[tipologia cristã] diálogo

Levi Nauter


Um leitor especial andou passando pelo meu blog: Wilson Tonioli. O parceiro tem um interessante blog (www.verticontes.blogspot.com) no qual posta idéia com um bom-humor sem palavras. Foi donde retirei essa “tipologia cristã” - lá com o nome 'Hollywoodianos e afins'. Aproveitei e incluí os comentários do dia, mesmo dessa postagem. Espero não ir para a fogueira nem ser processado pelos fundamentalistas de plantão.


A tipologia é a seguinte:


Crente Walt Disney: sempre tem uma estória pra contar.
Crente Álien: baba quando fala.
Crente Predador: invisível, mas faz um estrago...
Crente Rambo: ninguém agüenta mais suas missões.
Crente Macaulay Culkin: sempre se esquecem dele.
Crente Magaiver: acha solução pra tudo.
Crente Shaekspare: no púlpito é bom em pregar peça.
Crente Richard Gere: faz apelo até às prostitutas.
Crente Johnny Deep: é pirata, mas agrada o público.
Crente Titanic: é profundo, mas ninguém quer embarcar na dele.
Crente Bergman: é “cabeça”, mas nada popular.
Crente Indiana Jones: faz pose de professor certinho, mas adora uma aventura.
Crente Almodóvar: é sempre um problema para os fundamentalistas.
Crente Harry Potter: chegado numa mágica e se sente O escolhido.
Crente homem-aranha: seu maior poder é amarrar os outros.
Crente Sexto Sentido: está morto e não sabe.



Acréscimo a partir dos comentários:

Crente Spilberg: é uma super produção, mas no fundo sabemos que não é lá grande coisa.
Crente M.G.M Studios: é um leão, mas só na tv.
Crente Charlin Chaplin: Faz um grande papel mesmo sem falar nada.

Crente Freddy Krugger: Que te assusta até nos sonhos.
Crente Cinema Brasileiro: Só fala palavrão.
Crente Hitock: Adora fazer Terror e Premonições.


É bem possível ampliarmos essa listagem.
Contribuições são bem-vindas.


[evangelho à força] - levi nauter


Levi Nauter





[evangelho tomado a força] – levi nauter

Encontros fraternos são como sementes. Neles a gente conversa longamente, toma água, chimarrão, café, pastelão, chá, refri, entre outras iguarias. O papo rola solto, despretensioso, desarmado. Ri-se, quase chora-se, conta-se as novidades ou 'velhidades', mas também pode não se falar nada. Um simples abraço fraterno diz tudo. Ocorre que a semente é meio assim: sem grandes pretensões. Porém, de repente, ela cai, brota e pode nascer uma flor ou, no dizer de Gilberto Gil1 (na belíssima Drão), “Morrenasce, trigo, vive morre, pão”.

Aquele bate-papo, aparentemente sem muita importância, vai gerando bifurcações em nosso interior. É como se ele criasse redes internas de assuntos que se checam e coadunam ou se dicotomizam. Foi um pouco do que aconteceu comigo. Obrigado Guto, Camila, Timóteo e Patrícia.


Num certo momento da nossa conversa surgiu um assunto do qual não me orgulho tanto quanto deveria, ou tanto quanto alguns o fazem. Nasci num berço cristão. O detalhe é que nasci num berço fundamentalista, pentecostal. Preferiria ter nascido num berço comum, menos fatalístico, menos repressor, menos desumano. Ter nascido num lar dito cristão, e ainda por cima fundamentalista, não me permitiu ser gente até uma certa data.

Apresentaram-me um Deus carrasco, estraga-prazer. Mostraram-me, na verdade, um escape do inferno. Meu maior desejo era fugir do inferno. Uma vez ouvi uma sermão na qual o preletor dizia “a mim basta ficar em qualquer cantinho, desde que eu esteja no céu”. Um céu assim mais parecerá um inferno.

Desde cedo aprendi o discurso igrejeiro. Ele me aprovava perante a liderança fundamentalista pentecostal. Sabia as palavras de ordem, tanto para cantar quanto para orar no microfone. Sabia quais músicas levavam o povo ao ‘delírio’, ao “céu”. Mas cansei de tudo. Como diria Rita Lee, “me cansei de lero, lero”. Abandonei uma denominação tida como detentora da verdade e do pioneirismo evangélico no Brasil. Fui para uma, digamos, mais light. Ledo engano, havia um legalismo velado, havia a discrepância discurso x prática tanto quanto em outra denominações. Desanimei. Hoje sou um cristão sem igreja. Sou um descongregado. As denominações, na perpetuação da Teologia do Medo, optam por chamar isso de desviado. Não me importo.


Disse isso porque as pessoas que não nasceram num berço fundamentalista não conseguem entender um Deus carrasco, um deus tipo câmera de reality show. Quem não vem desse mundo opressor não compreende a dificuldade que é mudar o conceito de Deus Justiceiro para o Deus Pai. O fundamentalismo conhece o Deus Pau, não o Pai.

Antes de continuar, convido você a ler um trecho da música de Chico Cesar e Vanessa da Mata2, chamada A força que nunca seca:

Já se pode ver ao longe

A senhora com a lata na cabeça

Equilibrando a lata vesga

Mais do que o corpo dita

O que faz o equilíbrio cego

A lata não mostra

O corpo que entorta

Pra lata ficar reta


É exatamente esse o exercício que um ex-fundamentalista faz cotidianamente. A fim de que tudo fique bem se faz uma força para ter esperança. Opta-se por um outro evangelho, um evangelho mais humano (não humanista como alguns gostam de taxar), de mais tete-a-tete com as pessoas. Um evangelho sem dados estatísticos, sem pirotecnias, sem julgamentos (embora com opinião). A lata reta significa estar vivendo (no gerúndio mesmo), lutando contra um evangelho midiático. A lata reta é a capacidade de servir a Cristo, mas em off, sem ninguém ver – a não ser Deus. A lata reta é ser sal e luz fora das quatro paredes igrejeiras; afinal, é fora que interessa.

Mas há algo que a lata não mostra. O corpo se entortando para equilibrá-la. É o evangelho velho querendo tomar o lugar do outro evangelho. O evangelho que se fixa num templo contradizendo o evangelho de Jesus que saía a visitar o submundo. O corpo se entorta para que o evangelho fique mais reto, mais digno, mais abundante. O corpo se entorta porque não há receitas; para viver aventuras com Deus não há script.

A poesia inicia com “se pode ver ao longe” porque esse evangelho não é popular, nem populesco apelativo de multidões. É um evangelho para poucos, para os que não precisam de alguém que os guie como se fossem cegos: vai pra cá, vai pra lá. É para poucos porque não possui ‘sete passos para...’. Não é popular porque Deus brinca de esconde-esconde: está na tempestade, na brisa suave, no ônibus, no trem, no frio aqui do Sul do Brasil. Ele também está na arte escrita, esconde-se por trás das palavras; na poesia de um Neruda; está no reflexo de um Picasso e todo-poderoso numa Tarsila do Amaral. Está na textura de um quadro. Está na sonoridade dos instrumentos musicais.

Se pode ver ao longe porque não tem redes de mídia. Se faz no atelier, na biblioteca, na mente do compositor, do poeta. Sobretudo, está naqueles a quem criou, com tanto afinco, à sua imagem e semelhança. Por isso um bate-papo é semente.

O Deus que eu sirvo é um Deus que se contextualiza e, por isso, agora, é pós-moderno. Por isso não quer guerra; respeita as diferenças e exige isso de mim. O Deus que eu sirvo alivia o fardo e torna o jugo suave. Um evangelho que não faz isso não me interessa. O evangelho que mostra mais o inferno que o céu é um evangelho desgraçado, nele não há Graça.

O Deus que eu sirvo me dá vida em abundância. Não quer que eu tenha medo do amanhã; não quer que eu me sinta acuado pelos medalhões de um evangelho torno, vesgo. Deu-me a oportunidade de conversar com muita gente e reter delas o que é bom.

Só esse evangelho me permite viver em novidade de vida. Dependo completamente de Deus. Ele é a minha força. O resto é o resto.



ILUSTRAÇÃO
Retrato de Pagu, por Di Cavalcanti.In ZATZ, Lia. Pagu. São Paulo Instituto Callis, 2005. Projeto gráfico de Camila Mesquita. Coleção ?A luta de cada um?. P.33.




1Caetano Veloso, no DVD Prenda Minha, interpreta de modo maravilhoso essa música.

2 A Vanessa pôs essa canção no seu primeiro CD. Com Chico Cesar é possível encontrar na coletânea Novo Millenium. As duas interpretações são ótimas, cada um com seu estilo pessoal, o que enriquece a arte.










frases que ouço porque saí da Igreja 7 - levi nauter

Levi Nauter


Cheguei para trabalhar na escola e econtrei o bilhete acima Qual será a intenção da pessoa que o deixou aqui? Correção gramatical? Converter-me? Prefiro achar foi uma brincadeira.

Acho um mau gosto estético o que, de antemão, reflete possivelmente aquilo que se ouve no templo.




Caetano e Cristo - por Mark Carpenter, Ultimato-

Quem pensa que sabe como são os africanos nunca imaginaria que Mia Couto fosse natural do continente negro. O romancista mais celebrado de Moçambique é branco, enche seus livros do realismo mágico da tradição latino-americana e tem um estilo que lembra Guimarães Rosa. Foi contado entre os melhores escritores africanos do século 20.

Em entrevista recente ao Estadão, perguntaram-lhe se há influência brasileira em sua literatura. Respondeu: “Sim. Ela veio justamente da música de Chico, de Caetano. Muitos músicos moçambicanos tinham tentado cantar em português, mas o português duro, rápido, de Portugal, não tinha musicalidade. Aí ouvimos Chico, Caetano, Gil e descobrimos que o português poderia ser outra coisa. Foi uma descoberta.”

Talvez tenha sido crítico demais ao português dos fadistas e trovadores, mas a descoberta de que a língua da mera comunicação corriqueira poderia ser também a língua da poesia e dos sonhos abriu-lhe um novo mundo. Muitos anos mais tarde, o comitê Nobel também reconheceu que a língua portuguesa possui a maleabilidade necessária para ser talhada por alguém com o talento de José Saramago. Aqueles que se importam com os idiomas enxergam na nossa gramática, nos nossos vocábulos e na nossa sintaxe as ferramentas para criar e perpetuar aquilo que só existe na língua. O português pode ser usado para emocionar, agregar e inspirar.

Como cristãos, temos o privilégio de servir e adorar a um Deus literário. A linguagem da Bíblia evidencia sua preocupação com a arte de expressar-se. Há nela não apenas a Verdade Revelada, mas as múltiplas verdades reveladas por meio de uma riqueza estonteante de poemas, acrósticos, canções, parábolas, paralelismos, hipérboles, metáforas, figuras de linguagem e artifícios da retórica. Não resta a menor dúvida de que Deus — o Verbo — se relaciona conosco através da Palavra, e que esta palavra tem forma intencional, bela e artística. Leland Ryken afirma que “os escritores da Bíblia e o próprio Jesus Cristo perceberam que é impossível comunicar a verdade de Deus sem usar os recursos da imaginação. A Bíblia faz muito mais que apenas sancionar o uso da arte. Ela demonstra que a arte é indispensável (“The Imagination as a Means of Grace”, Communiqué, 2003).

Penso, às vezes, que a linguagem usada em muitas igrejas é como o português “duro e rápido” que Mia Couto ouvia quando criança. É utilitária, descritiva e funcional, mas carece do tipo de imagística e musicalidade que despertam a alma. Como pastores e líderes, concentramo-nos no conteúdo de nossas doutrinas em detrimento de sua forma. Esquecemos que a Bíblia não divide a arte em sacra e secular. Nela, a arte possui valor igual tanto em ambientes de louvor quanto do cotidiano (Nm 21.16-18; Is 16.10; 52.8-9).

Como seria se nossos pastores se importassem tanto com a linguagem quanto se importam Chico, Caetano e Gil, assim também como Davi, Salomão e Jesus? Tenho a impressão que, se a poesia de nossas teologias saturasse as nossas palavras, os muitos Mias Coutos das nossas congregações de repente ouviriam algo diferente, algo novo, capaz de agarrar suas imaginações, inspirar-lhes e enviar-lhes correndo de volta à Palavra, fonte de nossa inspiração.


Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.


Fonte: Revista Ultimato [http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2102&secMestre=2154&sec=2177&num_edicao=312]




frases que ouço porque saí da Igreja 6 - levi nauter

Levi Nauter



Um pastor dessas modernas megaigrejas neopentecostais, que comecei chamar de "créupentecostais", em programa de rádio, tentando captar a atenção dos ouvintes para uma de suas reuniões 'de vitória'.

- Deus tem uma bênção que vai mudar sua vida. Dues quer que sejamos abençoados, muito abençoados. Ele tem a cura para você. Afinal:
- você já ouviu falar de algum paralítico no céu?
- você já ouviu dizer que um anjo estava com dor de cabeça?


PS: Essa, nem com Xico Xavier dá pra agüentar.

frases que ouço porque saí da Igreja 5 - levi nauter

Levi Nauter


Um homem a quem respeito e de quem muito discordo.

- Olá, senhor! Você não acha a igreja inútil? Afinal, por que ela não está nem aí para as crises nos relacionamentos - pai contra filho, filho contra pai, irmão contra irmão?
- Olha, disse-me o "obreiro", as pessoas só vão à igreja porque têm uma eternidade a enfrentar!

Fiquei pensando que, se assim for, mais inútil ainda ela é. Onde já se viu ser cristão por medo do inferno?

Espero que mais igrejas fechem as portas.

frases que ouço porque saí da Igreja 4 - levi nauter

Levi Nauter


Encontro um rapaz no caminho que me pára e logo diz:
- Muito fui abençoado quando tu cantavas na igreja...
- Ah é? Que bom, fico feliz!
- Onde estás congregando?
- Não estou. Acho que a igreja não me encanta mais.

- Vou orar para Deus te restituir!

Esse é o discurso igrejeiro: quem está fora não presta. Na concepção da Teologia do Medo, o forasteiro está perdendo. Restituir o quê?


[fui ao culto] - levi nauter


Levi Nauter




"Basta que a poesia seja ouvida para que a morte se ponha a correr." Rubem Alves





Há muito não participava de uma 'concentração' iniciando às 18h. Era domingo, o dia estivera maravilhoso e o início da semana deveria ser bem marcado. A casa estava lotada, umas setecentas pessoas alvoroçadas. Havia adoradores e quem ministrava era uma bela mulher, com rara afinação e timbre vocais.

A mensagem era maravilhosa. Um leque de temas incríveis. Bem escrito, fugia do senso comum, daqueles apelos fatalisticos tão comuns no meio atual.

Todas as pessoas ganhavam, na entrada, um esboço com toda a programação. Nele, foto da ministra de louvor e o tema das mensagens. Esqueci de dizer: eram várias mensagens. Incrivelmente, ninguém possuía ar de cansado, de quem quisesse ir embora. Acho que o culto poderia durar mais umas duas horas e ninguém sairia, o que não é tão normal assim.

Todos os fiéis cantavam os louvores euforicamente. Havia choro, muitas palmas, bastante risada, um bom número de silêncio e muito, muito êxtase. Teve até profecia, com nome e tudo. "Você, você", uma rara mescla de simplicidade e profundidade. Foi bênção pura!!!

Essa é a sensação que tenho depois de deixar o belo Theatro São Pedro, onde assisti - com minha amada Lu - a um espetáculo indizível da sempre maravilhosa Mônica Salmaso. Pois, ela estava lançando o CD "Noites de gala, samba na rua", com participação do não menos excelente quinteto Pau Brasil. Um show desses vale cada centavo que se paga.

leia um bom conselho - levi nauter

Levi Nauter
Retomei as sempre ótimas leituras de Gondim. Pois ele está escrevendo uma série de textos intitulados "Mentoria". O último texto vem a calhar exatamente com o que penso sobre a intelectualidade e, por isso, resolvi postá-lo. Os outros podem ser lidos no seu site: www.ricardogondim.com.br.
Falemos de literatura, uma área em que sou leigo, mas um apaixonado. Naquela conversa, eu já havia dito que adoro livros (aliás, muito obrigado pelos antigões que você me deu de presente). Portanto, meu primeiro conselho é simples: leia. Faça da leitura primeiramente uma disciplina; só depois de um tempo de trabalho árduo, você vai gostar e desfrutar de um bom livro.
A mesma regra que aplico na música, uso na literatura. Para mim não existem livros cristãos e livros seculares, apenas livros bons e ruins. Um Dostoievski é bem mais espiritual e teológico do que muitos manuais pragmáticos que os crentes americanos empurram aqui como literatura cristã.

Leia diversificadamente. Biografias, hagiografias, romances, poemas, novelas, contos, tratados filosóficos, teológicos, sociológicos, história universal, história da arte, história das religiões, história da Reforma, história dos jesuítas, tudo me fascina e de tudo tenho sede de saber um pouco mais. Às vezes vou a uma livraria e tenho vontade de sentar-me numa daquelas poltronas e nunca mais sair até que consiga comer cada palavra escondida nos tomos – as paredes do céu estarão recobertas de estantes entupidas de livros.

Leia sempre com uma caneta ou um marcador na mão. Eu posto no meu site frases parágrafos e pequenos textos que me chamaram a atenção. Vou revelar um segredo. Decidi que não postaria no site nada que copiasse da internet ou de livros de citações. Meus livros são rabiscados e sublinhados para que eu me lembre mais tarde do que me chamou a atenção. É verdade, a leitura fica demorada, mas é muito mais produtiva.

O mundo evangélico tem se mostrado bem superficial. Sabe a sensação que tenho quando escuto um pregador americano? "Quem ouviu um, ouviu todos”. A perda dos conteúdos, o empobrecimento da linguagem, a repetição enfadonha dos mesmos argumentos, vem da falta de leitura. A maioria deles lê apenas os seus pares; muitos morrem de medo de se exporem aos questionamentos de “ateus”; quase todos se contentam em “solidificar” o que já sabem. Resultado: o mundo gospel se restringe ao que os gerentes de marketing das editoras decidem como material “bom”. Pergunto a mim mesmo, muitas vezes: “Qual será o futuro de uma geração que forja sua esperança nos livros do Tim LaHaye?”.

Richard Dawkins causou grande alvoroço com um livro que pretendia combater a religião. Acredito que motivado pelo 11 de setembro Dawkins acusa a religião de fomentar intolerância. Porém, quando trata do cristianismo, ele sequer considera os teólogos de peso acadêmico, como Paul Tillich ou Dietrich Bonhoeffer. Dawkins se contenta em bater nas teologias ralas, comercialmente adaptadas, que a mídia popularizou nos Estados Unidos e que nós consumimos acriticamente no Terceiro Mundo. Cheguei a concordar com Dawkins em muitos pontos do seu livro, mesmo divergindo radicalmente de seu ateísmo militante.

Considero que as elaborações teológicas dos evangélicos se descolaram da realidade por falta de leitura. Quando ouço um desses apóstolos alardear que sua oração é “poderosa”, sei que ele é uma alienado. Tenho vontade de convidar essa gente a dar plantão na clínica de reabilitação e fisioterapia que ladeia o meu mestrado. Vejo as ambulâncias trazendo crianças deficientes, muitas carregadas nos braços das mães devido aos espasmos involuntários causados pelas síndromes e nessas horas questiono: “se eles têm tanto poder e são tão santos, não deveriam exercitar a fé deles (a cacofonia é proposital) aqui?”.

Portanto, leia, leia, leia. Permita-me sugerir. Nos romances, devore: tudo de Dostoievski e Tolstoi; “O Conde de Monte Cristo" de Alexandre Dumas; “Os Miseráveis” de Victor Hugo; “O Vermelho e o Negro” de Stendhal; “A Relíquia” de Eça de Queiroz; “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis; “O Quinze” de Rachel de Queiroz; “Vidas Secas” de Graciliano Ramos; “O Eleito” de Thomas Mann; “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago; “Paula” de Isabel Allende.

Não esqueça da poesia. Fernando Pessoa, com todos os seus heteronômios; Pablo Neruda; Jorge Luis Borges; Vinicius de Moraes (sou apaixonado por sua prosa poética); Carlos Drummond; Clarice Lispector; Mario Quintana. Familiarize-se com o Rubem Alves em suas duas fases. Ele é ao mesmo tempo um teólogo brilhante e um poeta brincalhão; bata os dois no liquidificador e depois beba o sumo de sua teopoética, tão magistral.

Aprenda a apreciar música com letras ricas em nuances de aliteração, rimas e metáforas - Chico Buarque, Djavan e Caetano Veloso são craques.
Com esse fundamento literário, faça a sua teologia, construa a sua percepção. Leia a Bíblia com os olhos de um cidadão do mundo que percebe as angústias, paradoxos e desesperos da humanidade. Quando estudar os clássicos da teologia, sinta-se com liberdade de questionar os seus pressupostos. Para não enrijecer dentro de uma dogmática intolerante, coloque a vida, a riqueza da arte e beleza da criatividade no seu estudo. Não permita que a sua teologia fique presa na torre de marfim dos sectários.

Espero estar ajudando.

Soli Deo Gloria.
Esse conselho serve a cada um de nós. Leiamos!

[descongregado] – levi nauter

Levi nauter
Num dia desses, enquanto curtia meus últimos dias de descanso, num bonito centro de compras encontrei algumas queridas pessoas que não via fazia pelo menos uns quatro anos. Cumprimentamo-nos, alegres, houve uma fraternidade que não se encontra com qualquer pessoa. De repente, uma pergunta desconcertante:
“- Vocês estão congregando aonde?”. “Em lugar nenhum”, respondi, “consideramos que, devido a algumas circunstâncias, o melhor seria ficar de fora, por enquanto”.
Já em casa, comecei a refletir tanto na pergunta quanto na minha resposta. Devo repetir para ratificar que a cena foi-me desconcertante. Sempre que falo com algum cristão-evangélico simpatizante do pentecostalismo ou pertencente a essas ‘igrejolas’ advindas de movimentos pentecostais (pessoas que se rebelaram, saíram de uma denominação e criaram outra nos mesmos moldes) fico esperando alguma pergunta que vá pelo caminho já descrito. Infelizmente, ainda parece ser importante estar ligado a alguma denominação – de preferência uma dessas famosas, com programa em uma rádio AM ou FM ou, melhor será, na TV.
Sinto muito, não atendo a essas exigências. E se depender de mim tão cedo isso não acontecerá. Por isso resolvi escrever sobre minha descongregação.

A minha saída da Assembléia de Deus e da Igreja Batista (CBN) não está atrelada a uma decepção pessoal com alguém; tampouco tem a ver com alguma decepção com Deus. Minha relação com as pessoas sempre foi calcada na racionalidade, no bom senso, no respeito, na responsabilidade, na autonomia alheia e no direito às diferenças. Dos seres humanos nunca esperei mais do que respeito. Quero ser respeitado e ponto, porque é isso que faço. Nisso não há negociação. As pessoas, portanto, sempre me respeitaram; as que agiram diferentes, simplesmente foram ignoradas. Parece-me o único jeito de se viver mais tranquilamente num mundo conturbado. Tenho uma relação respeitosa com todas as pessoas das denominações pelas quais passei. Porque fui músico durante anos, conheço e tenho contato com muitas pessoas, algumas das quais até merecem o título de irmão e irmã.
Minha relação com Deus, então, tem sido cada vez melhor. Ele sempre respeita a decisão de seus filhos, decisão que sempre vem acompanhada das conseqüências – como qualquer outra relação. Talvez o grande diferencial seja a graça divina, incomparável em termos humanos.
Saí da igreja porque ela, nos moldes atuais, não me apetece, não me atrai, não alivia meus fardos nem torna suave meu jugo. Indo a um templo é mais fácil emburrecer. Lá, subestimam minha capacidade de inteligência. Os discursos são sempre os mesmos, os textos bíblicos idem. Esqueceram os evangelhos, se agarram assustadoramente ao que lhes interessa no Antigo e no Novo Testamento. Pedido de dinheiro e falação sobre pecado, pecado e pecado é o que pensam saber. E o pecador e o ‘mão-fechada’ são sempre os fiéis; nunca ouvi um sermão no qual o líder admita que erre, que é pecador. Parecem estar num determinado patamar acima dos fiéis.
A música é pobre, os ministros só sabem imitar. Se há alguma riqueza, ela vem do exterior (em língua inglesa, de preferência) e é empobrecida por pseudotraduções. O sermão é uma tristeza, a oração é ensaiada e os milagres uma aberração. Concordo com o pastor Gondim: “Eles dão a entender que Deus se especializou em curar caroço, dor no braço, mal estar em velhinhas, mas se esqueceu das síndromes de Down, das paralisias cerebrais e das quadriplegias. Sou mortal, finito e bastante pecador, mas posso afirmar que se fosse Deus, com disposição para operar maravilhas, eu escolheria os mais carentes, os mais desamparados, os mais doloridos.”
Nenhuma programação evangélica (pelo menos no Rio Grande do Sul) trabalha com a inteligência. Chacrinha parece até profeta, nada mais se cria, tudo se copia. E a cópia que vale é aquela que, no original, foi escrita em inglês. Inclusive aqueles que protestam. Afinal, quanto artigos já foram escritos que dizem o que Brian McLaren vem dizendo? Ocorre que um vem do norte e os outros são santos de casa. Brian é uma espécie de respaldo para o brasileiro dizer coisas parecidas sem ser rechaçado.
Para se viver bem é melhor desligar-se da igreja. O melhor é ouvir muita música brasileira para buscar a beleza da poesia (claro que isso não está em tudo). Visitar museus, galerias de arte, ir ao teatro, ao cinema. Fazer um almoço, um café ou uma janta com alguns amigos. Namorar bastante, ler muuuuuuiiiiiittto. Curtir a natureza, conversar com o máximo de pessoas possíveis, não se envolver com a política-partidária (embora dela saber o máximo). Orar, cantarolar. Ser honesto, ter vergonha na cara, honrar os compromissos, trabalhar, estudar, meditar, dormir. Não dicotomizar céu e terra, mundo e mundo.
Tento esquecer a igreja, por ora. Há mais o que se fazer de bom. Deus não me ama porque vou à igreja toda semana, todo mês, todo ano. Ele me ama porque assim Lhe aprouve. E como é bom saber-me amado por Ele!!! Nada mais importa.
É fora da igreja que a liberdade existe. É fora dela que a gente vive sob os domínios do Espírito. Não fica aquele líder enchendo: “faça isso, não faça aquilo”. É fora que podemos viver sem receitas. Também é lá que somos confrontados no cotidiano. Num templo, em geral, só há concordâncias; as divergências ficam escondidas, sob panos quentes, disfarçadas de submissão ou cobertura espirituais. Que balela!
A instituição igreja deveria morrer. Enquanto ela existir precisará ser sustentada e nós seremos cerceados e intimidados a sustentar um sistema que move cifras milionárias. O pior vermos ‘profetas’ sem nenhuma timidez pedindo dinheiro (ajuda) ao mesmo tempo em que oferecem seus produtinhos – fruto exatamente do dinheiro alheio. Ou será que toda essa gente já nasceu nadando em dinheiro?
Prefiro o evangelho de Cristo mais interessado no tete-a-tete do que em grandes concentrações de fé (ou feses?).
Cansei de igreja, não de Deus. Este é a razão de eu estar vivo.
Glórias a Deus!

[pais e filhos] - texto 16 - levi nauter


Levi Nauter





...os filhos são herança do Senhor ( Salmos 127.3)





Antes de tudo, fica a minha homenagem à maravilhosa banda de rock Legião Urbana. Hoje, aos trinta e três anos, consigo entender (apesar de discordar) por que a igreja que eu freqüentava odiava o Renato Russo, em minha opinião a cabeça pensante do grupo. Os profetas
[1] são odiados.

Com exceção da frente, onde há mato, nossa casa provisória é cercada por outras casas. Casualmente, ou não, em todas essas residências há crianças. Uma com aproximadamente seis meses, outra com uns dois anos e ainda outra com talvez cinco ou seis anos de idade. Há algum tempo venho observando-as. Tem sido uma experiência rica.
Outro dia notei que uma delas, um guri, brinca sozinha na maior parte do tempo. Os pais trabalham e a avó dá uma "reparada". Incomodou-me
[2] o fato dele só jogar bola. O dia inteiro. O legal é que ele usa da criatividade; afinal, narra, é o próprio jogador narrado e ainda faz os ruídos de uma torcida imaginária. Em muitos momentos chega a ser cômico assistí-lo xingando a si próprio: - Na traaaveeeee!!!!!!! (vê-se ele fazendo um sinal da cruz e retomando uma jogada).
A outra criança, uma menina. Ela é linda. Eu e a Lu não cansamos de olhá-la e de dizer, embasbacados: - oi!?. Ela nada responde, simplesmente se esconde e de seu esconderijo ouvimos apenas umas acanhadas risadas. O que mais nos impressiona (e positivamente) é o quanto os pais conversam com ela, beijam-na. Não ouço, mas tenho certeza, pelas ações, que essa menina é extremamente amada pelos pais. Em três meses que lá moramos, nunca ouvi uma palavra de desdém, de pouco-caso, dirigida à filha. Só ouvimos palavras de carinho, de ensino, de amor recheadas de afeto. A criança está numa fase em que busca mexer em tudo, quer pegar tudo. Admira-nos a calma, a paciência e a persistência com as quais os pais lidam diariamente com a filhota. Nitidamente nota-se a menina imitando os pais. Assim, é extremamente curioso notá-la cuidando das bonecas e dos filhotes de uma cachorra.


Choro e mais choro é o que ouvimos da terceira criança. É uma raridade escutar aqueles gritinhos típicos de quem está descobrindo a voz, o volume do som, os barulhos dos lábios, da língua, dos dedos na boca etc. O comum é o choro. Parece haver uma única razão para não chorar: ser embalado[3]. Dessa forma, a mãe, e algumas (poucas) vezes o pai, vive para embalar a criança. Não é raro ver-se a criança no colo da mãe - que dá meio passo para frente, meio para trás; ou sentada, mas, empurrando o carrinho de bebê pra frente e pra trás - ad infinitum. A cena cômica fica por conta do pai que, desajeitado, além de imitar a mãe acrescenta um "táa, táa, táa", como se dissesse "calma, filho, calma!".


As três situações põem-me a pensar. E lembram-me de uma outra cena familiar. Uma criança cujos pais conversavam com ela; ainda aconselhavam outros pais a seguirem o seu modelo de criar os filhos. Talvez uma infelicidade: criticavam quem criasse os filhos de outra forma. A criança pequena, que ouvia os pais, cresceu, passou pela adolescência, chegou na fase dos namoros, começou a desafiar os pais - ainda que discretamente. De repente, os conflitos aumentaram e, por fim, o discurso dos pais foi por água abaixo. Então tudo aquilo que seus pais 'pregavam' como sendo modelo foi-se; todo o discurso paterno e materno tornou-se raquítico. Logo, aquele que fora criança será pai/mãe. Logo, o que era pai/mãe deverá refazer o discurso. Todas as teses sobre criação de filhos terão de ser reconstruídas, revistas. Será necessário olhar de um outro ângulo.

Neste 2008, se tudo andar como pretendemos, eu e a Lu seremos pai/mãe. Realizaremos nossa maior obra, teremos uma herança do Senhor. Ela, a criança, será muito, mas muito, benvinda. Na verdade ela já existe em nosso pensamento, muito do que fazemos é imaginado como se tivéssemos um filho ou uma filha. E o que isso tem a ver com as cenas apontadas acima? Aprendizagens.


Como disse, as três situações põem-me a pensar. De um lado parece estar claro que não existem receitas na criação de filhos e filhas. Por outro, contudo, a situação concreta que nos circunda está embebida de exemplos tanto bons quanto ruins.


Enquanto discorro sobre filhos e filhas, a primeira cena parece me previnir que caberá a mim mostrar 'mais' do mundo para meu filho(a). Não me parece uma boa idéia deixá-lo obcecado por futebol sem dizer que há outros esportes. Meu diálogo deverá mostrar o leque de opções esportivas (vôlei, basquete, tênis, padle, botão, futsal, futvôlei, carta, xadrez, dama, turfe, surfe, fórmula 1, entre tantos e tantos outros.) e deixá-lo escolher. Dizer dos benefícios e dos perigos possíveis também parece ser adequado. E, depois disso, se a escolha continuar sendo o futebol terei de respeitar.


A segunda cena mostra-me que a afetividade, o amor, o diálogo, a compreensão, são elementos importantes, lições nunca mais esquecidas pelos pequenos. Continua extremamente vivo em mim os momentos nos quais minha mãe cantava "dorme neném que a cuca vai pegar" ou falava-me, num tom inconfundível: "óh, o mamá, filhinho da mamãe". Também lembro dos poucos momentos em que passeei com meu pai. Quero dizer que, apesar da correria pela sobrevivência, deveríamos prestar mais atenção ao desenvolvimento afetivo-cognitivo dos pimpolhos. Eles serão nosso reflexo (mudarão com o passar dos anos, é verdade, mas poderão sofrer ao longo desse processo). Quando um casal lida de maneira equilibrada (sem estardalhaços, sem gritaria) com os filhos(as), estes fazem o mesmo enquanto brincam. Além de conhecer amigos que assim agem, trabalho numa escola e observo - na prática - o que estou afirmando.


Encontro um dilema, porém, na terceira cena. Sempre que estou em casa, angustio-me com a mãe e com o pai, que simplesmente não vivem. Aí está o problema: os pais não vivem. Quem vive é a criança. Ela chora, esperneia, ri; se esbalda com a ingenuidade dos pais. No lugar deles, faria uma checagem médica para me certificar de que o filho(a) está bem, em seguida, o(a) deixaria chorando por um bocado de tempo - até ela começar a construir (conforme Piaget) a ideia de que a'balda' para nada serve. Ou seja, os pais precisam viver. Criar o filho com todo o amor e carinho, sem dúvida; mas sem escravismo. Porque do contrário ter filhos(as) passa a ser um sacrilégio, um tédio, uma chatice, uma punição divina, um carma. É preciso muita reflexão e diálogo entre os cônjuges até chegar-se ao mínimo de equilíbrio entre as três cenas.


Mas ainda temos uma quarta cena aludida no sexto parágrafo. Trata-se daquele que um dia foi criança e que, portanto, tem construído um discurso, possui uma ideologia da vida. Embora saibamos que muito será agregado a sua experiência, também sabemos que já há uma cosmovisão. Ele ou ela já têm condições de dizer sim ou não para muitas inquirições cotidianas.


Adentramos, agora, no que parece ser o foco divino. A meu ver, dentre outras interpretações possíveis, a "herança do Senhor" pode ser as contradições - conscientes ou inconscientes - que a criação dos filhos(as) trará. E mais, ela será sempre, digamos, explosiva, espantosa. O relato de uma mãe - ao dar à luz um filho - é sempre imaginando um cenário explosivo, espantoso. E feliz, claro! Quando um pai conta que seu filho ou sua filha disse "táta" (e ele entendeu como sendo pai ou papai) esse relato vem fortemente marcado pela emoção. E essa sentimentalidade (lembrando Eça de Queiróz) se estende para o resto dos dias paternos e maternos. Não é à toa que um sujeito com trinta anos nas costas é chamado carinhosamente de "minha criança", "meu neném". É a "herança do Senhor". Mas nem tudo é festa.


Essa mesma herança que retratei positivamente, às vezes torna-se uma explosão e um espanto nem tão positivos assim. Isso porque a maravilhosa herança do Senhor não se coaduna exatamente com aquilo que queremos ou esperamos. Assim, queremos um filho artista (plástico, músico, fotógrafo, ator etc); ele opta por ser professor. Esperamos que a filha case virgem; ela engravida antes. Queremos que o filho ou a filha respeite todas as regras combinadas; ele ou ela resolve fazer exatamente o contrário. Há outros tantos exemplos que por ora não me ocorrem. O certo é que o dantes positivo passa a ser visto como negativo, pelo menos até que mudemos nossos parâmetros avaliativos.


Tenho a impressão, pelo dito até aqui, que o desejo divino é que vivamos em novidade de vida. Que aproveitemos cada momento por Ele dado para experimentar a vida na sua profundidade, na sua beleza e feiura, nas contradições, nas alegrias e tristezas. Tendo a consciência de que "os filhos são heranças do Senhor" parece ser menos difícil rever nossos conceitos, e pré-conceitos.
Exercendo a maternidade e a paternidade (porque tanto o homem quanto a mulher, no meu entender, exercem exatamente as duas funções - guardadas as devidas proporções) temos a oportunidade, dada por Deus, de entender o Divino um pouco mais. Com uma criança por perto torna-se mais fácil entender o que Cristo quis dizer quando nos sugeriu sermos como uma criança. A maneira como reagimos diante dos erros dos filhos pode ser um reflexo de como Deus agiria conosco e também de como Ele não agiria.


Será que Deus possui um livro de receitas sobre a criação de filhos? Será que Deus não compreende o ser humano? Por que Deus criou um mundo e nós o 'enfeiamos' nos sentindo melhores que Ele? Por que doía tanto quando apanhávamos e agora parece que gostamos de bater? E por que bater é mais fácil que conversar? E Deus não diz nada, por quê? Ou Ele diz e não estamos sabendo ouvir? O que a criação divina diz sobre criar/educar filhos? O que dizem os "Tiba's" da vida? O que diz a Bíblia? O que diz a prática? E os que dizem, como criam os próprios filhos? Como um pai ou uma mãe diz que cria seu(s) filho(s)? E como um filho se vê sendo criado? Que tal se perguntássemos como um filho agiria em determinadas situações de sua criação?

Deus é tão maravilhoso que nos dá uma herança para que tenhamos uma pitada de idéia sobre o trabalho que lhe damos. Seu jeito de lidar conosco é multiforme, não há receitas. Sobretudo, a maior maravilha é sabermo-nos amados por Ele. Eu sou feliz com essa real boa-nova. Espero um dia refletir Deus para meu filho ou minha filha.


Enquanto isso, permitam-me encerrar esse texto com um trecho da clássica música Pais e Filhos do "profeta Renato Russo": ...é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque, se você parar pra pensar, na verdade não há...



Ora vem, meu filho ou minha filha!!!









[1]Antes que os exegetas e teólogos de plantão queiram meu corpo queimado, explico que o termo profeta deve ser entendido no sentido conotativo, ou seja, aquele que anuncia/denuncia nossas mazelas. Sugiro a esses plantonistas que comecem a ouvir a obra da Legião, bem como o trabalho solo do Renato. A música Pais e Filhos tem muito para refletirmos.
[2]Força de expressão, claro, uma criança tem mais é que brincar mesmo. E muito! Aristóteles já dizia: "brinque que possas ser sério".
[3]Balançar (a criança) para acalmá-la ou fazê-la dormir. 'Minidicionário Gama Kury da Língua Portuguesa', São Paulo, FTD, 2001.



ILUSTRAÇÃO


Ilustração de Eva Furnari para o seu livro ADVINHE SE PUDER, 2.ed. Ed. Moderna, 2002.

resenha 08-1 - LOUVOR QUE LIBERTA


Levi Nauter




Acabo de ler um livro (esse não merece ser chamado de obra) que há muito buscava. Uma publicação antiga, de 1976, que meus amigos não possuíam para me emprestar. Trata-se de Louvor que liberta, do Capelão Merlin R. Carothers, publicado pela Edições Loyola. Tê-lo nas mãos foi uma bela surpresa. Principalmente pela forma como ele me chegou. Estava numa biblioteca pública onde sou sócio e, de repente, fui dar uma espiada numa espécie de balaio de obras, por assim dizermos, descartadas pela bibliotecária – ou por quem seleciona o acervo.
Terminada a leitura, se pudesse, parabenizaria quem fez isso.
O título do livro sempre chamou minha atenção. Libertação é um tema que faz parte de minhas leituras, essencialmente ligadas à educação, área em que atuo profissionalmente. Considero que ao mesmo tempo em que libertamos o outro vamo-nos (re)libertando de outras prisões – algumas conscientes, outras nem tanto. Continuo considerando que o louvor liberta, sim. Ele é uma poderosa arma contra a opressão diabólica, mas também contra a opressão religiosa. Penso que o louvor liberta justamente por nos pôr em contato direto com Deus, sobretudo, um contato na forma primária da criação: fomos feitos para o Seu louvor. Mas há um hiato considerável entre o que penso sobre louvor e o que o autor da obra em questão acha. Para mim, louvor sempre extrapola a música e o agradecimento, sempre transcende convenções humanas.
Para Carothers, louvor está muito mais para confiar passiva e acriticamente em Deus, ou seja, prega-se – nas entrelinhas – o fatalismo. Essa é a razão da minha aversão ao livro. Mas tem mais.
Tal como muitos outros livros, esse não tem nenhuma relevância ao cristianismo. Os oito capítulos simplesmente relatam as peripécias do autor antes e depois de sua conversão. Pior que isso, as aventuras de Merlin como não-cristão são mais interessantes do que os auto-elogios discorridos ao longo de aproximadamente oitenta e nove páginas. Talvez ainda mais massante seja uma nem tão velada pretensão de conversar téte-a-téte com o Todo-Poderoso. Este, pois, é quem vai dando as ordens ao capelão supercrente. Entre elas o ‘louvor passivista’ (não confunda com pacifista). A partir daí é que vamos lendo uma série de coisas como [segundo o autor, o próprio Deus falou enquanto seu automóvel apresentava problemas]: “Filho, eu queria que você soubesse que nunca deve temer que alguém possa se aproveitar de você. (...) eu resolvo todos os pequenos problemas da vida.” (p. 68)
Na página seguinte, mais uma: [Deus, segundo o autor] “Por que não experimenta louvar-me pela dor de cabeça? (...) Comecei a elevar meus pensamentos a Deus em ação de graças porque Deus estava me dando aquela dor de cabeça...”. na página 71 o autor titubeia sobre a cura para uma senhora e logo tenta se recuperar. Acompanhemos:
“Mas Deus me curou, insisti.
“Então, por que está fungando?
“Não sei, mas Deus sabe, e eu o louvo por isso”. (p. 71)
As citações até aqui são do sétimo capítulo no qual ele diz que Deus falava diretamente com seu espírito. O oitavo capítulo é uma continuação dessas conversas com Deus – só que agora para com outras pessoas. Então o encontramos dando conselhos para a mulher de um soldado que iria para a Guerra: “- agradeça a Deus!” (pp. 72-76), entre outros exemplos que mais parecem para aparecer do que compartilhar sobre louvor.

Há outras inconveniências no livro. Ele me pareceu mal traduzido, como é antigo talvez valha um perdão. Porém, ideologicamente é triste. No quarto capítulo o autor demonstra preconceito com as mulheres ao desconfiar que Deus possa usá-las (p. 35). No final do capítulo (p. 38) faz algo pior (muito comum em alguns animadores de circo travestidos de ‘ministros de louvor’): “olhei para a querida irmã com quem momentos antes tinha antipatizado e compreendi que a amava.” Bela falácia. Há preconceito étnico, quando o autor diz, sem rodeios: “perto do oficial estava um sargento de cor” (p. 53). Não é possível não falar de uma arrogância que também assola muita liderança igrejeira que se sente acima de qualquer suspeita. Carothers não fugiu a regra e tasca sua pseudosuperioridade: “sentia um mal-estar quando estava perto de certas pessoas. Orei a respeito e recebi uma forte impressão de que o que havia de errado com elas era de natureza demoníaca.” (p. 86)

O que mais me impressionou negativamente foi seu discurso bélico. A apresentação do livro deixa essa intenção bem clara. “Este livro relata a história do Cel. Carothers, que de jovem rebelde chegou a capelão do Exército dos Estados Unidos...”. Lamentável, profundamente lamentável considerar-se que ser capelão daquele exército seja uma bênção; admitiria que seja um bom emprego, e só. Mas o discurso norte-americano é belicoso por natureza. E nas páginas iniciais isso fica claro, recheado com inutilidades. Senão vejamos dois exemplos:
[de inutilidade] “Meu trabalho era aparar e esmerilhar aço. Não era muito agradável, mas ajudou-me a conservar a forma física. Estar em boas condições f~isicas significava estar capacitado para a corrida deste mundo a qual eu não queria perder por nada.” (p. 10)

[belicosidade] “Queria entrar em ação na guerra, e quanto mais perto da linha de fogo, melhor (...) Pelo modo como as coisas iam, calculei que ia perder o bom da coisa, e ficar lavando panelas até o fim da guerra.” (p. 11)


Parece haver uma proposital acriticidade quanto ao resto do mundo, quanto aos nefastos resultados de uma guerra. Isso não importa, para os supercrentes americanos (do norte, da América) Deus está com eles. O resto é do diabo, é inimigo. Muito bem afirma o uruguaio Eduardo Galeano
[1], há um teatro do bem e do mal. E nessa, o bem é sintetizado pela sigla EUA e o mal é todo o resto. O sexto capítulo é a consagração de que o livro não presta. “Vietnam” (sic) é o título.
Carothers descreve uma série de conversões a bordo do navio que seguia para o Vietnã. Orações, estudos bíblicos, testemunhos e outras pirotecnias estão descritas para enlevar a sabedoria americana e para demonstrar o quanto Deus estava com eles. Paradoxalmente, o Deus da paz nunca questionou por profecia ou profetada aquela Guerra. O Deus da paz estava mais interessado no mundinho da América. O capelão estava como queria “no grosso da batalha, junto com os fuzileiros” (p. 57). Deus se confundiu com o ‘american dreams’. “Várias vezes vi evidências da mão de Deus protegendo seus filhos. Quando confiamos nele, nenhuma força da terra pode tocar-nos se não for da sua vontade”. (p. 57 – grifo meu).
Com Carothers, Deus tornou-se americano. Resta-nos nessa perspectiva o sofrimento eterno, o pranto, o ranger de dentes, ler livros de autores norte-americanos dando-nos receitas; resta-nos dizer “tende piedade de nós assim como tens com os americanos”.
Termino com o triunfo do bem sobre o mal. Mal aqui são os vietcongs.

“...o major conseguiu controlar-se e contou-me uma história surpreendente.
Algumas horas antes ele estivera a bordo de um helicóptero, o qual fora atingido por artilharia anti-aérea e caíra na floresta. Os seis homens haviam sido atirados longe, na encosta de uma colina. Quando voltou a si, o major viu que estava ferido demais para se mover. À distancia ouviu tiros de rifle. Os vietcongs estavam se aproximando da área onde tinham visto o helicóptero cair. Estavam chegando para capturar os americanos.
De repente, o major compreendeu que aquilo era o fim. Os inimigos não iriam carregar americanos feridos. Iriam provavelmente torturá-los até a morte. (...) Numa explosão de angústia e com uma fé nova clamou: “Ó Deus, por favor, ajuda-me!” Percebeu que pela primeira vez em sua vida havia conversado com Deus. Contudo, ainda ouvia os vietcongs se aproximando.” (p. 59 – grifos meus)

A história termina com os americanos sendo salvos por outro helicóptero (quiçá divino) e os vietcongs (os diabólicos) atirando nos queridos. Ao chegarem à base salvos, o major disse querer servir a Deus por toda a sua vida (p. 60). Provavelmente serviu ao exército americano da salvação.

Terminei a leitura com muita raiva. E quando reli a introdução decidi colocá-lo na lata do lixo, após encontrar a seguinte propaganda (na p. 7): “Chegou a ocupar o primeiro lugar entre os best-sellers evangélicos nos Estados Unidos. (...) Só houve uma coisa para recomendá-lo aos possíveis leitores – o conteúdo.”
Definitivamente, se conselho fosse bom não se daria.






[1] GALEANO, Eduardo. O teatro do bem e do mal. Trad. de Sergio Faraco. Porto Alegre: L&PM, 2006

EM FÉRIAS

Levi Nauter
Estou curtindo umas merecidas férias. Passeios com a esposa, muita música, muita leitura. Estudos visando o aperfeiçoamento de minha profissão e alguns “biscates” como carregador de terra na construção de minha casa.

Contudo, em alguns momentos estou escrevendo para postar neste blog a partir da segunda quinzena de fevereiro.

Até lá.

[confesso]

Levi Nauter



Parei de escrever um outro texto para compartilhar, com este, uma cena que me causou espanto. Um lindo espanto.
A quem não sabe, sou um trabalhador da educação. Acumulo as funções de professor de língua portuguesa com as de uma pessoa trabalhadora na administração escolar. Numa escola, literalmente, se vê de tudo. Há uma gama bem diversificada de crenças, bem como uma série de pessoas que tentam nos intimidar direta ou indiretamente:
– Vocês fazem festa Halloween? - questionou um pai.
– Vocês fazem a Semana da Consciência Negra? - outro responsável indagou.
Ambos informaram que seus filhos não participariam dos eventos acima e que, ao contrário, não mais apoiariam a escola em futuros eventos.
Não sou partidário desses radicalismos e fundamentalismos, em nehuma hipótese. Sou favorável ao cuidado, claro, desde que isso não signifique negar o direito à informação, ao conhecimento, à cultura. Não me parece que seja negando que existem alguns eventos que vamos evitar a "contaminação". Se assim fosse, todos os cristãos - nos e com os quais me incluo - deveriam, impreterivelmente hoje, morrer a viverem neste mundo. Particularmente, prefiro ficar vivinho; há muito de beleza a ser descoberto por aqui. Além do mais, parece-me que ser cristão é, entre outras coisas, tornar o mundo mais bonito, menos feio.
Cristo utilizava muito a criança como um bom exemplo a ser seguido. Aqueles que intentam ascender aos céus precisam prestar mais atenção nos pequeninos. Um deles me causou espanto. Não pela sua catequisação, mas, sim, por duas razões: (1) porque na escola ele vive em profundidade o ser criança (estuda, brinca, corre, briga, cai, levanta e faz tudo de novo num círculo não vicioso) e (2) porque fica evidente o diálogo com os familiares fora da instituição. Ou seja, a vivência cristã dessa criança não se encontra nas proibições, no esconder a realidade. Ao contrário, parece estar no encarar a realidade, no viver diário de cada fase da vida.
Ao enchergar a criança questionei:
– Como andam as leituras da igreja?
Ele entendeu que eu perguntava se estava lendo algum livro ou revista cristã na sua igreja. No entanto, o menino me deu outra resposta.
– Domingo não consegui chegar a tempo na igreja porque minha vó me levou numa festa de aniversário.
– Estava boa a festa? Melhor que ir na igreja? - questionei.
– Sim, estava ótima. Mas nada melhor que servir a Deus.

Não soube o que falar. Fiquei mudo, espantado.
Claro que muito do que estava por detrás da resposta era reflexo do discurso paterno e materno. Mesmo assim, essa convicção, devo confessar, suscitou algumas perguntas: até onde vai minha crença evangélica? Por quais motivos ela pode ser abalada? Por que uma festa não pode ser um culto? E porque pode ser errado optar-se por uma festa a ir a uma reunião igrejeira?
Quando, de repente, lembrei de um livro lido bastante tempo a coisa piorou. Lembrei da autora, Melinda Fish, e o título tornou-se outra pergunta intrigante: "fardo, se ele é leve por que estou tão cansado?".
Não tenho respostas...

[a igreja e a repressão - sugestão de leitura]

Levi Nauter



Minha opinião é que a igreja cerceia a liberdade dos fiéis, essencialmente falando da instituição. Não os deixa pensar por conta própria. Há uma ilusão de liberdade, a membresia acha que pode ser livre para agir, para pensar. Contudo, não é bem assim. A máxima paulina "onde há o Espírito de Deus ali há liberdade" não funciona assim de modo tão romântico.
Mas uma coisa é a minha percepção dessa temática. Fui um simples membro de igreja que mal contribuiu como músico (violonista, baterista e vocalista) e que, ao final, optou por sair - contrariando outros diáconos como eu. Fui assembleiano a maior parte da minha vida, além de ter passado aproximadamente dois anos como batista (CBN). Apesar de tudo, não me considero indigno de opinar quanto àquilo que me incomoda ou me incomodou. Nesse particular, as pessoas (não gosto do termo irmão) nunca me causaram desconforto; ao contrário, tenho uma boa relação com vários pastores, de diversas denominações. Não obstante, com alguns, discordo frontalmente. Essa é a beleza, para os que a compreendem, da democracia: discordância em alguns pontos, unidade em outros; objetivos comuns.
Outra coisa é a percepção de alguém cuja importância ultrapassa o bairrismo do evangelho. Há uma diferença entre eu (guri, formado em Letras, buscando mestrado em educação e teologia) e uma pessoa que já foi pastor, que viveu no exílio evangélico e, mesmo assim, soube dizer sob outro viés. Esse é o caso de Rubem Alves. Com ele é possível discordar em várias nuances, mas não me parece possível negar a importância de sua contribuião para o Reino. Porque errar todos erram e se vamos excluir os que erram temos de fazer o mesmo com a Bíblia - afinal, quem, afora Cristo, não cometeu erros gritantes? Portanto, a contribuição de Alves é inegável, ao menos para a minha história.
Acabo de reler "Religião e Repressão"[1]. Essa obra merece ser lida e relida por quem se diz evangélico. Nela, Rubem Alves traça os caminhos gritantes e, às vezes, silenciosos da repressão igrejeira. A partir dos levantamentos ali expostos, vemos - de um lado - nossas feridas, nossas mazelas, nossa mesquinhez, nossa diabolicidade. Por outro lado, vemos a atualidade da obra. Infelizmente ainda não mudamos muita coisa. E naquilo que mudamos fica claro o quanto 'jogamos pessoas fora'. Como perdemos pessoas em função de conceitos pessoais e não bíblicos! É possível ler (pseudo)líderes que com suas arrogâncias mandavam e desmandavam sobre a vida de pessoas acuadas pela Teologia do Medo - a desgraçada teologia que prega a submissão cega e inquestionável de líderes religiosos inescrupulosos. Gente que adora ver pessoas sofrendo, quietas, sem o direito de dizer a sua palavra, sem a possibilidade de questionar. Gente que alardeia aos quatro cantos a falácia do princípio da autoridade, a mentira da cobertura espiritual, da maldição hereditária, bem como da teologia da prosperidade (que só prospera pastores). É nessa esteira que vem a alienação. É nesse bojo que está o cerceamento da liberdade do outro, travestido de doutrina, travestido de bons costumes, com aparência de evangelho, com linguagem bíblica.
Essa teologia do medo é denunciada por Alves. Belamente exemplificada, faz falta uma outra obra similar escrita em nossos dias. Ali não lemos, por exemplo, sobre as receitas evangélicas para as soluções de problemas, sejam eles quais forem, tão comuns em nossos dias. Basta chegar em qualquer banca de revista, em qualquer livraria não cristã e até mesmo nas cristãs para lermos títulos que intentam dar passos para se chegar a qualquer coisa. Também não lemos (mais profundamente) a respeito dessa arrogância pastoral que disciplina e exclui segundo cosmovisões pessoais e preconceituosas. Muito menos lemos sobre as manipulações, a partir do discurso, de televangelistas e comunicadores (mais para animadores) de rádios evangélicas.
O que encontramos na obra? Uma sólida reflexão crítica sobre a repressão da qual sofremos as conseqüências até hoje. Encontramos relatos de fiéis e de lideranças como que dando-nos as bases do que hoje temos nesse evangelho em sua maioria norte-americanizado. Vale a leitura pois é nossa história. Vale a leitura porque não deveríamos continuar fazendo a mesma coisa. É importante a leitura a fim de refazermos nossas práticas cristãs.
Nossa brasilidade evangélica merece outros contornos e, quiçá, essa obra possa ser incentivadora.











PS: enquanto isso, sigo numa leitura mais atual e não menos contundente: "A mensagem secreta de Jesus", de Brian D. McLaren, obra que não encontrei nas livrarias evangélicas. Bem-aventurada seja a Saraiva Mega Store, do Praia de Belas Shopping.


[1]Edições Loyola em parceria com a Editora Teológica. Uma reedição (em 2004) trinta anos após a primeira publicação.

[outra vez: livro x evangelho] – levi nauter

Levi Nauter



Outra Feira do Livro, outra decepção com o meio evangélico. Falo das denominações pentecostais e neopentecostais, além de estar me referindo especificamente ao estado gaúcho. Aqui, gabamo-nos, lê-se mais. Se as pesquisas são verdadeiras, não revelam a realidade no chamado mundo gospel. Nada mudou nesse meio desde meu último texto, há doze meses. O que parece evidenciar uma certa inutilidade da igreja-instituição.
Neste ano, assombra-me os meios de comunicação evangélicos. Sim, porque os católicos estão lá, com sessão de autógrafos de padres, com algumas entrevistas. Porém, as emissores que dizem ‘ganhar’ almas nem tocam no assunto, nenhuma referência a importância do ato de ler
[1]. A mídia não cristã, criticada por televangelistas que dela se utilizam, está lá com seus estandes. Os nossos deviam estar preocupados em pregar. Pregar peças nos fiéis.
No segundo dia de Feira, dirigi-me a uma conceituada livraria evangélica e perguntei: - vocês têm alguma obra do Brian D. McLaren? Os olhares pareciam me dizer “isso faz mal com leite?”. Falta de informação, porque de uma das editoras que o publica
[2] no Brasil havia pilhas de ‘livros de receita’: Derrubando Golias (do Max Lucado); Você faz a diferença (John Maxwell); A dieta de Jesus (Dr. Don Colbert), entre outros. Pode ser falta de leitura também (e bem provável), ou, ainda, estratégia pura de venda – uma vez que se viam aquelas obras (se podem assim serem chamadas) que ocupam espaço nas revistas e jornais evangélicos de circulação nacional. Ou seja, mais receita (o possivelmente inútil Eu e minha boca grande, de Joyce Meyer, pra ficar com um exemplo). Pouco ou quase nada vi dos ‘rebeldes’: Rubem Alves, Bultman, Tillich, Barth...
Ah, vi também aqueles aproveitadores, os que esperam um livro ‘mundano’ fazer sucesso para terem seus minutos de fama. Como exemplo, lembro-me dos que aproveitaram a carona do sucesso de Dan Brown com seu “O Código Da Vinci”. Agora é a vez de criticar “Deus, um delírio”.
Satisfaria-me uma denominação que investisse numa programação paralela incentivando a literatura. Se isso existe, acho que deveria ser divulgado ao máximo possível, essencialmente o retorno que isso dá aos participantes. O evangelho se tornaria mais relevante e, acredito, mais interessante. Imagino como seria legal poder ligar o rádio e ouvir um cristão-evangélico dando entrevistas, relacionando o cotidiano com o evangelho, aliando intelectualidade e evangelho, filosofia e evangelho, educação e evangelho, criatividade e evangelho. Mas não, o que vemos são incutições de doutrinas (doutrininhas).
Sinto em ter de concordar com Rubem Alves, a igreja não cria artistas só teólogos, só hermeneutas. A igreja-instituição não está interessada em programação cultural. Sobretudo, ela não se preocupa com o prazer, a leitura por prazer, a arte pelo prazer; quer, isso sim, finalidades. Na instituição tudo tem que ter um fim. Não é o que vemos na vida de Cristo. Nem tudo que Jesus fez tinha um fim em si mesmo, basta ler com mais atenção. À igreja-instituição interessa a guetização, o cerceamento da liberdade dos fiéis, sob a égide da submissão, sob a falácia do princípio da autoridade. Sob a ditadura.
Definitivamente não é essa a leitura que me interessa.
Foi a mesma razão que me levou a discordar frontalmente de um editor de uma respeitada editora cristã. Ele me dizia que os cristãos liam e liam muito. Citou-me alguns exemplos com os quais não pude concordar. Não me parece que ler Rick Warren, por exemplo, acrescente relevância ao cristianismo. Também não acho que as denominações que optaram pelos 40 dias com propósito estejam melhor do que as que não fizeram a mesma opção. Pouco me importa se o Sr. Warren vendeu um milhão de exemplares no Brasil. Isso diz apenas que a editora ganhou bastante dinheiro.
Vivam as raras exceções. Gente como Gerson Borges que, além de ter lido a obra “A volta do filho pródigo” e ter criado, produzido e gravado um musical homônimo (lindíssimo CD), promove o Sarau da Comuna, na sua igreja em São Paulo (pesquise o blog, vale a pena). São discussões que giram em torno da música brasileira, da literatura – tudo sob a ótica cristã. Também a editora W4 que, além de promover debates sobre cultura, publica obras, por assim dizermos, mais alternativos e não menos cristãos.
Enquanto o mundo gira, tenho bons motivos para ficar curtindo minhas novas aquisições da Feira: “A mulher que escreveu a Bíblia”, do conterrâneo e imortal (como o tricolor) Scliar e “O evangelho segundo Jesus Cristo”, do conterrâneo de língua José Saramago.
Espero logo encontrar pelos pagos “A mensagem secreta de Jesus” e “Uma ortodoxia Generosa” do intrigante McLaren que escreve sobre cristianismo contemporâneo. Também espero falar de melhorias no mundo evangélico no próximo ano.
NOTAS
[1] Fica minha singela homenagem ao grande educador Paulo Freire que nos deixou, dentre tantas obras, um importantíssimo livreto chamado “A importância do ato de ler”, editado pela Cortez.
[2] Thomas Nelson Brasil – www.thomasnelson.com.br

[a igreja que eu busco: primeira contribuição] - levi nauter

L evi Nauter



Desde que criei este blog venho tentando contribuir sistematicamente com alguns textos meus e de autores com os quais me identifico ideologicamente. Afinal, nenhum texto é inedito; ainda que indiretamente, dialogo quem leio, li e lerei. Essa é a razão de preferir a palavra tentar a dizer cabalmente que contribuo. Em outras palavras, sempre que escrevo vislumbro e intento a possibilidade de ser útil, de ser compreendido e, devo admitir, de ser aceito. Como essas intenções não dependem exclusivamente de mim, ocorre, por vezes, exatamente o contrário. Recebo comentários (por e-mail ou pelo próprio blog) de todos os tipos. Felizmente, a grande maioria é favorável a minha cosmovisão.
Estou cônscio de que abordo as mazelas da igreja-instituição. Por quê? Por entender que ela deveria morrer. É necessário matá-la porque ela não beneficia os fiéis senão os medalhões, os que recebem "pela$ bênção$". São os neopentecostais, os televangelistas, os radiocomunicadores - os mesmos que, sem nenhuma vergonha - alardeiam viver pela fé. Torna-se fácil viver pela fé quando a conta bancária está 'gorda'. Dá-se receitas para o povo que, ironicamente, só funcionam para os receitantes e lotem-se os templos. Templos lotados equivale a boas receitas. Essa tem sido a minha denúncia e, neste sentido, não vou calar.
No entanto, não sou compreendido por alguns. Denunciar não significa necessariamente a denúncia pela denúncia. Quando o faço, nas entrelinhas está o anúncio. Porém, poucos conseguem fazer essa leitura. Fazem-na superficialmente, sem o devido contexto, sem algumas informações prévias importantes ou, o que é muito comum, com o julgamento já feito antes de conhecer o texto. Se digo, por exemplo, que amo o doce indiretamente digo que o sal pode me incomodar. Parece elementar.
Já cansado de ler algumas bobagens a mim enviadas, pretendo começar a anunciar em vez de denunciar.

IGREJA COMO ESTATÍSTICA
O primeiro pressuposto para eu freqüentar uma igreja-corpo é o esquecimento da instituição. Busco (sem muito empenho) um lugar que não se preocupe com número de membros. Não busco uma mega-igreja. Tampouco pretendo me tornar número, dado estatístico. Não quero um templo no qual eu precise fazer 'carteirinha' de participante. Se uma determinada comunidade carece dessa organização, parece-me que é o primeiro passo rumo a institucionalização, ou seja, precisará de sustento, significando dinheiro.
Nessa mesma esteira, está a tensão ao dízimo. O dízimo é tão bíblico assim como outras temáticas nelas registradas e ignoradas. Ocorre que se trata de dinheiro. Por isso a instituição não abre mão: como viveriam os que dizem viver da fé? De minha parte, penso que todos deveriam questionar essa fonte de receita. Ou, no mínimo compreenderem a diferença entre trazer (sabe-se para onde vai) e dar (sabe-se apenas que será usado)dízimo. Freqüentei uma denominação que 'ungia' os dizimistas e incutia que os outros estavam 'sob maldição'. Paradoxalmente quem dizia isso estava desempregado. Ironicamente, a bênção sempre era de responsabilidade do céu e não daquele que recebia meus dez por cento. Também não toparia participar de uma igreja-corpo em cujo mural figurasse o nome dos dizimistas (disfarçados de 'colaboradores fiéis', patrocinadores, gideões, entre outras criatividades evangélicas). Barganhazinha com o Todo-poderoso? Nem pensar. O dízimo precisa de contexto.
Não quero encontrar um templo no qual a membresia se acha acima da lei - intocável, impunes, donos da verdade. Muito menos aceitaria alguém me cuidando, querendo saber o que como, bebo, visto, faço, peco. Sou, sim, dono do meu nariz, maior de idade e responsável pelos atos. Menos ainda aceitarei o fajuto discurso do princípio da autoridade (pretexto para quem quer mandar, retórica do manda-quem-pode). Aceito a democracia, o diálogo, o contraponto. Jamais de cima para baixo, mas, sim, de forma horizontal. Sou contra a espécie de livro-ponto no templo. A assiduidade não pode ser pautada pelo medo de se levar falta. Digo isso porque conheço uma denominação que possui um software de controle da assiduidade. Absurdo.
Minha última abordagem são os eventos nos quais chove matemática, estatística. Há um certo gessamento no Espírito Santo. Deus só pode atuar por especificidades: culto de doutrina, culto de ensino, culto de cura, culto de libertação, culto de louvor, culto de despertamente espiritual, e por aí se vai. Ora, jamais servirei a um Deus assim. O meu Deus é diferente. Nesses pseudocultos é que se ouvem frase boçais igrejeiras. A referência a elas quase sempre é: lá se converteram 100, 200 pessoas; batizamos 10, 20...
Estou, perdoem o vocabulário, "de saco cheio" de lugares em que não se pode discordar, sugerir mudanças. Quando alguém ousa, precisa ouvir:
– Mas quem é você? Pastoreias qual igreja? Você é autoridade espiritual sobre quanto membros? Quem te dá cobertura espiritual?
Ainda bem, Deus é misericordioso.

[prestígio] - levi nauter

levi nauter




Prestígio me faz lembrar do doce. Sou fissurado por doces, mas tenho de me cuidar porque o excesso faz mal. É um exercício difícil. Há momentos em que ele está ali como que se oferecendo e eu tenho de virar o rosto. Nalgumas vezes consigo, noutras não. Quando não consigo resistir fico um pouco triste, me culpo. Sigo em frente.
Essa mesma palavra – prestígio – merece cuidado em outros contextos. Por mais que não deixemos claro, no fundo, queremos ter prestígio. Nossa humanidade clama por importante, ser necessária, estar acima de quase tudo. E aqui o exercício também é difícil para contê-la. Igualmente ele se oferece e temos de virar o rosto. O interessante, ou instigante, é que, embora viremos o rosto, nosso pensamento segue imaginando o oferecimento que tentamos ignorar. Ou seja, viramos o rosto, mas não o pensamento. Talvez os escritores de “receita” consigam nos ajudar. Como não acredito neles, tampouco topo ler suas (pseudo)obras, rendo-me e mostro minha humanidade.
Tem sido um privilégio escrever alguns textos e postá-los aqui. Neste blog paulatinamente torno pública a minha cosmovisão. Por ele também sou liberto, porque a escrita me liberta. Escrever, por mais que alguns leitores não gostem do meu texto, é uma terapia que, unindo-me ao célebre Pamuk
[1], me salva da loucura. Escrevendo livro-me de uma certa solidão e posso, remotamente, contribuir com o alívio de algum leitor. Portanto, escrevo, primeiro, por minha própria causa; e, segundo, pela possibilidade de ser útil.
Pois, tenho recebido algumas mensagens via e-mail cujos autores são de alguma forma tocados. Gente de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e até Portugal. Muitas optam por não postar comentários e dialogar 'mais de perto' pelo e-mail. É uma satisfação, já que não sou teólogo e não me considero um cristão adepto ao evangeliquez
[2]; também, que fique registrado, não fico como um demente procurando ou enxergando demônio em tudo. Prefiro a simplicidade do cristianismo. Simplicidade que não deve ser confundida com falta de bom gosto, de estética e profundidade no conteúdo.

Nessa semana tive grata surpresa ao receber uma mensagem de um autor mineiro que lançou um livro pela editora MK. Fiz uma resenha (Resenha 2) a respeito de seu livro que trata do rock e o evangelho/evangelismo. O escritor Flavio Lages gostou da resenha e sugeriu-me a leitura de sua segunda obra - lançada recentemente pela mesma editora . Certamente farei isso tão logo possa. Ratifico a leitura de suas obras, com elas certamente aprenderemos a lição que todo o cristão já deveria saber: respeitar as diferenças.
Por fim, meu caloroso abraço a todos os leitores. Especialmente a um casal paulista, presbiteriano, que incrivelmente conseguiram reter o que é bom neste blog.
Deus é bom!!!


[1] Orhan Pamuk é turco, tem 54 anos e recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2006. No Brasil, por ora, está publicado Neve, Istambul e Meu nome é vermelho.
[2] Antes que algum gramatiqueiro de plantão venha me corrigir, esclareço que utilizei "Z" por entender a palavra como um substantivo abstrato derivado de adjetivo.

E se o sal não salgar? - ricardo gondim

Mais uma do excelente Ricardo Gondim que admiro e concordo. Levi nauter



Infelizmente o mundo gospel, (neopentecostal ou evangélico) vem se tornando conhecido pelo seu nanismo cultural, superficialismo ético, pragmatismo burguês e cinismo teológico. Embora continue embriagado com seus discursos triunfalistas, dá um tiro no próprio pé quando insiste em ter primazia sobre a Verdade e ser, ao mesmo tempo, motivo de chacota nacional.
Infelizmente, convive com uma religiosidade sem compromisso com o passado, sem tradição, sem hereditariedade (sempre existem maldições em algum ancestral) e sem futuro. Os evangélicos não se enfastiam das novidades efêmeras, provisórias, e não se assustam com sua descontinuidade histórica. São massacrados pelo presente, pois não possuem projeto futuro. Ora, quem vive precisa de alvos, porém, quando se perdem os horizontes utópicos, acaba-se a vitalidade. Tudo fica aborrecido, sem criatividade. Não existe nada mais repetitivo do que o “evangeliquês” dos novos apóstolos. Os neopentecostais desenvolveram uma espiritualidade “templista”, sem vínculos comunitários. Sacralizam-se os prédios, valorizam-se os mega ajuntamentos, mas não se promovem relacionamentos. As pessoas se sentem sozinhas e autônomas no meio de uma multidão. Vão à igreja como quem vai a qualquer lugar público, sem sentimento de pertencimento. Para azeitar financeiramente sua máquina religiosa, o neopentecostalismo convive bem com misticismos e sabe dar explicações mágicas para a cruel realidade que o rodeia. Sua fé não precisa de racionalidade nem dialoga com as ciências sociais.
O movimento evangélico tornou-se refém do marketing e anseia dominar o mundo midiático. O autêntico testemunho evangélico se perdeu pela importância que o cenário televisivo ganhou como veículo de propagação da mensagem. Hoje o anúncio da fé fica em segundo plano, diante da força da imagem - que transforma tudo em simulacro. Resultado: os neopentecostais se firmaram como um supermercado de serviços (e produtos) religiosos, e o fiel, percebido como um consumidor (anualmente acontece a Feira do Consumidor Cristão, jocosamente apelidade de "Expo-Babilônia").
Com um discurso competente e bem afinado com os desejos das massas, o neopentecostalismo tornou-se quase hegemônico, conseguindo esvaziar igrejas históricas e pressionar os antigos pentecostais a também adotarem seus métodos, que funcionam e enchem auditórios.
Vaidosos de sua fidelidade apostólica e gabolas de sua eleição como a “chuva serôdia”, os evangélicos já revelam seu triste fim: ser sal que não serve para salgar. Lamentavelmente!
Soli Deo Gloria.

mudança - levi nauter

Olá

A todos os amigos – distantes ou mais chegados – comunicamos que estamos nos mudando para o município de Nova Santa Rita (BR 386 em direção a Triunfo). Lá estamos construindo nossa nova casa e vamos cuidar de perto todas as etapas da construção que se iniciou entre o final de julho e início de agosto.

Após doze anos morando num mesmo lugar, novos ares nos esperam. Santa Rita tem um ar interiorano que sempre nos encantou. Enfrentaremos desafios enormes e estamos com todo o gás pra isso.

Em tempo oportuno contaremos mais detalhes. Algumas inevitáveis reflexões sobre toda essa mudança serão postadas nos blogs que mantenho:

1- LEVI NA INTERNET – www.levinainternet.blogspot.com

2- ANOTAÇÕES SOBRE UM CRISTIANISMO – www.anotacoessobreumcristianismo.blogspot.com

A partir de agora, minhas intervenções internéticas ficarão restritas a uma vez por semana. Continuem opinando e enviando seus mails, reponde-los-ei na medida do possível. Nosso telefone residencial momentaneamente não existirá.

Grande abraço a todos,

Levi Nauter & Luciane de Mira.

meu jardim

meu jardim
minhas flores

minha alegria

minha alegria
Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

Ouvindo

  • discografia do ótimo John Mayer

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Minha foto
LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

Leituras

  • textos sobre EDUCAÇÃO (livros, revistas, artigos)
  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier