Mostrando postagens com marcador pais e filhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pais e filhos. Mostrar todas as postagens

dedicado a você, Flor


Levi Nauter





Desde o início de setembro, estou vivendo momentos incríveis. Tirei uma licença especialmente para cuidar da minha filha. Ocorre que a Lu voltou ao trabalho e eu estou tendo meu momento de pãe (pai e mãe).



Papinhas, suquinhos naturais, remédios, fraldas, babeiros, mamadeiras, risadas, choros, babas, tosse; mãos e pernas que insistem em bater no ar, tudo faz parte, efetivamente, do meu dia-a-dia. E que experiência maravilhosa!!!



Larguei quase tudo para cuidar dela. Internet tem sido raro; postagens, idem. O caderno de rascunho é o meu companheiro, alguns livros e muita, muita música.



Até o final de novembro estarei nessa agradável experiência. No entanto, desde já, ouço as primeiras tentativas de sílabas. “Bbrrruuuummmm” – misturado com muita baba - é o que mais escuto.



Assim que der, deixo mais notícias.






pais e filhos: agora é fato

Levi Nauter


Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Nem todas as respostas cabem num adulto. Arnaldo Antunes




Agora é verdade. Sou pai.

Hoje acordei com esse presente da vida. Levantei e, claro, a primeira coisa que fiz foi olhar o meu maior e melhor presente: minha filhota. Ela é a flor da minha vida. Com ela começo meu desenho de pai. Assim, relembro que ainda sou filho e tento, na medida do possível, melhorar a relação com o meu pai e a intensificar a minha função de pai da Maria Flor. O exercício tem sido reter o que foi bom e aprimorar as experiências traumáticas pelas quais passei. Sei, porém, do insucesso da minha empreitada antes da minha pequena ter uns vinte e poucos anos. Só então ela conseguirá fazer reflexões que vão me infligir penas ou absolver.

Agora entendo a preocupação com o futuro dos filhos. Já sonho ver minha linda bem encaminhada profissionalmente. Imagino vê-la sempre com saúde, risonha, amando a simplicidade e a vida. Também visualizo o grande desafio que me espera: mostrar Cristo longe das instituições religiosas. Precisarei refletir o pai celeste em mim que sou pai terreal. A minha fala, o meu cuidado, a minha presteza, meu companheirismo, meu humor, tudo poderá (ou não ) ser um discurso rumo a uma vida de fé cristã. Espero ser feliz nesse caminho.

Contudo, hoje fico mais atento aos detalhes do agora. Fico boquiaberto com a perfeição dela. As pequenas mãos já começam a pegar os brinquedos, a mamadeira e a apertar meus dedos ou a puxar os cabelos da mãe.

A voz dela é um doce. Rindo, dando os primeiros gritinhos ou até chorando; tudo me soa maravilhosamente bem. É como se fosse música, uma música composta por mim e a Lu. O cheiro dela nos encanta; as pernocas pedalando no ar nos enche de alegria e emoção. Sou um pai privilegiado, não há como resistir àquele rostinho dormindo cedo da manhã. Euforia contagiante é o seu sorriso matinal – misturado a um espreguiçamento de causar santa inveja. Ela é linda.

Nesse meu dia, ganhei um singelo (porém útil) presente. A Maria Flor é o presente que ultrapassa todas as datas. Olhá-la é lembrar o quanto Deus me ama. É saber do meu amor pela Lu. A Flor representa nossas metades, mistura nossa, a concretização de um sonho.

Eu sempre achei que a minha vida não teria graça sem filhos. Agora estou cheio de graça. Ela ri a toa, de graça. É um anjo.

Obrigado, filha, por tomar conta da minha vida.



Texto escrito no dias dos pais/2009. a preguiça só me fez digitar hoje - seis dias depois - ao som do sempre bom Don Moen e seu novo trabalho: I Believe There is More. A foto é obra da mãe coruja Lu, enquanto aguardávamos a pediatra nos atender no centro de Canoas. A Flor, na foto, tem quatro meses.

Maria Flor da minha vida

Levi Nauter

Minha amada filha, pelos planos médicos e, em consequência nossos, deveria ter nascido ontem – dia 15-04-09. Mas Deus em sua infinita misericórdia resolveu antecipar nosso presente. Nossa linda filha nasceu no dia 24-03. Nunca vou cansar de dizer que esse é o melhor presente do mundo. Esse pequeno ser já tomou conta da minha vida. Sou o pai mais feliz do mundo.

Deus obrigado pela Tua bondade. Ela é linda...

