JESUS - sem mensagem subliminar

É preciso muita arte, muita tranquilidade e muita confiança em Deus para entender essa bela música como arte pura. Como um alerta naquilo que podemos mudar rumo a eternidade.

FALA MESTRE DOIS



O testemunho que nos deram foi sempre o da compreensão, jamais o da intolerância. Católica ela, espírita ele, respeitaram-se em suas opções. Com eles aprendi, desde cedo, o diálogo. Nunca me senti temeroso ao perguntar e não me lembro de haver sido punido ou simplesmente advertido por discordar.

Paulo Freire



Paulo Freire, ao se referir aos pais. O trecho está na pág. 55 de Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minha práxis. Direção, organização e notas Ana Maria Araújo Freire. 2.ed.rev. São Paulo: Editora UNESP, 2003. [Série Paulo Freire]

minha joia!!!




Levi Nauter






Meu maior presente nasceu. Antecipou-se as nossas previsões e veio nos fazer companhia. Nossa maior joia. Um presente de Deus.






Conselho para a juventude

Levi Nauter

Durante três meses, em 2008, li um livro imprescindível para quem se pretende estudante da língua e da leitura. Selecionei um trecho para pensarmos. Nele, Santo Agostinho dá um conselho ao Petrarca:

“Sempre que leres e encontrares frases maravilhosas que te instiguem ou deleitem teu coração, não confies apenas no poder de tua inteligência, mas força-te a aprendê-las de cor e torná-las familiares meditando sobre elas, de tal forma que ao surgir um caso urgente de aflição terás sempre o remédio pronto, como se estivesse escrito em tua mente. Quando encontrares quaisquer trechos que te pareçam úteis, faz uma marca forte neles, que poderá servir de visco em tua memória, pois de outra forma eles poderão voar para longe."



in Uma história da leitura, de Alberto Manguel, publicado pela Cia. das Letras. O trecho acima está nas pp. 81/82

A seguir, um belo fechamento. Livros, uma excelente canção do mestre Caetano Veloso. Tive a honra e o desafio de cantá-la numa cadeira de Teoria Literária, há alguns anos. O videoclipe é parte do DVD Prenda Minha, outra beleza.








VIDEO 6 - João Alexandre

VIDEO 5 - Brooke Fraser

Ando ouvindo bastante os dois CDs que consegui desta garota. Encontrei-a em razão de uma de suas composições, CS Lewis song. É joia.




GRAVIDADE 8 – logo, logo

Levi Nauter



Lá pelo dia 15 de abril, exatamente um mês antes de meu aniversário, chegará o meu maior e melhor presente de todos os tempos: a Maria Flor. Por ora eu e a Lu aguardamos ansiosos por esse dia.

14 ANOS

Levi Nauter

Acabo de completar catorze anos de casado. As palavras me fogem ao tentar explicar a emoção. Construímos uma história maravilhosa, juntos. Temos feito um esforço tranquilo para sermos uma só carne. E tal união foi tão saudável a nós que daqui a, aproximadamente, um mês nos partiremos. Continuaremos uma só carne. Mas o pedaço mais singelo, mais lindo de nós dois e de maior alegria virá ao mundo. Ah, Maria Flor, como te aguardamos!!!


Com a Lu, eu repito o poeta Gonzaguinha: “começaria tudo outra vez...”


Começaria tudo outra vez, se preciso fosse meu amor.
A chama em meu peito ainda queima, saiba, nada foi em vão,
A cuba-libre da coragem em minhas mãos,
A dama de lilás me machucando o coração,
Na sede de sentir seu corpo inteiro coladinho ao meu.

E então eu cantaria a noite inteira,

Como já cantei , eu cantarei

As coisas todas que já tive, tenho e sei que um dia terei.

A fé no que virá e a alegria de poder olhar pra trás
E ver que voltaria com você,
De novo, a viver nesse imenso salão.

Ao som desse bolero, a vida, vamos nós
E não estamos sós, veja meu bem,
A orquestra nos espera, por favor
Mais uma vez, recomeçar...



Meu amor, eu te amo!














VIDEO 4 - john mayer

Levi Nauter


Graças aos bons amigos que tenho, possuo um bom acervo de músicas. Elas me confortam em muitos momentos de correria docente, bem como nos afazeres de casa.

Acabo de adquirir um DVD espetacular. O vídeo, a seguir, é uma prévia daquilo que se encontra em outros registros de um guri 'fera'. Ah, se eu tocasse metade do que esse cabra toca no violão...

Ouçam, John Mayer, em 2005:




o que é ser fundamentalista?

Levi Nauter


Com a palavra, Rubem Alves:


"O fundamentalista é o homem consistente, incapaz de jogar uma pitada de humor sobre si mesmo"

Rubem Alves



em O enigma da religião, 3.ed., Papirus, 1984, pág. 11.

VÍDEO 3 - Brian Doerksen

Mais um grande músico que gosto de ouvir.

O cara é compositor de grandes sucessos, além de ter lançado algumas cantoras não menos interessantes.

Essa música eu quase furo: Refiner's Fire.





VIDEO 2 - Sixpence...

Levi Nauter



Que voz!
Sou um grande fã desse pessoal. Há alguns dias, graças a amigos preciosos, consegui cinco trabalhos dos caras.
Viva Sixpence...
Viva Pato Fu


FALA MESTRE 2

CARTAS A CRISTINA – continuação


O testemunho que nos deram foi sempre o da compreensão, jamais o da intolerância. Católica ela, espírita ele, respeitaram-se em suas opções. Com eles aprendi, desde cedo, o diálogo. Nunca me senti temeroso ao perguntar e não me lembro de haver sido punido ou simplesmente advertido por discordar.


Paulo Freire


Paulo Freire, ao se referir aos pais. O trecho está na pág. 55 de:RTAS A CRISTINA – continuação

Cartas a Cristina: reflexões sobre minha vida e minha práxis. Direção, organização e notas Ana Maria Araújo Freire. 2.ed.rev. São Paulo: Editora UNESP, 2003. [Série Paulo Freire]


FALA MESTRE

Sou um grande fã do educador Paulo Freire. A série de postagens sob o título FALA MESTRE será sempre um trecho selecionado. Como esse:
"O que me interessa não é que meus filhos e minhas filhas nos imitem como pai e mãe, mas, refletindo sobre nossas marcas, dêem sentido à sua presença no mundo. Testemunhar-lhes a coerência entre o que prego e o que faço, entre o sonho de que falo e a minha prática, entre a fé que professo e as ações em que me envolvo é a maneira autêntica de, educando-me com eles e com elas, educá-los numa perspectiva ética e democrática.
Na verdade, como posso “convidar” meus filhos e filhas a respeitar meu testemunho religioso se, dizendo-me cristão e seguindo os rituais da igreja, discrimino os negros, pago mal à cozinheira e o trato com distância? Como posso, por outro lado, conciliar a minha fala em favor da democracia com os procedimentos anteriormente referidos?
Como posso convencer meus filhos de que respeito o seu direito de dizer a palavra se revelo mal-estar à análise mais crítica de um deles que embora criança ainda, ensaia, legitimamente, sua liberdade de expressar-se? Que exemplo de seriedade dou às crianças se peço a quem atende ao telefone que chama que, se for para mim, diga que não estou?
Este esforço, porém, em favor da coerência, da retidão, não pode resvalar, sequer minimamente, para posições farisaicas. Devemos buscar, humildemente e com trabalho, a pureza, jamais nos deixando envolver em práticas ou assumindo atitudes puritanas. Moral, sim, moralismo, não."
FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

louvorzão

Minha colega de trabalho, bióloga e especialista em educação, Elisangela Teixeira deu-me um belo presente: um disco com uma seleção de músicas da inesquecível conterrânea Elis Regina – entre outras pérolas da música brasileira e internacional.

Das músicas que não me saem da cabeça está a simplesmente maravilhoooooooooooosa “Querelas do Brasil”. Há algum tempo venho ouvindo muitíssima música brasileira. Mas não brasileira apenas no ritmo, senão, sobretudo, em seu conteúdo. E essa a que me referi é simplesmente espetacular. Claro que os autores fazem a diferença. Agora, a interpretação da Elis está impecável. Aqui é possível perceber os porquês dela ser considerada uma das melhores cantoras que este país já teve. Note-se, por exemplo, suas nuances vocais ao diferençar Brazil de Brasil.

Fico imaginando se nossas “irmãs” quisessem imitá-la um pouquinho. Como melhoraríamos a arte do “louvor e da adoração”. Ah, se nossas 'valadonas' aprendessem um pouco mais sobre o riso na hora de cantar e um pouco menos de chororô...

A fim de melhorar a audição do vídeo, resolvi 'colar' a letra. Ainda bem, que em termos de letra/poesia com conteúdo já temos alguns 'iluminados' como João Alexandre, Jorge Camargo, Stênio Marcius, entre tantos e tantos outros. Esses, porém, ao contrário do que deveria ser, estão escondidos da 'grande mídia eclesial'. Talvez o bom disso é que eles não precisam vender-se.

Mas ainda falta a ousadia dessa gaudéria nos templos. A riqueza de sua interpretação. Falta, acima de tudo, um cristianismo que além de criativo seja, de fato, com a nossa cara, com o nosso cheiro; que cante as nossas conquistas e reflita sobre as nossas mazelas. Assim como a “Querelas...”, abaixo:

QUERELAS DO BRASIL

Composição: Maurício Tapajós, Aldir Blanc

Interpretação: Elis Regina



O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapir, jabuti, liana, alamandra, alialaúde
Piau, ururau, aqui, ataúde
Piá, carioca, porecramecrã
Jobim akarore Jobim-açu
Oh, oh, oh

Pererê, câmara, tororó, olererê
Piriri, ratatá, karatê, olará

O Brazil não merece o Brasil
O Brazil ta matando o Brasil
Jereba, saci, caandrades
Cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, Guimarães, bachianas, águas
E Marionaíma, ariraribóia,
Na aura das mãos do Jobim-açu
Oh, oh, oh

Jererê, sarará, cururu, olerê
Blablablá, bafafá, sururu, olará

Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil

Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, Cordovil, Caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, Olará
Cascadura, Água Santa, Acari, Olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, Olará
Do Brasil, SoS ao Brasil
Do Brasil, SoS ao Brasil


Não deixe de assistir ao vídeo. Uma obra de 1980.






A CABANA – minhas impressões

Levi Nauter
Acabo de ler o já famigerado livro de William P. Young. Quase bati meu próprio recorde de leitura, provavelmente em razão de dias de puro descanso nessa última semana de férias.

Como primeiras palavras, digo que gostei da capa. Na medida em que vamos lendo a obra, a figura ilustrativa vai como que tomando corpo, significado. Ainda na capa, lê-se o nome da editora, Sextante; e uma categoria literária: ficção. Isso levou-me a alguns pensamentos: (1) já está se cumprindo o texto que profetizava sobre as pedras clamarem em nosso lugar (Lc 19.40), (2) ainda carecemos de alertas para não confundirmos verossimilhança com semelhança. Ah, se lêssemos mais romances...

É pena que nenhuma editora cristã tenha devidamente apostado nesse livro. Pontos para a Sextante que antevê um cristianismo com arte; que propagará um evangelho mais pós-moderno – mesmo com resvalos na tradição. No entanto, uma leitura um pouco mais atenta justificará o desinteresse das editoras confessionais, por exemplo a página 208. ou seja, ainda temos uma caminhada até chegarmos ao ponto de termos paz pré e pós leitura de um romance, de uma ficção.

Em se tratando d’A Cabana mesmo, acho que criei uma expectativa maior do que devia. Minhas emoções não tiveram o mesmo ápice de outros/as leitores/as.

A obra é bem escrita. Um texto que cativa. Nitidamente um quase roteiro de cinema. Nalguns momentos sentia como se uma câmera de vídeo estivesse com o zoom ‘ligado’, tal a riqueza de detalhes de cena. Porém, noutros momentos seria melhor o ‘microfone’ estar desligado.

Incomodou-me a nomenclatura dada à Trindade, embora um pouco compreensiva pelo contexto do enredo. Ele era Ela que depois (re)tomou sua ‘macheza’, e, assim, continuamos no gênero-mor. Num momento inicial o evangelho transcende a igreja para, depois, voltar ao molde de sempre. Algumas frases de efeito também apareceram (resposta certa x resposta viva). Não faltou o momento fantástico, característica que me atrai, sobretudo na literatura latino-americana. Mas o momento Chico Xavier foi duro de engolir (capítulos 11 e 16).

Eu recomendo a leitura até como contraponto às minhas impressões. Recomendo porque traz uma visão inovadora do que seja Deus. O Espírito Santo tem um bom papel e não fica só como uma espécie de auxiliar de serviços gerais no céu. Céu? Aquele cenário não é o céu.

Mas tenho medos. Não me surpreenderá se houver a publicação de um A Cabana 2, característica comum na arte norte-americana. Igualmente não será novidade se algum “iluminado” resolver escrever um livro com as ‘receitas para viver bem’ segundo A Cabana. Tampouco ignoro a possibilidade de encontrar um ‘A Cabana com propósitos’. Mais ainda: fico imaginando o estrago de uma obra dessas se cair nas mãos daqueles leitores que fazem da verossimilhança uma realidade. Basta lembrarmos dos devoradores do Frank Peretti ou da série apocalíptica do Tim LaHaye. O Apocalipse passou a ser desses autores e não de João. O evangelho agora é de quem? Seria de Jesus?

Por outro lado, admiro a ousadia de se grafar na própria obra que ela é assombrosa e tem uma qualidade literária, em vez de deixar essa tarefa aos leitores. Esta, parece-me, seria a melhor forma.

Quanto à proposta que o livro faz para ser adquirido e doado, eu faria isso com uma edição de bolso cujas páginas internas fossem do tipo jornal e com um acabamento mais simples. Dito de outra forma, cumpriria o pedido se me saísse mais barato.

Ah, o impacto deste texto visa ser estimulante, apesar de nenhuma qualidade literária.
Sinta-se estimulado a ler A Cabana. Ainda que eu não seja Michael W. Smith, nem Ricardo Gondim e muito menos o Gerson Borges, fica a sugestão.

[GRAVIDADE: enquanto a Florzinha não vem ] – lnm







Levi Nauter












Não são todas as pessoas que gostam de esperar. Esperar exige paciência e constante aprendizado. Mesmo à força, é na espera que aprendemos a nos distrair com outras ocupações; fazer daquilo que parece ócio um ato criativo. Neste exato momento, lembrei do Max Lucado – autor que já admirei (mais seu jeito de escrever que sua ideologia). No seu livro “Quando Cristo voltar: o começo da melhor parte”[1] ele trata de como deveria ser a espera da vinda de Cristo citando o próprio Jesus: “não se turbe o vosso coração”. Dependendo de como se espera o encontro poderá ser bom ou ruim[2]. Na espera criamos expectativas.

Há sete meses estou na espera da melhor parte de mim, a Maria Flor. Tais momentos são permeados de preocupações de pai mas, e sobretudo, de muita alegria. Não há como descrever as cenas nas quais beijo a barriga da Lu e ela (a Flor) começa a pular ‘loucamente’. Quando insisto em ficar com meus lábios sobre a barriga, a Flor parece acariciar-me com suas ‘mexidas’. Ela é muito especial. Ela transcende a tudo. Mal posso esperar a hora de beijá-la no rostinho, de dizer o quanto a amo e o tanto que ela foi querida por nós pais. A Lu está tão eufórica quanto eu.

Temos buscado ocupar nosso tempo lendo sobre como lidar com os pequenos. Também sobre como decorar o quarto da pequena. E enquanto ela não vem, estamos fazendo de tudo. A Lu vem se mostrando uma bela pintora-decoradora. Eu auxilio na pintura, dou alguns pitacos e ataco de costureiro. Oh, aventura!
Esperamos que ela goste dos mimos.
Para que vocês tenham uma idéia, eis algumas fotos.





[1] Publicação da CPAD.
[2] Em termos de vinda de Cristo, por anos eu preferi que Ele não voltasse. Primeiro queria casar; depois quis ter uma casa própria e – vejam só – por fim, desejava ter um bebê. Meu ciclo parece estar se concluindo. Com a maturidade, penso que sim – agora se aproxima o começo da melhor parte. Serei salvo por pura misericórdia. Por pura graça.






NOTA



Soundtrack “Possibilities”, do CD Overtime, do excelente Lee Ritenour.

em férias

Até dia 18-02-09 estarei curtindo minhas férias e os últimos preparativos para a chegada da melhor produção da minha vida: a Maria Flor.
Eventualmente postarei alguma coisa.
Enquanto isso, preparo-me para um novo projeto de escrita eletrônica. Um desafio que, em tempo oportuno, contribuirá para a reflexão cristã.
Até mais,
LNM

desgraceira pentecostal

Levi Nauter


Veja irmãos o lugar que eu andei
Falo do anjo que eu pude contemplar
Ele é lindo, estreito e maravilhoso
E o nome do lugar é Labassurionderrah

I - flá - flá - flá - flá
Ifa - Labassurionderrah
I - flá - flá - flá - flá
Não diminuo, e nem também posso aumentar

Veja irmãos, que eu ainda vou falar
Deste anjo que eu pude contemplar
Ele tem as vestes brancas, olhos de fogo, meus irmãos
Só lhes falo do que pude contemplar

I - flá - flá - flá - flá
Ifa - Labassurionderrah
I - flá - flá - flá - flá
Não diminuo, e nem também posso aumentar

Veja irmãos, que eu ainda vou falar
Deste anjo que eu pude contemplar
Ele é alto, e o cabelo encaracolado, meus irmãos
Só te falo do que eu pude contemplar

I - flá - flá - flá - flá
Ifa - Labassurionderrah
I - flá - flá - flá - flá
Não diminuo, e nem também posso aumentar

Veja irmãos o que eu ainda vou falar
Deste anjo que eu pude contemplar
Ele é lindo, estreito e maravilhoso
E o nome deste anjo é Labassurionder...

I - flá - flá - flá - flá
Ifa - Labassurionderrah
I - flá - flá - flá - flá
Não diminuo, e nem também posso aumentar

I - flá - flá - flá - flá
Ifa - Labassurionderrah
I - flá - flá - flá - flá
Não diminuo, e nem também posso aumentar



PARA OUVIR A PÉROLA: http://www.mp3tube.net/br/musics/Graca-Ramalho-Labassurionderra/64466/

[mensagem subliminar]- lnm

Levi Nauter


Não sei se, como diz o provérbio,
as coisas repetidas agradam, mas creio que, pelo menos, elas significam.
Roland Barthes



Ainda estão bem vivas na minha memória as reuniões de que participei visando ao aperfeiçoamento da minha pequena carreira musical-evangélica. Isso denuncia que estou pendendo mais para a velhice. A paternidade precoce (bem antes de termos a Maria Flor eu já me sentia como uma espécie de futuro pai) parece ter jogado alguns anos a mais na minha idade. Gosto da idade que tenho, ela me deu muita história para contar.

Eu dizia das reuniões de aperfeiçoamento musical. Já li muito a respeito. Confesso que agora ando desatualizado, as publicações são mais rápidas que minha capacidade leitora. Ademais, também como reflexo da idade, tornei-me exigente e poucas obras responderam aos meus questionamentos. Tenho optado por ler autores não cristãos e mais “abrasileirados”: José Ramos Tinhorão, Paulo Tatit, José M. Wisnik, são alguns exemplos. Com estes, caminho mais perto do que chamo de arte. Seria um desaforo, contudo, não citar os cristãos que também veem a música como arte. O perfeccionista Michael Card, bem como o Rory Noland – para ficar em dois. Tais nomes recém citados nunca foram objetos de reflexão nesses encontros de adoração e louvor – nem como referenciais, nem como contraponto. Como perdemos artística, intelectual e espiritualmente.

Fui enfarado, no entanto, com um tema: as mensagens subliminares. Sobre elas quero falar e propor algumas perguntas. Se alguém quiser respondê-las, sinta-se à vontade.

Era um domingo. Quatorze horas. Sol escaldante. O templo estava repleto de instrumentistas e vocalistas (para mim ambos são músicos e podem ser muito bons ou muito ruins no que fazem; a disparidade, tanto de técnica quanto de talento, pode desqualificar um ou outro). No que se chamava de púlpito, um toca-discos; ao lado, uma mesa repleta de ‘vinis’ (outro reflexo da minha idade: na época não havia o CD). Lá via-se Rebanhão, Roberto Carlos, Alceu Valença e eles, os Menudos. É interessante notar que não fazia parte dos vinis a serem ‘auditados’ os considerados sacros ou santos da época: Otoniel e Oziel, Matheus Iensen, Curió e Canarinho, entre outros. O que merecia a desconfiança eram os ‘roqueiros cristãos’. Desconfio que pouca coisa mudou.

Começou a reunião, obviamente chamada de ‘culto de louvor’. O responsável explicou as razões de um evento especial como aquele: “tomar cuidado com o que estamos escutando em casa, no carro e/ou no trabalho”. Disse que mensagem subliminar era, naquele contexto, o que se ouvia quando um vinil rodava no sentido anti-horário. Enquanto ele falava, outra pessoa ficava preparando o toca-discos. A plateia, apreensiva, nem piscava tal o apavoramento que a fala inicial causara. Todos queriam saber o que ocorria quando alguém – sem mais nem menos – decidia rodar um disco no sentido contrário.

Muita coisa eu não lembro (a mente é sábia). Não recordo o que dizia o LP do Rebanhão ao contrário, nem faço esforço para tanto. Basta-me lembrar da sempre atual “eu quero voltar ao primeiro amor”. Do Roberto Carlos foi escolhida “a guerra dos meninos” (Hoje eu tive um sonho, foi o mais bonito; que eu sonhei em toda a minha vida...). Do Alceu Valença escolheram “tu vens” (Na bruma leve das paixões que vem de dentro; tu vens chegando pra brincar no meu quintal). Diabolizaram terrivelmente cada uma dessas músicas, além de seus intérpretes e compositores, claro. Já não me vem a mente o conteúdo subliminar.

Para minha tristeza, a música que me fazia ter sucesso entre as gurias foi uma das escolhidas. No recreio, meu jeito de divertir era cantando “não se reprima”, dos Menudos. Pois a mensagem subliminar era “satanás vive”, em vez de “não se reprima”. Meu mundo desabou. O que eu faria para continuar ‘encantando’? Ficava conjeturando sobre o que estaria por trás de uma outra música dos costarriquenhos: “quando o sol nascer será a hora/ triste mais eu tenho que partir..”. Arranjei outra saída. Comecei a canta “wisky a gogo”. Esta não constava do casting das diabólicas. Vai ver a música não louvava o diabo ou, de tão boa, ninguém queria arriscar saber o que estava nas entrelinhas.

Os tempos são outros. Claro que ainda há os caçadores de coisas ruins, mas eles estão mais escassos. Os desenhos animados, até bem pouco tempo, eram o alvo. Ninguém parou de ver desenhos – ainda bem. Então os tais apelaram para a diabolização das logotipias. Lembro de certa vez, quando fiz campanha aberta ao PT. Alguém me disse: “notaste que o “v” da vitória, colocando-s um risco em baixo, torna-se um triângulo e o triângulo tem a ver com a Nova Era?”. Depois foi a vez de algumas marcas: “você sabia que o estilista tal e o marqueteiro fulano fizeram pacto com o capeta?”.

Agora eu decidi caçar os ungidos. Na verdade, tenho coisa mais útil a fazer, não sem antes refletir sobre o que se imagina não ter um discurso de entrelinhas. Pois aí está: em tudo há – aceitemos ou não – um discurso.

Outro dia liguei a TV e um pastor, que jura ser possível semear fogo, estava dublando uma música dita cristã. Não consigo achar digna de meu canto uma canção que faz de Deus um escravo. O cabra cantava “restitui, eu quero de volta o que é meu...”. Que deusinho, não?

Outro programa de TV propagandeou um cantor bela pinta, que chora no palco, toca violão e que, por sorte, faz poucas versões. Ele canta a seguinte música:

Se atentamente ouvir a Deus
E os mandamentos seus
Obedecer
O Senhor meu Deus me exaltará
Sobre todas as nações onde eu passar
Eu não correrei atrás de bênçãos
Sei que elas vão me alcançar
Onde eu colocar a planta dos meus pés
Sei que a sua benção chegará


Notemos a mensagem subliminar. Com um detalhe: não é necessário nem rodar o CD ao contrário. Basta retornar ao trecho acima e ler apenas o que está em itálico. Ou seja, “Se atentamente ouvir a Deus e obedecer / o Senhor meu Deus me exaltará/ Eu não correrei atrás de bênçãos elas vão me alcançar / Onde eu colocar dos meus pés / a benção chegará”.

A música – cantada em momentos de êxtase – parece inofensiva. Mal percebemos a condicional inicial: se. A música começa com o “se”. dito de outra forma, Deus tornou-se aqui um mero recompensador: se fizer isso, ganhará aquilo. Essa é a pior visão divina possível. Deus não é assim. Qualquer música que repasse uma visão dessas está trabalhando contra o Reino. A sorte de pessoas que compõem isso é a acriticidade da grande massa consumidora. É preciso registrar que a música promete outra falácia, que só bênçãos nos chegará. Engraçado que Cristo diz que no mundo teríamos aflições.

Por que não se questionam músicas de auto-ajuda que estão sendo cantadas por aí? Por que não nos engajamos numa campanha com a finalidade de parar de adquirir produtos com esses conteúdos? Por que não mais criticidade – por exemplo, não chamar isso de arte? Que tal ouvirmos mais músicas ‘do mundo’ a essas coisas que andam rodando e dando lucro ($), bênçãos, só para eles?

Quem tem ouvidos (e coragem) que ouça.

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Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

Ouvindo

  • discografia do ótimo John Mayer

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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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  • textos sobre EDUCAÇÃO (livros, revistas, artigos)
  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier