e ficar lavando panelas até o fim da guerra.” (p. 11)


Parece haver uma proposital acriticidade quanto ao resto do mundo, quanto aos nefastos resultados de uma guerra. Isso não importa, para os supercrentes americanos (do norte, da América) Deus está com eles. O resto é do diabo, é inimigo. Muito bem afirma o uruguaio Eduardo Galeano
[1], há um teatro do bem e do mal. E nessa, o bem é sintetizado pela sigla EUA e o mal é todo o resto. O sexto capítulo é a consagração de que o livro não presta. “Vietnam” (sic) é o título.
Carothers descreve uma série de conversões a bordo do navio que seguia para o Vietnã. Orações, estudos bíblicos, testemunhos e outras pirotecnias estão descritas para enlevar a sabedoria americana e para demonstrar o quanto Deus estava com eles. Paradoxalmente, o Deus da paz nunca questionou por profecia ou profetada aquela Guerra. O Deus da paz estava mais interessado no mundinho da América. O capelão estava como queria “no grosso da batalha, junto com os fuzileiros” (p. 57). Deus se confundiu com o ‘american dreams’. “Várias vezes vi evidências da mão de Deus protegendo seus filhos. Quando confiamos nele, nenhuma força da terra pode tocar-nos se não for da sua vontade”. (p. 57 – grifo meu).
Com Carothers, Deus tornou-se americano. Resta-nos nessa perspectiva o sofrimento eterno, o pranto, o ranger de dentes, ler livros de autores norte-americanos dando-nos receitas; resta-nos dizer “tende piedade de nós assim como tens com os americanos”.
Termino com o triunfo do bem sobre o mal. Mal aqui são os vietcongs.

“...o major conseguiu controlar-se e contou-me uma história surpreendente.
Algumas horas antes ele estivera a bordo de um helicóptero, o qual fora atingido por artilharia anti-aérea e caíra na floresta. Os seis homens haviam sido atirados longe, na encosta de uma colina. Quando voltou a si, o major viu que estava ferido demais para se mover. À distancia ouviu tiros de rifle. Os vietcongs estavam se aproximando da área onde tinham visto o helicóptero cair. Estavam chegando para capturar os americanos.
De repente, o major compreendeu que aquilo era o fim. Os inimigos não iriam carregar americanos feridos. Iriam provavelmente torturá-los até a morte. (...) Numa explosão de angústia e com uma fé nova clamou: “Ó Deus, por favor, ajuda-me!” Percebeu que pela primeira vez em sua vida havia conversado com Deus. Contudo, ainda ouvia os vietcongs se aproximando.” (p. 59 – grifos meus)

A história termina com os americanos sendo salvos por outro helicóptero (quiçá divino) e os vietcongs (os diabólicos) atirando nos queridos. Ao chegarem à base salvos, o major disse querer servir a Deus por toda a sua vida (p. 60). Provavelmente serviu ao exército americano da salvação.

Terminei a leitura com muita raiva. E quando reli a introdução decidi colocá-lo na lata do lixo, após encontrar a seguinte propaganda (na p. 7): “Chegou a ocupar o primeiro lugar entre os best-sellers evangélicos nos Estados Unidos. (...) Só houve uma coisa para recomendá-lo aos possíveis leitores – o conteúdo.”
Definitivamente, se conselho fosse bom não se daria.






[1] GALEANO, Eduardo. O teatro do bem e do mal. Trad. de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 2006

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Maria Flor

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Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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