Hoje acordei pensando em ontem. Revivi todas as emoções do dia 24. Sobretudo, ouvi uma música que me emocionou profundamente. Ouvi o dia todo. Se a Maria Flor entendesse, eu arriscaria tocar e cantar (provavelmente em meio a choros) só pra ela essa canção. Acho tudo perfeito nessa música. Um dia, talvez, ela mesma cante e eu, bem mais velho, comece a chorar e a aplaudir a minha florzinha.


Filha, eu te amo!!! E essa música é pra ti.



Sixpence None The Richer

Melody Of You

you're a painting with symbols deep, symphony
soft as it shifts from dark beneath
a poem that flows, caressing my skin
in all of these things you reside and I
want you flow from the pen, bow and brush
with paper and string, and canvas tight
with ink in the air, to dust your light?
from morning to the black of night

this is my call I belong to You
this is my call to sing the melodies of You
this is my call I can do nothing else
I can do nothing else

you're the scent of an unfound bloom
a simple tune
I only write variations to sooth the mood
a drink that will knock me down to the floor
a key that will unlock the door
where I hear a voice sing familiar themes
then beckons me weave notes in between
a tap and a string, a bow and a glass
you pour me till the day has passed....


Uma tradução, nem tão boa, nem tão péssima.


Sixpence None The Richer

Melodia De Você
Você é uma pintura com símbolos profundos
Uma sinfonia, macia como as trocas da escuridão
Um poema que flui, acariciando minha pele

Em todas estas coisas você reside e
Eu quero fluir da caneta, arco e escova,
Então papel, fio, e toque de tela
Com tinta e o ar espanar a sua luz
Da manhã até a noite escura

Este é o meu chamado, eu pertenço a você
Este é o meu chamado, cantar a melodia de você
Este é o meu chamado, eu não posso fazer nada mais
eu não posso fazer nada mais

Você é o cheiro de uma flor inencontrável
Uma melodia simples, a qual eu só escrevo variação
Uma bebida que me derrubará no chão
Uma chave que destrancará a porta
Onde eu ouço uma voz cantar temas familiares
Então me acena, teça notas entre
Um arco e um fio, uma torneira e um copo
Você me derrama, até o dia passar









PS: tenho a impressão que Deus - mil vezes melhor do que eu - também canta enquanto a gente dorme. Faz poesia enquanto a gente segue tocando em frente. Alegra-se com a minha alegria e deve fazer de tudo para que eu fique bem. Exatamente o que faço pela minha filha: nunca irei cobrar pelo meu serviço, pelas acordadas que ela me dá ao longo da noite. Os seus olhos, o seu sorriso, o seu respirar são a minha recompensa.

GRAVIDADE 8 – logo, logo

Levi Nauter



Lá pelo dia 15 de abril, exatamente um mês antes de meu aniversário, chegará o meu maior e melhor presente de todos os tempos: a Maria Flor. Por ora eu e a Lu aguardamos ansiosos por esse dia.

GRAVIDADE 6 - agora sim


Levi Nauter


(...)Fecha os zóio e drome,
Minina, minininha,
A noite assa bolo,

No forno da cozinha.

Drome, minininha,
Papai num tá aqui,
Enfeita a noite preta
Com zóio de rubi.

Drome, minininha,
Mamãe foi trabaiá,
Lavá a noite suja.
Com as água do luá.
...
Sossega, minininha,
Sossega, tá na hora,
Logo vão se abri
Os zóio da Orora.

Sérgio Capparelli



Doze de doze, de dois mil e oito. Treze horas. Estávamos ansiosos. A Lu gelada; eu, quente. Pensamos nas dificuldades existentes no mundo infantil. Nossos trabalhos docentes em escolas com educação infantil deixam-nos frente a frente com as mazelas humanas. Mas também de cara com as virtudes da meninada que se sobressai a todos os problemas. Talvez por isso o conselho de Cristo a que sejamos como criança.

E nós lá, cheios de emoção. Nossos olhos lacrimejavam; nossas mãos entrelaçadas unia nosso espírito e fortificava nossa esperança num Deus que é perfeito.

Incrível como – nessas horas – cinco minutos parecem uma eternidade.

Chegamos na sala. Aparelhos ligados, médico colocado. Começa a ecografia.


A criança não pára com as cambalhotas. Ergue as mãozinhas, os pezinhos, boceja e até soluça. Mede aproximadamente 26 centímetros e tem um peso enorme: 400 gramas. O coração é potente, os ossos estão nos seus devidos lugares. Tudo está bem.

Com essas primeiras informações o pai e a mãe, marinheiros de primeira viagem, estavam derretidos; só chorávamos e nem piscávamos tal era a nossa concentração diante da tela. Uma emoção indizível.

Saímos extasiados da sala. Com os olhos inchados, ao mesmo tempo ríamos e chorávamos. O mundo parecia ter parado. Nada mais pareceu importante por alguns instantes. Enquanto nos dirigíamos para um bom almoço, comentávamos sobre o quanto Deus fora maravilhoso conosco. Sua mais recente demonstração de amor e seu maior presente de natal, para mim e para Lu, foi essa menina. Linda!!!!!!!!!!!!!!!!

Ela será maravilhosa, conselheira, mulher forte, a princesa da nossa casa.


Será a Maria Flor Oliveira de Mira




NOTA

O epíteto é um trecho da poesia "drome, minininha!", publicada na obra "111 poemas para crianças", do professor Sérgio Capparelli, publicada pela L&PM, em 2006 (5ª ed).


[pais e filhos] - texto 16 - levi nauter


Levi Nauter





...os filhos são herança do Senhor ( Salmos 127.3)





Antes de tudo, fica a minha homenagem à maravilhosa banda de rock Legião Urbana. Hoje, aos trinta e três anos, consigo entender (apesar de discordar) por que a igreja que eu freqüentava odiava o Renato Russo, em minha opinião a cabeça pensante do grupo. Os profetas
[1] são odiados.

Com exceção da frente, onde há mato, nossa casa provisória é cercada por outras casas. Casualmente, ou não, em todas essas residências há crianças. Uma com aproximadamente seis meses, outra com uns dois anos e ainda outra com talvez cinco ou seis anos de idade. Há algum tempo venho observando-as. Tem sido uma experiência rica.
Outro dia notei que uma delas, um guri, brinca sozinha na maior parte do tempo. Os pais trabalham e a avó dá uma "reparada". Incomodou-me
[2] o fato dele só jogar bola. O dia inteiro. O legal é que ele usa da criatividade; afinal, narra, é o próprio jogador narrado e ainda faz os ruídos de uma torcida imaginária. Em muitos momentos chega a ser cômico assistí-lo xingando a si próprio: - Na traaaveeeee!!!!!!! (vê-se ele fazendo um sinal da cruz e retomando uma jogada).
A outra criança, uma menina. Ela é linda. Eu e a Lu não cansamos de olhá-la e de dizer, embasbacados: - oi!?. Ela nada responde, simplesmente se esconde e de seu esconderijo ouvimos apenas umas acanhadas risadas. O que mais nos impressiona (e positivamente) é o quanto os pais conversam com ela, beijam-na. Não ouço, mas tenho certeza, pelas ações, que essa menina é extremamente amada pelos pais. Em três meses que lá moramos, nunca ouvi uma palavra de desdém, de pouco-caso, dirigida à filha. Só ouvimos palavras de carinho, de ensino, de amor recheadas de afeto. A criança está numa fase em que busca mexer em tudo, quer pegar tudo. Admira-nos a calma, a paciência e a persistência com as quais os pais lidam diariamente com a filhota. Nitidamente nota-se a menina imitando os pais. Assim, é extremamente curioso notá-la cuidando das bonecas e dos filhotes de uma cachorra.


Choro e mais choro é o que ouvimos da terceira criança. É uma raridade escutar aqueles gritinhos típicos de quem está descobrindo a voz, o volume do som, os barulhos dos lábios, da língua, dos dedos na boca etc. O comum é o choro. Parece haver uma única razão para não chorar: ser embalado[3]. Dessa forma, a mãe, e algumas (poucas) vezes o pai, vive para embalar a criança. Não é raro ver-se a criança no colo da mãe - que dá meio passo para frente, meio para trás; ou sentada, mas, empurrando o carrinho de bebê pra frente e pra trás - ad infinitum. A cena cômica fica por conta do pai que, desajeitado, além de imitar a mãe acrescenta um "táa, táa, táa", como se dissesse "calma, filho, calma!".


As três situações põem-me a pensar. E lembram-me de uma outra cena familiar. Uma criança cujos pais conversavam com ela; ainda aconselhavam outros pais a seguirem o seu modelo de criar os filhos. Talvez uma infelicidade: criticavam quem criasse os filhos de outra forma. A criança pequena, que ouvia os pais, cresceu, passou pela adolescência, chegou na fase dos namoros, começou a desafiar os pais - ainda que discretamente. De repente, os conflitos aumentaram e, por fim, o discurso dos pais foi por água abaixo. Então tudo aquilo que seus pais 'pregavam' como sendo modelo foi-se; todo o discurso paterno e materno tornou-se raquítico. Logo, aquele que fora criança será pai/mãe. Logo, o que era pai/mãe deverá refazer o discurso. Todas as teses sobre criação de filhos terão de ser reconstruídas, revistas. Será necessário olhar de um outro ângulo.

Neste 2008, se tudo andar como pretendemos, eu e a Lu seremos pai/mãe. Realizaremos nossa maior obra, teremos uma herança do Senhor. Ela, a criança, será muito, mas muito, benvinda. Na verdade ela já existe em nosso pensamento, muito do que fazemos é imaginado como se tivéssemos um filho ou uma filha. E o que isso tem a ver com as cenas apontadas acima? Aprendizagens.


Como disse, as três situações põem-me a pensar. De um lado parece estar claro que não existem receitas na criação de filhos e filhas. Por outro, contudo, a situação concreta que nos circunda está embebida de exemplos tanto bons quanto ruins.


Enquanto discorro sobre filhos e filhas, a primeira cena parece me previnir que caberá a mim mostrar 'mais' do mundo para meu filho(a). Não me parece uma boa idéia deixá-lo obcecado por futebol sem dizer que há outros esportes. Meu diálogo deverá mostrar o leque de opções esportivas (vôlei, basquete, tênis, padle, botão, futsal, futvôlei, carta, xadrez, dama, turfe, surfe, fórmula 1, entre tantos e tantos outros.) e deixá-lo escolher. Dizer dos benefícios e dos perigos possíveis também parece ser adequado. E, depois disso, se a escolha continuar sendo o futebol terei de respeitar.


A segunda cena mostra-me que a afetividade, o amor, o diálogo, a compreensão, são elementos importantes, lições nunca mais esquecidas pelos pequenos. Continua extremamente vivo em mim os momentos nos quais minha mãe cantava "dorme neném que a cuca vai pegar" ou falava-me, num tom inconfundível: "óh, o mamá, filhinho da mamãe". Também lembro dos poucos momentos em que passeei com meu pai. Quero dizer que, apesar da correria pela sobrevivência, deveríamos prestar mais atenção ao desenvolvimento afetivo-cognitivo dos pimpolhos. Eles serão nosso reflexo (mudarão com o passar dos anos, é verdade, mas poderão sofrer ao longo desse processo). Quando um casal lida de maneira equilibrada (sem estardalhaços, sem gritaria) com os filhos(as), estes fazem o mesmo enquanto brincam. Além de conhecer amigos que assim agem, trabalho numa escola e observo - na prática - o que estou afirmando.


Encontro um dilema, porém, na terceira cena. Sempre que estou em casa, angustio-me com a mãe e com o pai, que simplesmente não vivem. Aí está o problema: os pais não vivem. Quem vive é a criança. Ela chora, esperneia, ri; se esbalda com a ingenuidade dos pais. No lugar deles, faria uma checagem médica para me certificar de que o filho(a) está bem, em seguida, o(a) deixaria chorando por um bocado de tempo - até ela começar a construir (conforme Piaget) a ideia de que a'balda' para nada serve. Ou seja, os pais precisam viver. Criar o filho com todo o amor e carinho, sem dúvida; mas sem escravismo. Porque do contrário ter filhos(as) passa a ser um sacrilégio, um tédio, uma chatice, uma punição divina, um carma. É preciso muita reflexão e diálogo entre os cônjuges até chegar-se ao mínimo de equilíbrio entre as três cenas.


Mas ainda temos uma quarta cena aludida no sexto parágrafo. Trata-se daquele que um dia foi criança e que, portanto, tem construído um discurso, possui uma ideologia da vida. Embora saibamos que muito será agregado a sua experiência, também sabemos que já há uma cosmovisão. Ele ou ela já têm condições de dizer sim ou não para muitas inquirições cotidianas.


Adentramos, agora, no que parece ser o foco divino. A meu ver, dentre outras interpretações possíveis, a "herança do Senhor" pode ser as contradições - conscientes ou inconscientes - que a criação dos filhos(as) trará. E mais, ela será sempre, digamos, explosiva, espantosa. O relato de uma mãe - ao dar à luz um filho - é sempre imaginando um cenário explosivo, espantoso. E feliz, claro! Quando um pai conta que seu filho ou sua filha disse "táta" (e ele entendeu como sendo pai ou papai) esse relato vem fortemente marcado pela emoção. E essa sentimentalidade (lembrando Eça de Queiróz) se estende para o resto dos dias paternos e maternos. Não é à toa que um sujeito com trinta anos nas costas é chamado carinhosamente de "minha criança", "meu neném". É a "herança do Senhor". Mas nem tudo é festa.


Essa mesma herança que retratei positivamente, às vezes torna-se uma explosão e um espanto nem tão positivos assim. Isso porque a maravilhosa herança do Senhor não se coaduna exatamente com aquilo que queremos ou esperamos. Assim, queremos um filho artista (plástico, músico, fotógrafo, ator etc); ele opta por ser professor. Esperamos que a filha case virgem; ela engravida antes. Queremos que o filho ou a filha respeite todas as regras combinadas; ele ou ela resolve fazer exatamente o contrário. Há outros tantos exemplos que por ora não me ocorrem. O certo é que o dantes positivo passa a ser visto como negativo, pelo menos até que mudemos nossos parâmetros avaliativos.


Tenho a impressão, pelo dito até aqui, que o desejo divino é que vivamos em novidade de vida. Que aproveitemos cada momento por Ele dado para experimentar a vida na sua profundidade, na sua beleza e feiura, nas contradições, nas alegrias e tristezas. Tendo a consciência de que "os filhos são heranças do Senhor" parece ser menos difícil rever nossos conceitos, e pré-conceitos.
Exercendo a maternidade e a paternidade (porque tanto o homem quanto a mulher, no meu entender, exercem exatamente as duas funções - guardadas as devidas proporções) temos a oportunidade, dada por Deus, de entender o Divino um pouco mais. Com uma criança por perto torna-se mais fácil entender o que Cristo quis dizer quando nos sugeriu sermos como uma criança. A maneira como reagimos diante dos erros dos filhos pode ser um reflexo de como Deus agiria conosco e também de como Ele não agiria.


Será que Deus possui um livro de receitas sobre a criação de filhos? Será que Deus não compreende o ser humano? Por que Deus criou um mundo e nós o 'enfeiamos' nos sentindo melhores que Ele? Por que doía tanto quando apanhávamos e agora parece que gostamos de bater? E por que bater é mais fácil que conversar? E Deus não diz nada, por quê? Ou Ele diz e não estamos sabendo ouvir? O que a criação divina diz sobre criar/educar filhos? O que dizem os "Tiba's" da vida? O que diz a Bíblia? O que diz a prática? E os que dizem, como criam os próprios filhos? Como um pai ou uma mãe diz que cria seu(s) filho(s)? E como um filho se vê sendo criado? Que tal se perguntássemos como um filho agiria em determinadas situações de sua criação?

Deus é tão maravilhoso que nos dá uma herança para que tenhamos uma pitada de idéia sobre o trabalho que lhe damos. Seu jeito de lidar conosco é multiforme, não há receitas. Sobretudo, a maior maravilha é sabermo-nos amados por Ele. Eu sou feliz com essa real boa-nova. Espero um dia refletir Deus para meu filho ou minha filha.


Enquanto isso, permitam-me encerrar esse texto com um trecho da clássica música Pais e Filhos do "profeta Renato Russo": ...é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque, se você parar pra pensar, na verdade não há...



Ora vem, meu filho ou minha filha!!!









[1]Antes que os exegetas e teólogos de plantão queiram meu corpo queimado, explico que o termo profeta deve ser entendido no sentido conotativo, ou seja, aquele que anuncia/denuncia nossas mazelas. Sugiro a esses plantonistas que comecem a ouvir a obra da Legião, bem como o trabalho solo do Renato. A música Pais e Filhos tem muito para refletirmos.
[2]Força de expressão, claro, uma criança tem mais é que brincar mesmo. E muito! Aristóteles já dizia: "brinque que possas ser sério".
[3]Balançar (a criança) para acalmá-la ou fazê-la dormir. 'Minidicionário Gama Kury da Língua Portuguesa', São Paulo, FTD, 2001.



ILUSTRAÇÃO


Ilustração de Eva Furnari para o seu livro ADVINHE SE PUDER, 2.ed. Ed. Moderna, 2002.

meu jardim

meu jardim
minhas flores

minha alegria

minha alegria
Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

Ouvindo

  • discografia do ótimo John Mayer

Followers

EU

Minha foto
LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

Leituras

  • textos sobre EDUCAÇÃO (livros, revistas, artigos)
  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier