essa é boa 3








É verdade que o sapo que freqüenta a igreja da lagoinha "lava o pé "?








FONTE: http://verticontes.blogspot.com





GRAVIDADE – criança feliz

Levi Nauter


GRAVIDADE

A janela abrirá devagarinho:

fará nevoeiro e tu nada verás...

Hás de tocar, a medo, a campanhia

e, silenciosa, a porta se abrirá.

Mário Quintana1




Nesta semana tive, até agora, a melhor notícia já recebeida.

Eu e a Lu, a mulher da minha vida, estamos grávidos. Ainda não fizemos os exames definitivos, por assim dizermos; porém, os realizados indicam aquilo que esperamos há um bom tempo. Um filho ou uma filha está a caminho.

A alegria é indizível. Faltam-me palavras para expressar um sentimento guardado por anos – alguns deles por opção. Quando desconfiamos desse momento, nos abraçamos e a emoção tomou conta. Além disso, ao longo da semana recebi muitos abraços e felicitações, outra novidade pra mim. Nenhuma pessoa me desejou sorte; ninguém disse “criar filhos é difícil”. Apenas sorrisos, apenas alegrias. A vida é maior e compensa qualquer eventual esforço.


Exatamente hoje, 01-09, a Lu completa 36 anos. Há presente melhor que receber um filho ou uma filha? Estamos muito felizes. Se tudo correr bem, em maio será a minha vez de ter como presente o nascimento da criança. Aniversários assim são presentes do maravilhoso e gracioso Deus.


Nossos sentimentos se misturam – o texto parece truncado, não sai da mesmice. Mas a felicidade tem disso: a gente ri, e os assuntos giram em torno da razão da felicidade. Por vezes ficamos apreensivos em como educar uma criança; noutros momentos pensamos que isso será o de menos. Como dar conta de tantos compromissos e ainda atender uma criança que depende da gente? Sei lá, sei apenas que desejamos muito tê-la.


Ficamos imaginando o rosto (com quem será parecida?), o cheirinho. Sentimo-nos – guardadas as devidas proporções – como se fôssemos deuses: estamos fazendo uma mistura de nós dois que resultará numa singularidade: ou no João Vitor ou na Maria Flor. A euforia toma conta.

De minha parte, quero escrever um texto mensal até o seu nascimento, compartilhando os acontecimentos dessa fase. Posso adiantar que também ando enjoando – eu que tanto ria de quem contava histórias parecidas. Também me parece ótimo notar a Lu com algumas sensações estranhas: achando horrível o cheiro do café e de alguns perfumes, entre outras.

Também é minha intenção ser um bom pai. Conversar muito com o filho ou filha. Não intento que a criança tenha medo de mim. Quero dar muitos abraços, muitos beijos, dizer a toda hora que a amo e que ela foi muito desejada.

Depois conto mais.








1 QUINTANA, Mário. Nariz de vidro. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2003.



[as sagradas entrelinhas] - elienai cabral jr.

A pretensão piedosa de muitos cristãos de se apoiarem peremptoriamente no que dizem as Escrituras é no mínimo ingênua. Partem do pressuposto impensado de que há uma compreensão absoluta do que está escrito. Que por sua vez funda-se na idéia de que a verdade seja algo pronto, do lado de lá do pensamento, grafado no texto bíblico, apenas à espera que pessoas dela tomem posse.

A compreensão da verdade pensada assim elimina a mais humana das ações: a interpretação. Somos todos seres de interpretação. Uma vaca não interpreta, apenas reage. Uma pessoa não reage apenas, interpreta. Não há possibilidade de haver uma ação humana sem que também aconteça uma interpretação. Uma verdade nunca está do lado de lá pronta para ser possuída. Toda apreensão de idéias é um movimento impreciso e participativo de interpretação.

As páginas da Bíblia não são gavetas que guardam verdades, mas a coleção de narrativas e dissertações que nos convidam ao aprendizado. Nem seus leitores são desengavetadores inertes e neutros de conteúdos prontos. A Bíblia é um livro forjado com múltiplas interpretações. Desde sua escrita original, traduções e versões, o texto é marcado pela confluência de mentes que dela participaram. Juntamos a isso as teologias, tradições e culturas que têm na Bíblia ao menos uma referência de valor e temos um mundo indeterminado de olhares em suas páginas. Porque simplesmente é impossível à mente humana ler sem interpretar e interpretar sem entrar em conflito com outras e diversas interpretações.

Quem quer que afirme apoiar-se absolutamente no que dizem as Escrituras está na verdade dizendo que se apóia em uma tradição de pensamento e do que dela compreende.

O que chamamos de verdade bíblica é uma miragem. Porque não há possibilidade de existir um conteúdo de afirmações atemporal e universal. Por tudo o que já se disse acima. Ao entrar em contato com uma afirmação coloco em movimento todos os preconceitos, tradições, sentimentos, aspirações do meu tempo, questões da minha época, tudo o que em mim participa do modo como interpreto a vida e as pessoas à minha volta. A verdade é relativa a mim, e tudo o que em mim participa do que compreendo. A verdade é necessariamente provisória. Está sempre em construção.

O que chamo de verdadeiro não é um bloco maciço de idéias, mas um corpo inacabado e dinâmico de perspectivas. As verdades humanas nunca são absolutas, são sempre finitas e processuais. Qualquer outra candidata à verdade que se pretenda completa, universal e insuperável pelo tempo fala uma língua incompreensível à mente humana. Nada comunica. Não nos diz respeito. Nem dela podemos fazer referência. Se nos referimos a uma idéia, interpretamos.

Isso significa que sempre que alguém arroga para si a posse de uma verdade absoluta está de fato absolutizando uma versão, a que prefere os interesses de quem está acomodado ao que prevalece em seu mundo. A história não deixa dúvidas sobre os absurdos já cometidos em nome da posse inquestionável da verdade. Mas certamente o maior dos absurdos é a desumanização de todos que entram em contato com tal pretensão. Na medida em que uma idéia é absolutizada, as pessoas são pulverizadas. Quem sai em defesa da posse da verdade perde o outro de si mesmo, ou seja, a sua própria consciência e suas reivindicações por novas respostas. Perde também o outro além de si, ou seja, tudo e todos ao seu redor que divergem em busca do diálogo.

Quem quiser encontrar a Palavra de Deus e não perder a si mesmo e aos outros sob a prepotência de posse absoluta da verdade precisará ir além do que está escrito. Precisará abrir-se para fundir horizontes. De quem escreveu, da tradição e os de seu tempo. Precisará de modéstia para as alteridades envolvidas no texto. Precisará de compromisso com o seu mundo e suas dores. Precisará de imaginação e delicadeza.

Porque a Palavra de Deus não é a Bíblia, mas as suas entrelinhas.

Elienai Cabral Junior

essa é boa 2

Levi Nauter


É saudável o uso de silicone no seio da igreja?



[estou no meu limite] - ricardo gondim

Sei que existem pessoas sérias entre os evangélicos. Estou consciente de que mais de sete mil profetas ainda não se dobraram a Baal. Não esqueço o nobre testemunho dos que me precederam na militância da fé. Mas sinceramente, não dá...

Não dá para ver o avanço de vigaristas e charlatões prometendo cura divina, prosperidade financeira, solução de problemas conjugais, em troca de ofertas. Não suporto assistir a três minutos de programa de rádio ou de televisão. Sinto náusea com a postura arrogante de falsos profetas que oscilam entre camelôs religiosos e doces professores de Bíblia.

Não dá para lidar com a falta de responsabilidade humana dos fundamentalistas que celebram desastres naturais como sinais inequívocos do pecado ou do fim do mundo. Não tenho mais estômago para ouvir professores de teologia, forjados em seminários de segunda linha, criticando livros que nunca leram ou teólogos que não conseguem citar duas obras. Tenho medo quando discursam na defesa da “reta doutrina”.

Não dá para lidar com a inveja de sacerdotes que voam como abutres à espera de que alguém tropece. O mundo evangélico está repleto de líderes que jamais conseguiriam sobreviver no mundo empresarial, mas vivem de condenar os outros. Preguiçosos e despreparados, adoram praticar tiro ao alvo. Incompetentes, carregam a marca de Caim. Os piores, mimetizam comportamentos moralistas, copiam afirmações heterodoxas e se especializam na defesa das tradições denominacionais.

Não dá para lidar com o ufanismo das falsas onipotências. Na corrida pelos primeiros lugares no Olimpo dos ungidos, sobram narcisistas. Não agüento as empreitadas mundiais, os projetos, as campanhas, que “vão mudar o mundo”. Esses falsos heróis instumentalizam o povo em nome de suas megalomanias. Usam e abusam da boa-fé de quem quer fazer alguma coisa pela humanidade. Só que os recursos doados com sacrifício acabam diluídos na máquina, sugados pela volúpia de poder e investidos em mais propaganda para alardear como são especiais.

Não dá para lidar com a repetição enfadonha de chavões. Cansam as frases prontas, os conceitos batidos e repetidos, que já não transmitem valor algum. A grande maioria dos púlpitos evangélicos é de uma mesmice estupidificante. Os hinos reciclam poesias gastas; os sermões começam e terminam com a promessa de bênção.

Já escrevi que andava cansado com o meio. Já pedi para não ser classificado como “evangélico”. Agora não sei mais o que dizer. Talvez precise continuar batendo na mesma tecla, não dá, não dá, não dá...

Soli Deo Gloria.



Estou contigo nessa, pastor Gondim. Talvez minha vantagem seja eu não ser pastor. Levi Nauter

essa é boa

Levi Nauter




Quem aspira as coisas do alto está limpando o teto de casa?


FONTE: www.verticontes.blogspot.com

[encantada, engasgada, engatada] - levi nauter

Levi Nauter





Durante minhas férias de julho (duas semanas) assisti a um filme no mínimo curioso. Dos estúdios Disney, a história é um conto de fadas na grande metrópole. Giselle é expurgada de seu reino pela malvada rainha. Onde vai parar? Obviamente, como um típico filme norte-americano, cai na Times Square. A partir daí, temos um desfile por belos lugares de Nova York. Um bem apessoado advogado acolhe a menina. Obviamente, também, ela não consegue resistir ao charme do homem.

Mas preciso dar uma dica: não assita ao filme dublado. A música, de estilo caribenho, parece ter sido gravada pela estridente (e chata) voz da Ana Paula Valadão. Era-me bastante irritante ter de ouvir, de quando em quando, o “asim ela sabe que a ama...”. Parecia o tal Diante do Trono. Mas o filme é divertido, nada que o 'subtitle' não resolva. A música – em inglês – torna-se mais audível, machuca menos o ouvido, há menos miação.

No elenco, a princesa é Amy Adams; o advogado, Patrick Dempsey; a malvada é a já velha Susan Sarandon.

Ah, o filme. Chama-se Encantada.



[tipologia cristã 2]

Mais uma do Verticontes, o Wilson T. está demais. Rir não faz mal a ninguém. O texto vem a calhar, acabo de construir e sei o que o texto propõe.



No canteiro de obra:

crente prego-sem-cabeça: edifica, mas não aparece.
crente furadeira: só dá furo e ainda faz muito barulho.
crente metro-de-bambu: útil em áreas de tensão.
crente martelo: pregador por vocação, mas faz estrago quando erra na introdução.
crente martelo-de-borracha: agride, mas não machuca.
crente grifo: aperta, mas não amarra nada.
crente prumo: é bem certinho, mas se pegar no pé de alguém...
crente bucha: segura as pontas, mas abre o bico.
crente lixa: áspero, mas acaba com as farpas maldosas.
crente arame farpado: se você bobear ele puxa teu saco.
crente peroba: pau pra toda obra.
crente trena: vive medindo o outro.
crente serrote: adora uma divisão.
crente andaime: dá apoio, mas é um perigo.
crente prego de aço: não se dobra facilmente, apesar das porradas do pregador.
crente corrente: amarra o pastor.
crente textura: dá jeito em fachadas.
crente betoneira: não deixa a massa parar.
crente guindaste: se orgulha de levar as cargas.
crente cano: vive escondido, mas quando deixa vazar algo dá um broblema...
crente válvula-hidra: limpa a sujeira, mas não apaga a lembrança.
crente tijolo-baiano: todos acham feio, mas são os mais usados.
crente caçamba: é paradão, mas muito útil.
crente chave-de-fenda: penetra nas brechas.
Crente cal virgem: dá um ar de limpeza, mas não resiste muito.
crente pá-de-pedreiro: gosta de alisar as massas... Mas também a joga.





rebanho apostólico - de Volney Faustini

Com a devida autorização, posto um texto bem criativo do Faustini, um cristão que também não se conforma com o que está por aí. Em seu texto não há mera coincidência. Reflitamos.

Para encontrar Faustini, digite: http://volneyf.blogspot.com. Vale a pena!


REBANHO APOSTÓLICO


Preacher: Diga à pessoa do lado: Eu te amo.
Povo: (burburinho) eu te amo ... (burburinho) eu te amo ...
Preacher: Mesmo que voce não conheça quem está ao seu lado, diga eu te amo,
Povo: (burburinho) eu te amo ... (burburinho) eu te amo ...
Preacher: Povo apostólico!
Povo: Amém!!
Preacher: Voces não se deixarão ser levados por ventos de doutrinas estranhas.
Povo: Amém !!
Preacher: Porque vocês são a pérola preciosa - a pérola apostólica!
Povo: Amém ! !
Preacher: Voces não deixarão de ser fiéis, de ser o escolhido, de ser o abençoado.
Povo: Amém ! !
Carinha lá no meio: A L E L U I A.
Preacher: Porque voces tomaram posse. Bata o pé com firmeza no chão - esta é a terra e o tempo que Deus lhe deu. O tempo gente, não o templo.
Povo: (burburinho e batida no chão) [pá, pá, pá] Amém!
Preacher: Voces não se deixarão abater pelas provações apostólicas nem pelas perseguições do inimigo. Vocês e só vocês pisarão na cabeça da serpente.
Povo: (burburinho e batida no chão) [pá, pá, pá] Amém!

Preacher: Não aceitaremos injustiça - mesmo que as provações não tenham explicações ou justificativas plausíveis! Amém?
Povo: Amém ! !
Preacher: Podem se assentar... Vocês são nação apostólica. Repita comigo: Eu sou único, eu sou singular, eu sou um indivíduo!
Povo: Eu sou único, eu sou singular, eu sou um indivíduo!
Preacher: Não me deixarei ser levado por ventos de doutrinas outras.
Povo: Não me deixarei ser levado por ventos de doutrinas outras.
...

Preacher: Agora que terminou a lavagem apóstolica dos meus pés, venham beber dessa água ungida.
Povo: (em fila) glub glub glub
Preacher: Amém ?
Povo: Amé ... cof, cof ... mém



[jesus] - Pedro Luis e a Parede com Ney Matogrosso

Essa é uma obra típica da nossa brasilidade. Viva o povo brasileiro. Viva a arte!

Aristóteles já dizia que deveríamos "brincar para ser sério". De minha parte, penso que a visa sem riso é sem graça.

A composição a seguir é coletiva, de Gustavo Valente, Lucas de Oliveira, Dado, André Passos, Rodrigo Cabelo, Beto Valente E Pedro Luís. O suingue é maravilhoso - essencialmente o contra-tempo muito bem executado pela percussão. As vozes do sempre bom Ney e a bela interpretação poética do Pedro Luís dão o toque magistral para a música. Mas a leitura da poesia também é importante. Leiamos, então, Jesus:


Salve, salve, simpatia!
Dizem que Jesus morreu na cruz
mas eu tive com ele na Dutra, em Queluz
levava na cabeça um tabuleiro de cuscuz
cocada de céu, cocada de luz
cocada de céu, cocada de luz
cocada de céééuuu...

Jesus
Jesus, Jesus
Jesus

Galo cantou
Jesus
Pneu furou
Jesus
Vestibular
Jesus
Atravessar o mar
Moisés
Sobre as ondas com os pés
Jesus
Como Jojó de Olivença
Zulu

No mar da África do Sul
No mar da África do Sul
No mar da África

Jesus, Jesus...

Fazenda do Seu Jesus
Fazenda do céu, Jesus

Tem cachoeira
Fonte de água viva
Também faz sol
Chuva quando precisa
No São Francisco
piracemas de alegria
Belém-Brasília
feijãozinho da Dona Maria.

Jesus, Jesus...

Tatu andou
Jesus
Tatuapé
São Paulo
Bicho pegou
Noé
Bicho de pé
Jesus
Faltou a luz

Jesus, Jesus...

Jesus, Jesus
Vamos tirar Jesus da cruz
Vamos tirar, vamos tirar
Vamos tirar Jesus da cruz

Nós vamos tirar Jesus da cruz
porque o rapaz está pregado
naqueles pedaços de pau
há mais de dois mil anos
Vamos deixar ele com os pés
e as mãos livres
que ele vai pular, dançar
virar cambalhota
e fazer muito melhor.
Mas é muito melhor!

E vai no lombo do cavalo
galopando pelo espaço
Salve a agricultura celeste

Salve a agricultura celeste
(Salve a agricultura celeste)
Salve Jorge, salve simpatia!
(Salve a agricultura celeste)
Salve Mané Garrincha
e Clementina de Jesus
(Salve a agricultura celeste)
Salve Chico Science
e Chico Xavier
(Salve a agricultura celeste)
Salve Raul Seixas
e Chacrinha, o Velho Guerreiro
(Salve a agricultura celeste)
E paz na Terra
a todos os seres
(Salve a agricultura celeste... )


enquanto isso

Levi Nauter

Enquanto curto minhas férias de julho, estou polindo alguns textos, revendo conteúdos para as aulas que ministrarei no segundo semestre, lendo bastante, ouvindo muita música. Amando minha amada Lu e contribuindo - na medida do possível - com os acabamentos da tão sonhada casa.
Porém, enquanto isso, infelizmente, fui 'zapear' os canais de TV e encontrei o que não queria: um programinha (é no mínimo isso que posso chamar para não baixar o calão) de televisão chamado A VERDADE NA TV com o (pseudo) Reverendo João Batista. Dentre as pérolas:
- Venha receber o "pente ungido" nessa grande cruzada.
E o comercial anunciava: "O grande dia da sua vitória está chegando. O reverendo estará na gruta determinando a sua vitória" (anúncio para o Rio de Janeiro). "Nesse dia, pela primeira vez no RJ, estará sendo distribuída a medalha COMIGO NINGUÉM PODE".
É o fim da várzea. É por essas e outras que não me arrependo de ter sumido dos templos. Eles me parecem inúteis. A vida real me é mais interessante, mais lúdica, mais divina.
Pastorada assim tinha que ter vergonha na cara.
Tô fora.

desconfianças

Levi Nauter



Desconfie dos que erguem as palcas nas quais se lê “sou cristão”, ou “administração cristã”, ou “empresa cristã”. Também merecem nossa desconfiança os (pseudo) líderes que se auto-intitulam 'apóstolos', 'bispos', 'profetas', 'reverendos' e até 'pastores'.

Sobretudo, tenham um pé atrás com os que parecem ter consultado alguma numeróloga ou taróloga; afinal, ao serem perguntados pelo nome respondem: “aqui quem está falando é o PASTOR ZEZINHO”. Como assim Pastor Zezinho? O nome não era Zezinho? Sim. Era. Agora fui consagrado. Assim, parece que quando deus 'consagra' ele acrescenta um status.

Não é esse o meu deus.


Pra não dizer que não falei de flores, desconfie também daqueles líderes que não trabalham, mas que, ironicamente, têm um bom estado financeiro. Esse deus já me interessa.


Passe a desconsiderar o deuzinho pobre da mídia. Aquele que cura dor de barriga, dor de cabeça, dedo destroncado, olho roxo e, enquanto isso, deixa problemas muito maiores e relevantes à deriva. Esse tipo de deus também não me interessa.


E o céu?


Ontem caminhava com minha mulher (o 'minha' não significa dominação) e vi algumas mulheres feiamente trajadas (feiamente mesmo!). Todas com a Bíblia na mão (o que, para mim, diz bem pouco). Disse a ela: - se o céu for cheio de gente feia assim o inferno deve ser mais atraente. Ou, quem sabe?, todos sendo anjos as coisas fiquem melhores.


A esperança é a última que morre.

[tipologia cristã] diálogo

Levi Nauter


Um leitor especial andou passando pelo meu blog: Wilson Tonioli. O parceiro tem um interessante blog (www.verticontes.blogspot.com) no qual posta idéia com um bom-humor sem palavras. Foi donde retirei essa “tipologia cristã” - lá com o nome 'Hollywoodianos e afins'. Aproveitei e incluí os comentários do dia, mesmo dessa postagem. Espero não ir para a fogueira nem ser processado pelos fundamentalistas de plantão.


A tipologia é a seguinte:


Crente Walt Disney: sempre tem uma estória pra contar.
Crente Álien: baba quando fala.
Crente Predador: invisível, mas faz um estrago...
Crente Rambo: ninguém agüenta mais suas missões.
Crente Macaulay Culkin: sempre se esquecem dele.
Crente Magaiver: acha solução pra tudo.
Crente Shaekspare: no púlpito é bom em pregar peça.
Crente Richard Gere: faz apelo até às prostitutas.
Crente Johnny Deep: é pirata, mas agrada o público.
Crente Titanic: é profundo, mas ninguém quer embarcar na dele.
Crente Bergman: é “cabeça”, mas nada popular.
Crente Indiana Jones: faz pose de professor certinho, mas adora uma aventura.
Crente Almodóvar: é sempre um problema para os fundamentalistas.
Crente Harry Potter: chegado numa mágica e se sente O escolhido.
Crente homem-aranha: seu maior poder é amarrar os outros.
Crente Sexto Sentido: está morto e não sabe.



Acréscimo a partir dos comentários:

Crente Spilberg: é uma super produção, mas no fundo sabemos que não é lá grande coisa.
Crente M.G.M Studios: é um leão, mas só na tv.
Crente Charlin Chaplin: Faz um grande papel mesmo sem falar nada.

Crente Freddy Krugger: Que te assusta até nos sonhos.
Crente Cinema Brasileiro: Só fala palavrão.
Crente Hitock: Adora fazer Terror e Premonições.


É bem possível ampliarmos essa listagem.
Contribuições são bem-vindas.


[evangelho à força] - levi nauter


Levi Nauter





[evangelho tomado a força] – levi nauter

Encontros fraternos são como sementes. Neles a gente conversa longamente, toma água, chimarrão, café, pastelão, chá, refri, entre outras iguarias. O papo rola solto, despretensioso, desarmado. Ri-se, quase chora-se, conta-se as novidades ou 'velhidades', mas também pode não se falar nada. Um simples abraço fraterno diz tudo. Ocorre que a semente é meio assim: sem grandes pretensões. Porém, de repente, ela cai, brota e pode nascer uma flor ou, no dizer de Gilberto Gil1 (na belíssima Drão), “Morrenasce, trigo, vive morre, pão”.

Aquele bate-papo, aparentemente sem muita importância, vai gerando bifurcações em nosso interior. É como se ele criasse redes internas de assuntos que se checam e coadunam ou se dicotomizam. Foi um pouco do que aconteceu comigo. Obrigado Guto, Camila, Timóteo e Patrícia.


Num certo momento da nossa conversa surgiu um assunto do qual não me orgulho tanto quanto deveria, ou tanto quanto alguns o fazem. Nasci num berço cristão. O detalhe é que nasci num berço fundamentalista, pentecostal. Preferiria ter nascido num berço comum, menos fatalístico, menos repressor, menos desumano. Ter nascido num lar dito cristão, e ainda por cima fundamentalista, não me permitiu ser gente até uma certa data.

Apresentaram-me um Deus carrasco, estraga-prazer. Mostraram-me, na verdade, um escape do inferno. Meu maior desejo era fugir do inferno. Uma vez ouvi uma sermão na qual o preletor dizia “a mim basta ficar em qualquer cantinho, desde que eu esteja no céu”. Um céu assim mais parecerá um inferno.

Desde cedo aprendi o discurso igrejeiro. Ele me aprovava perante a liderança fundamentalista pentecostal. Sabia as palavras de ordem, tanto para cantar quanto para orar no microfone. Sabia quais músicas levavam o povo ao ‘delírio’, ao “céu”. Mas cansei de tudo. Como diria Rita Lee, “me cansei de lero, lero”. Abandonei uma denominação tida como detentora da verdade e do pioneirismo evangélico no Brasil. Fui para uma, digamos, mais light. Ledo engano, havia um legalismo velado, havia a discrepância discurso x prática tanto quanto em outra denominações. Desanimei. Hoje sou um cristão sem igreja. Sou um descongregado. As denominações, na perpetuação da Teologia do Medo, optam por chamar isso de desviado. Não me importo.


Disse isso porque as pessoas que não nasceram num berço fundamentalista não conseguem entender um Deus carrasco, um deus tipo câmera de reality show. Quem não vem desse mundo opressor não compreende a dificuldade que é mudar o conceito de Deus Justiceiro para o Deus Pai. O fundamentalismo conhece o Deus Pau, não o Pai.

Antes de continuar, convido você a ler um trecho da música de Chico Cesar e Vanessa da Mata2, chamada A força que nunca seca:

Já se pode ver ao longe

A senhora com a lata na cabeça

Equilibrando a lata vesga

Mais do que o corpo dita

O que faz o equilíbrio cego

A lata não mostra

O corpo que entorta

Pra lata ficar reta


É exatamente esse o exercício que um ex-fundamentalista faz cotidianamente. A fim de que tudo fique bem se faz uma força para ter esperança. Opta-se por um outro evangelho, um evangelho mais humano (não humanista como alguns gostam de taxar), de mais tete-a-tete com as pessoas. Um evangelho sem dados estatísticos, sem pirotecnias, sem julgamentos (embora com opinião). A lata reta significa estar vivendo (no gerúndio mesmo), lutando contra um evangelho midiático. A lata reta é a capacidade de servir a Cristo, mas em off, sem ninguém ver – a não ser Deus. A lata reta é ser sal e luz fora das quatro paredes igrejeiras; afinal, é fora que interessa.

Mas há algo que a lata não mostra. O corpo se entortando para equilibrá-la. É o evangelho velho querendo tomar o lugar do outro evangelho. O evangelho que se fixa num templo contradizendo o evangelho de Jesus que saía a visitar o submundo. O corpo se entorta para que o evangelho fique mais reto, mais digno, mais abundante. O corpo se entorta porque não há receitas; para viver aventuras com Deus não há script.

A poesia inicia com “se pode ver ao longe” porque esse evangelho não é popular, nem populesco apelativo de multidões. É um evangelho para poucos, para os que não precisam de alguém que os guie como se fossem cegos: vai pra cá, vai pra lá. É para poucos porque não possui ‘sete passos para...’. Não é popular porque Deus brinca de esconde-esconde: está na tempestade, na brisa suave, no ônibus, no trem, no frio aqui do Sul do Brasil. Ele também está na arte escrita, esconde-se por trás das palavras; na poesia de um Neruda; está no reflexo de um Picasso e todo-poderoso numa Tarsila do Amaral. Está na textura de um quadro. Está na sonoridade dos instrumentos musicais.

Se pode ver ao longe porque não tem redes de mídia. Se faz no atelier, na biblioteca, na mente do compositor, do poeta. Sobretudo, está naqueles a quem criou, com tanto afinco, à sua imagem e semelhança. Por isso um bate-papo é semente.

O Deus que eu sirvo é um Deus que se contextualiza e, por isso, agora, é pós-moderno. Por isso não quer guerra; respeita as diferenças e exige isso de mim. O Deus que eu sirvo alivia o fardo e torna o jugo suave. Um evangelho que não faz isso não me interessa. O evangelho que mostra mais o inferno que o céu é um evangelho desgraçado, nele não há Graça.

O Deus que eu sirvo me dá vida em abundância. Não quer que eu tenha medo do amanhã; não quer que eu me sinta acuado pelos medalhões de um evangelho torno, vesgo. Deu-me a oportunidade de conversar com muita gente e reter delas o que é bom.

Só esse evangelho me permite viver em novidade de vida. Dependo completamente de Deus. Ele é a minha força. O resto é o resto.



ILUSTRAÇÃO
Retrato de Pagu, por Di Cavalcanti.In ZATZ, Lia. Pagu. São Paulo Instituto Callis, 2005. Projeto gráfico de Camila Mesquita. Coleção ?A luta de cada um?. P.33.




1Caetano Veloso, no DVD Prenda Minha, interpreta de modo maravilhoso essa música.

2 A Vanessa pôs essa canção no seu primeiro CD. Com Chico Cesar é possível encontrar na coletânea Novo Millenium. As duas interpretações são ótimas, cada um com seu estilo pessoal, o que enriquece a arte.










frases que ouço porque saí da Igreja 7 - levi nauter

Levi Nauter


Cheguei para trabalhar na escola e econtrei o bilhete acima Qual será a intenção da pessoa que o deixou aqui? Correção gramatical? Converter-me? Prefiro achar foi uma brincadeira.

Acho um mau gosto estético o que, de antemão, reflete possivelmente aquilo que se ouve no templo.




Caetano e Cristo - por Mark Carpenter, Ultimato-

Quem pensa que sabe como são os africanos nunca imaginaria que Mia Couto fosse natural do continente negro. O romancista mais celebrado de Moçambique é branco, enche seus livros do realismo mágico da tradição latino-americana e tem um estilo que lembra Guimarães Rosa. Foi contado entre os melhores escritores africanos do século 20.

Em entrevista recente ao Estadão, perguntaram-lhe se há influência brasileira em sua literatura. Respondeu: “Sim. Ela veio justamente da música de Chico, de Caetano. Muitos músicos moçambicanos tinham tentado cantar em português, mas o português duro, rápido, de Portugal, não tinha musicalidade. Aí ouvimos Chico, Caetano, Gil e descobrimos que o português poderia ser outra coisa. Foi uma descoberta.”

Talvez tenha sido crítico demais ao português dos fadistas e trovadores, mas a descoberta de que a língua da mera comunicação corriqueira poderia ser também a língua da poesia e dos sonhos abriu-lhe um novo mundo. Muitos anos mais tarde, o comitê Nobel também reconheceu que a língua portuguesa possui a maleabilidade necessária para ser talhada por alguém com o talento de José Saramago. Aqueles que se importam com os idiomas enxergam na nossa gramática, nos nossos vocábulos e na nossa sintaxe as ferramentas para criar e perpetuar aquilo que só existe na língua. O português pode ser usado para emocionar, agregar e inspirar.

Como cristãos, temos o privilégio de servir e adorar a um Deus literário. A linguagem da Bíblia evidencia sua preocupação com a arte de expressar-se. Há nela não apenas a Verdade Revelada, mas as múltiplas verdades reveladas por meio de uma riqueza estonteante de poemas, acrósticos, canções, parábolas, paralelismos, hipérboles, metáforas, figuras de linguagem e artifícios da retórica. Não resta a menor dúvida de que Deus — o Verbo — se relaciona conosco através da Palavra, e que esta palavra tem forma intencional, bela e artística. Leland Ryken afirma que “os escritores da Bíblia e o próprio Jesus Cristo perceberam que é impossível comunicar a verdade de Deus sem usar os recursos da imaginação. A Bíblia faz muito mais que apenas sancionar o uso da arte. Ela demonstra que a arte é indispensável (“The Imagination as a Means of Grace”, Communiqué, 2003).

Penso, às vezes, que a linguagem usada em muitas igrejas é como o português “duro e rápido” que Mia Couto ouvia quando criança. É utilitária, descritiva e funcional, mas carece do tipo de imagística e musicalidade que despertam a alma. Como pastores e líderes, concentramo-nos no conteúdo de nossas doutrinas em detrimento de sua forma. Esquecemos que a Bíblia não divide a arte em sacra e secular. Nela, a arte possui valor igual tanto em ambientes de louvor quanto do cotidiano (Nm 21.16-18; Is 16.10; 52.8-9).

Como seria se nossos pastores se importassem tanto com a linguagem quanto se importam Chico, Caetano e Gil, assim também como Davi, Salomão e Jesus? Tenho a impressão que, se a poesia de nossas teologias saturasse as nossas palavras, os muitos Mias Coutos das nossas congregações de repente ouviriam algo diferente, algo novo, capaz de agarrar suas imaginações, inspirar-lhes e enviar-lhes correndo de volta à Palavra, fonte de nossa inspiração.


Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.


Fonte: Revista Ultimato [http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2102&secMestre=2154&sec=2177&num_edicao=312]




frases que ouço porque saí da Igreja 6 - levi nauter

Levi Nauter



Um pastor dessas modernas megaigrejas neopentecostais, que comecei chamar de "créupentecostais", em programa de rádio, tentando captar a atenção dos ouvintes para uma de suas reuniões 'de vitória'.

- Deus tem uma bênção que vai mudar sua vida. Dues quer que sejamos abençoados, muito abençoados. Ele tem a cura para você. Afinal:
- você já ouviu falar de algum paralítico no céu?
- você já ouviu dizer que um anjo estava com dor de cabeça?


PS: Essa, nem com Xico Xavier dá pra agüentar.

frases que ouço porque saí da Igreja 5 - levi nauter

Levi Nauter


Um homem a quem respeito e de quem muito discordo.

- Olá, senhor! Você não acha a igreja inútil? Afinal, por que ela não está nem aí para as crises nos relacionamentos - pai contra filho, filho contra pai, irmão contra irmão?
- Olha, disse-me o "obreiro", as pessoas só vão à igreja porque têm uma eternidade a enfrentar!

Fiquei pensando que, se assim for, mais inútil ainda ela é. Onde já se viu ser cristão por medo do inferno?

Espero que mais igrejas fechem as portas.

frases que ouço porque saí da Igreja 4 - levi nauter

Levi Nauter


Encontro um rapaz no caminho que me pára e logo diz:
- Muito fui abençoado quando tu cantavas na igreja...
- Ah é? Que bom, fico feliz!
- Onde estás congregando?
- Não estou. Acho que a igreja não me encanta mais.

- Vou orar para Deus te restituir!

Esse é o discurso igrejeiro: quem está fora não presta. Na concepção da Teologia do Medo, o forasteiro está perdendo. Restituir o quê?


[fui ao culto] - levi nauter


Levi Nauter




"Basta que a poesia seja ouvida para que a morte se ponha a correr." Rubem Alves





Há muito não participava de uma 'concentração' iniciando às 18h. Era domingo, o dia estivera maravilhoso e o início da semana deveria ser bem marcado. A casa estava lotada, umas setecentas pessoas alvoroçadas. Havia adoradores e quem ministrava era uma bela mulher, com rara afinação e timbre vocais.

A mensagem era maravilhosa. Um leque de temas incríveis. Bem escrito, fugia do senso comum, daqueles apelos fatalisticos tão comuns no meio atual.

Todas as pessoas ganhavam, na entrada, um esboço com toda a programação. Nele, foto da ministra de louvor e o tema das mensagens. Esqueci de dizer: eram várias mensagens. Incrivelmente, ninguém possuía ar de cansado, de quem quisesse ir embora. Acho que o culto poderia durar mais umas duas horas e ninguém sairia, o que não é tão normal assim.

Todos os fiéis cantavam os louvores euforicamente. Havia choro, muitas palmas, bastante risada, um bom número de silêncio e muito, muito êxtase. Teve até profecia, com nome e tudo. "Você, você", uma rara mescla de simplicidade e profundidade. Foi bênção pura!!!

Essa é a sensação que tenho depois de deixar o belo Theatro São Pedro, onde assisti - com minha amada Lu - a um espetáculo indizível da sempre maravilhosa Mônica Salmaso. Pois, ela estava lançando o CD "Noites de gala, samba na rua", com participação do não menos excelente quinteto Pau Brasil. Um show desses vale cada centavo que se paga.

meu jardim

meu jardim
minhas flores

minha alegria

minha alegria
Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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  • textos sobre EDUCAÇÃO (livros, revistas, artigos)
  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier