video 18 - música para o feriado

Levi Nauter



Há uma infinidade de cantores que atraem meus ouvidos. Sou um chato em matéria musical porque não sou dado a celebridades do midiático mundo gospel. No entanto, alguns nomes sobressaem pela qualidade das músicas que compõem ou escolhem para interpretar. Também não sou do tipo que ergue a bandeira do “melhor cantor (a) gospel da atualidade”; eu fora dessa. Ouço música pela arte mesmo e não pelo conteúdo ser ou não sacro. Arte e beleza, isso me parece imprescindível.
Sem mais delongas, deixo para o feriado dois clipes de dois cantores que aprecio há algum tempo. O velho e bom Don Moen e a bela Christy Nockels, esta o xodózinho da Mariana Valadão. Gosto de suas performances nas conferências Passion. Espero que gostem também. A música que escolhi do Don é parte do maravilhoso trabalho chamado Thank you Lord. Da Christy selecionei uma parceria com o Chris Tomlin na Conferência Passion. A música do Don Moen também é belamente cantada pela pastora irlandesa Kathryn Scott no seu primeiro CD, vale a pena ouvir a versão dela na internet. Espero que vocês gostem.

















o lançamento de louvor mais aguardado do ano

Levi Nauter


Aqueles que gostam de um ‘adorador’, de um ‘mover de deus’, bem como aqueles que dizem que Ele ‘está levantando uma geração disso ou daquilo’ (ainda que não se veja) e todos os que apreciam músicas com poucas notas, mas carregado de ritmos mais norte-americanizados ou europeizados não podem deixar de ouvir esse disco. Ele tem tudo para ser rodado naquelas rádios que se acham pura unção (como se demonstra isso?) ou nas que semeiam Jesus e colhem vidas (e não pessoas), entre outras. As músicas foram, ao que parece, pensadas para ‘pegarem’ o ouvinte; aquelas que a gente passa o resto do dia cantando-as.
O disco a que me refiro ainda sai na frente dos chamados cantores midiáticos ‘gospeis’. Isso porque as letras são um pouco melhores, claramente revelam alegrias e tristezas – ao contrário das ‘góspeis’ que atualmente só buscam coisinhas boas de Jesus. Em vez de lascar a obviedade de que Jesus é a solução, opta por questionar-se na bela canção Quem eu sou. A melancolia de Tempo mistura uma poesia interessante. Perdida e salva faz um belo diálogo com termos aparentemente dicotômicos – e o violão ficou bem bonito, além da linha melódica que a cantora seguiu.
De quem falei até agora? Da Sandy e seu primeiro CD solo Manuscrito.
Ouça e seja abençoado. Se possível, sinta saudade da música brasileira.


férias de inverno


Levi Nauter


Logo, logo estarei curtindo minhas férias de inverno. De 26-7 até o dia 08-08 vou aproveitar para colocar meus textos em dia, bem como as minhas leituras. Além disso, quero brincar bastante com minha amadinha e minha amadona. Quero pôr em dia as visitas que devo aos meus poucos amigos devido a uma pesada carga horária de 60 horas semanais.
Tentarei polir, melhorar, alguns textos que rabisquei nesse primeiro semestre. A volta de Cristo ou o fim do mundo, A minha Meca – são alguns exemplos. Textos que envolvam conceitos musicais e textos que fazem uma reflexão sobre a quase falida educação pública brasileira.
Mas sem atropelos. Primeiro a minha vida familiar, depois, se der tempo, as outras coisas.
Então, até dia 09-08.
Fiquem com Deus.

DESIGREJADOS


Enquanto não me chega a época do recesso escolar e a falta de tempo para escrever toma conta, deixo dois bons textos do viajado Hermes C. Fernandes. Ele escreveu sobre os milhoes de brasileiros que vivem como eu: cristãos, sem igreja.

Até mais,

LN





Jesus peitou o sistema religioso de Sua época, mesmo sabendo o alto preço que teria que pagar por Seu atrevimento.

Ele disse que faríamos obras ainda maiores. E por quê maiores? Quem somos nós para superarmos o nosso Mestre?

O fato é que, quando Jesus caminhou entre nós, o sistema religioso, por mais refinado que parecesse, ainda era rudimentar em comparação aos nossos dias.

Hoje, se quisermos seguir os passos de Cristo, teremos que peitar uma verdadeira
indústria religiosa, onde as pessoas são vistas, ora como produtos, ora como clientes, e ora como engrenagens.

O que muitas vezes é chamado "discipulado", nada mais é do que a produção de
seguidores em série, soldadinhos de chumbo, réplicas perfeitas de seus mentores.

Não foi isso que Jesus planejou quando recrutou Seus primeiros discípulos na Galiléia. Jamais foi Sua pretensão que a igreja se tornasse numa fábrica de lunáticos.

O discipulado autêntico é aquele que nos desafia a
encarnar a mensagem de Cristo, tornando-nos agentes transformadores do Reino, inseridos numa sociedade corrompida. O verdadeiro discipulado é o que envia ovelhas para o meio dos lobos.

O mais importante não é encher a igreja, mas encher o Mundo com o conhecimento de Deus.

Enquanto quebramos maldições hereditárias, o abismo entre gerações se acentua, e assim, 'maldições existenciais' se perpetuam.

Buscamos cura interior, enquanto lá fora, há chagas sociais que precisam cicatrizar, hemorragias que ainda não foram estancadas.

Discutimos o
sexo do anjos, enquanto pequenos anjos, abandonados nas ruas, são molestados diariamente por quem deveria protegê-los.

Reagimos violentamente contra leis que poderiam prejudicar a igreja, mas não nos importamos com leis que prejudicam os mais necessitados.

Mania de coar mosquitos e engolir camelos!

- Limpem bem seus pés quando entrarem no templo para não estragar o carpete novo.
Amém ou não amém? E não se esqueçam de se escrever em mais um congresso a ser realizado no hotel tal, por uma bagatela de 400 reais.

Tornamo-nos uma
caricatura da igreja de Jesus.

Enquanto a sociedade se debruça sobre questões de primeira grandeza, voltamo-nos para nós mesmos, preocupados com questiúnculas.

- Não podemos perder para os gays, não é verdade? Se eles reuniram três milhões em sua infame parada, vamos reunir o dobro em nossa marcha pra Jesus.

Grande coisa!

Ah se os crentes soubessem que muitos desses manifestos são apenas demonstrações de poder político!

É por essas e outras que, a cada dia, cresce assustadoramente o número de
desigrejados. Uma massa descontente com os rumos tomados pelas igrejas.

Quando sairemos às ruas em favor do oprimido? Quando deixaremos de lado nossa postura arrogante e estenderemos as mãos aos necessitados?

Enquanto mantivermos o
dedo em riste, em espírito inquisitório, o mundo nos dará outro dedo.

Quando as igrejas deixarem de ser currais eleitorais, e se tornarem centros de cidadania; quando deixarem de se preocupar com o próprio umbigo, e voltar-se para fora, então a esperança triunfará. O dedo que antes apontava os erros, passará a indicar o caminho.





Acredito ter sido o primeiro a usar a expressão “desigrejados”. Estava em busca de uma palavra que expressasse a condição de muitos cristãos de nossos dias, daí surgiu esse neologismo. Aqui nos Estados Unidos, cunhou-se a expressão “churchless” para designar esta enorme massa de crentes que deixaram os currais denominacionais para servirem a Deus em seu próprio ambiente doméstico.
Ser “desigrejado” não é o mesmo que ser “desviado”. O desviado seria aquele que não apenas deixou a igreja, mas afastou-se do próprio Cristo, voltando às práticas pecaminosas que antes dominavam sua vida.
Já o desigrejado não pretende afastar-se de Cristo, nem de Seus ensinamentos, mas tão-somente da máquina eclesiástica.
Solidarizo-me com os milhões de desigrejados espalhados em nosso País, ainda que eu mesmo não me considere propriamente um.
Embora seja bispo de uma igreja sediada no Brasil, tenho experimentado um pouco da sensação de ser desigrejado durante meu exílio aqui nos Estados Unidos. Não deixei de pregar para nossa igreja, ainda que via Skype com freqüência semanal. Até a Ceia tenho celebrado com minha família, com transmissão ao vivo para o Brasil. Nosso povo lá, e nós aqui, todos ao redor da Mesa do Senhor. Embora unidos no espírito, temos estado separados fisicamente por mais de um ano. Temos saudade do calor humano, do cheiro de gente, das atividades da igreja, etc.
Creio que esta sensação de exílio tem sido sentida por muitos desigrejados. No meu caso, devido à distância geográfica. Mas para muitos, deve-se a outros fatores, tais como, discordância doutrinária, não conformismo com a maneira em que a igreja tem sido conduzida, etc.
Os blogs apololéticos têm servido de púlpito para muitos desses cristãos autênticos, que decidiram não se dobrar ao espírito de Mamom. Eles se alimentam do que neles têm sido postados diariamente.
Infelizmente, não dá para dizer o mesmo da maioria dos programas evangélicos veiculados nos canais de TV ou em emissoras de rádio, onde a marca registrada é o proselitismo descarado.
Fenômeno semelhante ocorreu durante os dias da igreja primitiva. Houve um êxodo de cristãos que abandonaram o templo em Jerusalém e as sinagogas espalhadas pelo império, para servir a Deus em suas próprias casas. Santuários cristãos só surgiriam séculos depois com a paganização do cristianismo.
Os desigrejados não estão abandonando a Igreja, como geralmente se alega, e sim as estruturas denominacionais que se arrogam o direito de se intitular “igreja”. A Igreja de Cristo não é e nunca foi presbiteriana, batista, metodista, pentecostal, episcopal ou coisa parecida. Tais termos designam estruturas eclesiásticas. Isso inclui a denominação que presido. Muitíssimas vezes tenho declarado em nossos cultos: O Reino é muito maior que a REINA (nome de nossa denominação). O problema é que estamos mais preocupados em preservar os odres do que o vinho.
As estruturas denominacionais servem como andaimes usados na construção da genuína Igreja. Depois que esta estiver pronta, de nada servirão aquelas. Foram feitas pra acabar.
Meu conselho aos desigrejados é que busquem unir-se para cultuar a Deus e dar testemunho do Seu amor. Seu desânimo para com as instituições é justo. Mas não permitam que isso lhes afaste da prática do primeiro amor.



sem marcas

Levi Nauter


A cada texto que escrevo fico na expectativa de o que me sobrevirá. Geralmente sou contestado devido à ousadia (nem tanto assim) de, do meu jeito, questionar uma série de coisas  nem tão evangélicas dentro dos templos evangélicos. Nessas ocasiões, meus críticos lançam mão de diversas táticas a fim de meterem medo ou, pelo menos, fazerem daquilo que escrevo algo inócuo. Há, ainda, os que não me leem para não se contaminarem e muito menos para se desviarem dos 'propósitos'.
Mais surpreendente tem sido ler que sou pouco propositivo. Critico bastante, dizem alguns leitores, e proponho muito pouco. Houve até quem me sugerisse escrever somente aquilo que eu gostaria de encontrar numa igreja. O que me traria de volta para a igreja? O que me faria dar um fim no meu 'desviamento'? O que não me deixaria mais ficar parado? Noto, a partir de tais observações, que muito pouco dos cristãos que me leram entenderam minha proposta. Tudo vem corroborar minha perspectiva quanto ao leitor: a compreensão, bem como a interpretação de um texto depende das crenças (da cultura), da cosmovisão, do leitor. Ou seja, o que eu digo ou o que eu acho parte de algum lugar e nem sempre (quiçá nunca) será compreendido.
Ora, quando critico a igreja não significa desrespeitar os 'igrejeiros'. Mas significa que aquilo que estou narrando incomoda-me na igreja. Portanto, a leitura por trás do texto é a negação daquilo dito. Por exemplo, quando digo que o louvor musical brasileiro está australiano significa dizer que eu gostaria de cantar samba, choro ou bossa em vez de, como um papagaio, repetir os chamados the best (coisa que eu não acho que sejam). Se digo (e faço seguidamente isso) que as mensagens dos televangelistas estão mais para auto-ajuda que para bíblicas parece-me óbvio que gostaria que elas tivessem mais profundidade e conteúdo. Mas ai de quem ouse criticar Silas Malafaia, RR Soares, Juanribe Pagliarin, entre tantos e tantos outros que existem e, certamente, surgirão.
Não faço isso por vingança. Não tive uma decepção com algum líder. Minha relação com as pessoas das denominações por que passei (duas, no total) é como deve ser: respeitosa. Procurei contribuir enquanto por elas estive; chegou um momento, porém, que as dicotomias eram tais que tive de tomar decisões. Considerei muito melhor sair a causar danos, servir de tropeço para recém nascidos na fé. E não me arrependo. Fui tachado de tudo que se possa imaginar. Ouvi até palavras de baixo calão de alguns (pseudo)líderes – gente que, sem temor, acha-se no direito de bradar: “eu te abençoo”, “eu te dou a bênção” - como se tivessem poderes divinos.
Já recebi propostas as mais diversas de retorno. O problema é que ou eram calcadas em valores ('não tá afim de tocar na igreja nova que estou montando? Dá um troco bom) ou no medo (se você não vem pelo amor, virá pela dor). Cansei disso. Às vezes penso em retomar o caminho da institucionalização; é mais fácil. Também penso em achar um lugar para conviver com outros cristãos, principalmente quando penso na minha filha. Ainda considero que o cristianismo é uma boa opção de crença, possui um bom padrão moral e ético. Hoje, meu retorno teria tudo a ver com cristianizar minha filha. Não tomamos (eu e a Lu) uma decisão sobre isso ainda. Questiono a mim mesmo se seria proveitoso perder a liberdade que tenho no momento. Sim, porque a instituição – a fim de sobreviver – tira a liberdade de seus fieis e põe-lhes, tocando as culpas em Deus (“a obra é Dele”, “Ele vai te abençoar” e bla-bla-blá...), compromissos: frequência, participação em eventos e contribuições financeiras. Se é verdade o que já me disseram, ainda não estou morto o suficiente para ser cristão verdadeiro.
Por ora, quero é não cair nesse engodo midiático-cristão que aí está. Não tenho nenhuma instituição, não defendo nenhuma ideologia dessas que trazem slogans de efeitos (Deus é fiel, p.e.). Minha única dependência é de Deus. Meu maior compromisso aqui na Terra é viver dignamente e buscar proporcionar isso à minha família – minha filha e minha mulher – e, em seguida, aos meus pares humanos.
E se posso pedir algo aos poucos que me leem: não distorçam o que escrevo. Leiam nas entrelinhas (que é onde eu prefiro dizer mais), leiam os outros textos (todos, de preferência). Mas não distorçam. 
Esquadrinhem-me, mas com misericórdia.

confusão

Levi Nauter 



Infelizmente, alguns confundem síndrome de down com  
estar  meio 'down'.

web crentes

Levi Nauter


O que significa ser cristão em tempos de tecnologia? Entre tantas parafernálias (twitter, orkut, facebook...), ficamos saturados de informação (e não de conhecimento) e achamos - por vezes - que isso é tudo. Mas vem o Wilson Tonioli e dá-nos uma luz dos reflexos disso (he, he, he, he).

Crente Banda Larga: Acha que quanto mais informações por segundo conseguir transmitir, melhor será.

Crente Blog: Vive de comentários, e se magoa se ninguém lhe visita.

Crente Ctrl C Ctrl V: Julga todas as coisas, retém o que é bom e repassa tudo que é ruim.

Crente Download: Quer curar vírus, mas vive baixando espíritos.

Crente Email: Aborda tudo o que é assunto e espalha boatos como ninguém.

Crente Google: Acha que só ele consegue Buscar o Reino de Deus.

Crente Link: É sublinhado, destacado, e com imposição da mãozinha traz muitas revelações.

Crente Orkut: Fala errado pra kcete, mas muitos não ficam sem ele.

Crente Spam: Se intromete sem ser chamado.

Crente Twitter: Paranóico, acha que quanto mais pessoas o perseguirem, mas abençoado será.





FONTE: http://verticontes.blogspot.com/ 

OPUS DEI – sugestão de leitura

Levi Nauter

 

Acabo de ler um livro que bem poderia fazer parte da minha acepção pessoal para obra[i]. Seu conteúdo busca, pela metalinguagem, dizer-nos dos males causados aquele que segue essa entidade que é apoiada pela igreja católica.
O livro chama-se Opus Dei, os bastidores[ii].
Os autores não poupam críticas ao movimento recente no Brasil. E nada da falaciosa ‘crítica construtiva’. Denunciam mesmo as atrocidades que se faz com o psicológico dos frequentadores. As táticas utilizadas, os meandros dos bastidores, o discurso, enfim, tudo está lá exposto. Para não ficar só no lamento pelo lamento, há citações de outros discordantes e testemunhos de alguns que, digamos, se libertaram das amarras discursivas a ponto de fazerem o contraponto. Há gente famosa lá citada, tais personalidades ajudam a manter o status de entidade com fé pública.
A escrita é leve, sem pedâncias, por vezes beira o simplismo. Mas o conteúdo e que se traz à luz compensa algum eventual cansaço na leitura. O processo de exploração e as estratégias de crescimento numérico (de recursos humanos e de recursos financeiros) estão acima daquilo que se esperaria de uma entidade cristã. Chega-se à conclusão de que se segue uma fé prostituida. Uma fé vesga.
Enquanto lia, pensava nas denominações evangélicas que, aos borbotões, andam fazendo um estrago nas ditas almas. Lamentavelmente, poucos reagem em oposição a esses chamados líderes (pastores, bispos, apóstolos, entre tantos outros nomes ‘criativos’). Há uma frenética busca pelo dinheiro e pelo ter a qualquer custo. E a reação dos pacatos fiéis continua nula.
Igualmente pensei em quão rigorosos deveríamos ser ao utilizarmos nomes para eventos cristãos. Opus Dei tem um significado lindo, porém, ao que tudo indica a história vem paulatinamente tratando de denegrir, distorcer o significado original. É profundamente lamentável que ainda haja quem se considere imune às influências de um peso histórico do nome. É, portanto, inadmissível a um grupo evangélico que opte por ter um grupo chamado Opus Dei simplesmente porque a tradução literal dá-nos ‘obra de Deus’.
Ah, quem dera o cristão fosse mais parecido com Cristo...




[i] Minha opinião pessoal é a de que só merece o título de OBRA aquele livro (num primeiro olhar a publicação é apenas livro; ao fim, talvez, torne-se obra) cujo conteúdo transcende as páginas e leva-nos para uma parte da História da humanidade, a fim de fazer-nos refleti-la – preferencialmente sob um ângulo que saia do senso comum. Também merece esse título a ficção que, de alguma forma, transpõe-nos para um passado, um presente ou um futuro em cuja realidade a vida imita a arte. Em síntese, a obra precisa causar em nós algum tipo de suspiro (fruto de uma espécie de assombro, de desacomodação) no final da última página.
[ii] Mais especificamente, chama-se Opus Dei, os bastidores: história, análise, testemunhos. Os autores são Dario Fortes Ferreira, Jean Lauand e Marcio Fernandes da Silva. Li a publicação da Verus Editora, de 2005.




planejamentos

por Levi Nauter




A beleza existe porque o ser humano é capaz de sonhar.
Moacir Gadotti


Curtindo intensamente minhas férias, praticamente abandonei as postagens dos blogs. Divido meu tempo entre filmes, séries, documentários; leituras e muita música. Mas essencialmente com minha filha. Contudo, tenho arranjado tempo para cuidar da manutenção da casa (um conserto aqui, uma pitura ali, uma massa corrida lá etc.) e de alguns projetos para esse ano. Vamos a eles.

Primeiro projeto: novo blog.
Todos sabem da minha felicidade em ser pai. Jamais imaginei minha vida sem esse santo furdunço. No ano do primeiro aniversário da minha filha, decidi criar um espaço virtual para nós: À FLOR DA MINHA VIDA (clique no link DE PAI PRA FILHA[i]). Todos os textos por lá serão escritos – primordialmente – à minha querida filha. Comentários, sugestões, críticas e contribuições serão bem-vindos, desde que respeitado o espaço paternal e filial.
Meu sonho é grande. Espero que a junção de textos (sem periodicidade definida) tenha vida longa. Meu desejo é que a Maria Flor leia, mastigue e regurgite tudo na forma de um belo bate-papo entre pai e filha. Enquanto isso, tenho muito a escrever.
Fica o convite para que você, leitor, acesse o blog, leia-o, comente-o e divulgue-o.

Segundo projeto: sobre música.
No blog ANOTAÇÕES...[ii] pretendo iniciar um conjunto de textos que chamarei de PAPOS MUSICAIS. A finalidade há de ser tratar a música com um olhar crítico, contudo, sem muitos rótulos (porque uns poucos todos temos). Meu objetivo será levar a reflexão para o campo da arte e não para a ‘louvação’, a priori. De um lado, não sou um expert no assunto, não possuo formação acadêmica na área; mas, por outro lado, tenho a experiência de ter sido um músico atuante durante uns vinte e poucos anos, bem como a experiência de participar de cursos informais que debatiam a importância da audição, da escuta mesmo. Além do que tenho lido tanta bobagem sobre música que considero razoável uma reflexão mais pausada, mais pensada. Será interessante debatermos sobre alguns conceitos ainda distorcidos entre nós. Então é aguardar o primeiro texto.
Continuarei com os DIÁLOGOS SOBRE A EDUCAÇÃO cuja temática está clara no título. Em 2009 participei de algumas formações na região metropolitana de Porto Alegre. Quero compartilhar em pelo menos um texto da experiência de ter dialogado com docentes e discentes num evento patrocinado pelo Instituto Unibanco. As postagens estarão no LEVI NA INTERNET[iii].
Tanto em ANOTAÇÕES SOBRE UM CRISTIANISMO quanto em LEVI NA INTERNET pretendo continuar postando o que tenho dado o título de FALA MESTRE: falas e /ou trechos de gente que possui um certo peso na minha iniciante intelectualidade.
Nos três blogs (indicados abaixo) postarei resenhas, um gosto adquirido na faculdade.
Enfim, conto com a divulgação dos amigos leitores e dos meus seguidores.
Mãos à obra.
 
 









video 17 - noite feliz

Acho a voz da Nash maravilhosa. Uma delicadeza! Parte o CD natalino do Sixpence None the Richer, Silent Nigth ficou linda.




Igreja Gay: uma vergonha para os evangélicos

por Hermes Fernandes, via Pavablog*



Semana passada, no dia 27 de Novembro, uma das rádios evangélicas de maior popularidade do Brasil exibiu um debate sobre homossexualismo. Entre os participantes estavam o Pr. Silas Malafaia, o Desembargador Fábio Dutra, o Pr. Paulo Afonso, o Pr. Augusto Miranda, o Pr. Paulo César e o Pr. Marcos Gladstone. Este último é líder da Igreja Contemporânea do Rio de Janeiro, conhecida como "igreja gay".

Gladstone é homossexual assumido, e declara ser casado com seu companheiro e também pastor Fábio Inácio.

O debate poderia ter sido muito proveitoso, caso não houvesse alguns momentos desrespeitosos, onde as partes se atacaram mutuamente.

Silas, como sempre, vociferou suas opiniões sem o menor recato, chegando ao cúmulo de referir-se aos seus opositores que assistiam no auditório da rádio como "bonecas". No final, retratou-se, sabendo que isso poderia lhe render uma ação jurídica.

Se todos mantivessem a linha, muitas coisas poderiam ter sido esclarecidas. Oportunidade desperdiçada.

Tive pena do Gladstone. Embora discorde de seus posicionamentos, acho que ele merece respeito, como qualquer ser humano.

Silas disse que não há igreja evangélica gay, nem tampouco "pastor gay". Gladstone, para revidar, afirmou que era pastor reconhecido pela Federação de Teólogos do Brasil (ou algo do gênero).


Um dos momentos mais curiosos foi quando Gladstone afirmou que muitos pastores e filhos de pastores já o procuraram em sua igreja, confessando que eram gays. Não duvido nada! Conheço o caso em que um pastor foi flagrado sentado no colo de um obreiro.

Definitivamente, a igreja evangélica brasileira não está preparada para discutir um assunto tão polêmico como este. Falta maturidade, finesse, e sobretudo, amor.

Por que acho que é uma vergonha para os evangélicos que haja uma igreja gay? Simples. Esta igreja só surgiu para preencher uma lacuna deixada pela igreja evangélica. Se os gays fossem acolhidos em nossas comunidades, a fim de que fossem expostos à Palavra de Deus, eles não teriam qualquer razão para buscar uma igreja dedicada exclusivamente a eles.

Não estou dizendo que as igrejas deveriam legitimar sua conduta. Não! Apenas afirmo que devemos ser mais misericordiosos, compassivos, agindo mais ou menos como nosso Mestre agiria.

Me recuso a acreditar que Jesus os rechaçaria. Também não acredito que Ele estimularia que Seus seguidores se entrincheirassem contra os homossexuais, como tem sido feito.

Tornamo-nos seus inimigos número 1. Como poderemos evangelizá-los? Como poderemos conduzi-los aos pés do Salvador?

Será que somos melhores do que eles? Será que nossa avareza, idolatria, inveja, carnalidade, ocupam um lugar de menor importância dentro da lista de pecados condenados pela Palavra?

Sinceramente, creio que a Igreja deveria se manifestar solidária a todo grupo humano minoritário que buscasse ser respeitado. Sem endossar qualquer que fosse a conduta pecaminosa, deveríamos comprar uma briga pelas prostitutas, homossexuais, seguidores das religiões afro-brasileiras, ciganos, etc.


Te escandalizei?

Pois o Cristo a quem sirvo também escandalizou os religiosos pudicos de Sua época ao colocar-se em defesa da mulher adúltera, desmascarando a pseudosantidade dos religiosos que queriam apedrejá-la.

Tornamo-nos tão diferentes de Jesus. Estamos sempre do lado errado. Do lado dos poderosos, dos mantenedores do Status Quo, dos corruptos, dos salafrários.

Repito: não acho que devemos baratear a mensagem do Evangelho, endossando qualquer conduta que não se coadune com seus valores e princípios.

Porém, acredito que devemos usar de misericórdia, tanto quanto dela necessitamos. Afinal, são os misericordiosos que alcançarão misericórdia.

Ao xingar seus oponentes de 'bonecas', ou 'meninas', Silas Malafaia revelou o lado preconceituoso daqueles a quem ele julga representar. Foi um desserviço à causa do Evangelho.

Nunca vi ninguém se converter no calor de uma discussão.

Se queremos ser respeitados, devemos, antes de tudo, respeitar, mesmo o mais vil pecador. Não somos melhores do que eles.

Que tal se olharmos para nós mesmos como fez Paulo, que considerou-se o principal dos pecadores?

Que tal se deixarmos de olhar para o outro de cima pra baixo, e considerar-nos igualmente carentes da graça de Deus?

Que o Projeto de Lei 122 precisa de ajustes, não resta dúvida. Mas não será com xingamentos e ataques que vamos reverter isso.

O que não se pode negar é que o debate serve mesmo é a interesses políticos daqueles que se fiam na ingenuidade do povo evangélico para se elegerem.

Igreja nenhuma deveria sentir-se ameaçada por qualquer que seja a PL. Faz-se um escarcel danado para que os crentes pensem que a tal "ditadura gay" vai obrigar às igrejas a aceitarem e celebrarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E assim, os propineiros vão se elegendo e agradecendo ao deus Mamom pelas "graças" recebidas.





*= http://pavablog.blogspot.com/2009/12/igreja-gay-uma-vergonha-para-os.html, acesso em 03-12-09.






MÚSICAS PARA DEZEMBRO

Levi Nauter



Ano passado comentei do único disco de temática natalina que possuía. Repetiria tudo o que lá disse, mas bastará que verifiquem o mês de dezembro. Like Christmas All Year’Round, do Dennis Jernigan, não sairá do meu set list.

Ao contrário, outros títulos estão vindo agregar-se – ou por indicação de amigos ou por curiosidade minha. Só não entrará aqui o plágio descarado que fez André Valadão do CD natalino do Michael W. Smith. Pena que os medalhões ainda são fortes.

Bom, sem dar trela a eles, segue a lista:

  • Annie Moses Band - The Glorious Christmas [excelente]
  • Don Moen – Christmas
  • Hillsong's - Celebrating Christmas
  • Mary Mary - A Mary Mary Christmas
  • Navidad con Vástago
  • Amy Grant - Hallmark Presents The Spirit Of Christmas [excelente]
  • Amy Grant - Home for Christmas
  • Sixpence None The Riche - The Dawn Of Grace [excelente]
  • Leigh Nash - Wishing for This [excelente]



LEITURAS PARA O FINAL DE ANO E ÀS FÉRIAS

Levi Nauter



Eu tenho a sorte de ter alguns amigos, amigas, alunos e alunas. Sorte, tendo em vista o privilégio de ensinar e aprender – talvez mais esta que aquela tarefa. Pois esse pessoal, de quando em quando, enchem-me de livros a fim de que deles eu usufrua e, quiçá, produza um eventual artigo, uma resenha.

Sem citar o nome dos ‘emprestadores’, abaixo compartilho o que me aguarda e para cuja tarefa não vejo a hora de chegar:

  • Minhas histórias dos outros, Planeta, de Zuenir Ventura – um mestre na escrita;
  • América: a história e as contradições do império, L&PM, do professor Voltaire Schilling;
  • Conversão, Imprensa Metodista, do eminente Stanley Jones;
  • Sobre o Islã: a afinidade entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo. Nova Fronteira, de Ali Kamel;
  • Opus Dei – os bastidores: história, análise, testemunhos; Verus Editora, dos autores Dario F. Ferreira, Jean Lauand e Marcio F. da Silva;
  • Memorial do convento, Bertrand Brasil, do maravilhoso José Saramago;
  • Maria Madalena e o Santo Graal: a mulher do vaso de alabastro; Sextante, de Margaret Starbird; e
  • O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Quem mudou a Bíblia e por quê; Prestígio Editorial, do respeitado Bart D. Ehrman.

Lerei-os todos com muito afinco, não descuidando do material da minha área de atuação profissional (produção de texto e gramática) nem daqueles que visam a um cargo público melhor ($$).

Até mais,

LNM.


[que deusinho esse!]



Levi Nauter




Gostaria de me desvencilhar desse deus. Ele não me transmite mais aquela euforia de outrora. Considero-o mais um entre muitos. Um deus assim não merece a minha confiança. Tenho as minhas razões e espero, sinceramente, não ficar sozinho nessa empreitada.



Não posso confiar num deus que não deu inteligência aos latinos, exceto àqueles que moram no céu. Também não vejo graça (nem com gê minúsculo, tampouco com maiúsculo) num father multiforme que, no entanto, reduz os ritmos e as notas ao estilo do céu. Muito menos num ‘sinhôzinho’ que não muda de temática e fica na mesmice da água – razão pela qual me obrigam a ouvir coisas como “faz chover”, “dançar na chuva”, “...em justa medida / a chuvaaaaaaa, a chuvaaaaaaa...”; “vem sobre nós como a chuva”. Não será esse o motivo de tanta chuva aos pobres brasileiros?



Esse mesmo deus anda, por ora, atacando de danças e apaixonites agudas. A ilustração disso parece ser uma infinidade de grupos pseudoproféticos cujo mau gosto estético extrapola o aceitável. Para piorar, combine-se uma letra que empulha palavras-chaves – tais como: noiva, intimidade, apaixonado, incendiar a noiva (‘no meu tempo’ isso não era possível), entre tantas e tantas outras advindas do ‘fértil’ mundo gospel midiático. Possivelmente alguém veio do céu trazendo a boa-nova do vale-tudo a fim de abarcar o maior número de adeptos possível. E caímos nessa cilada. Afinal, nos é proibido pensar. Precisávamos ter perdido o bom-senso? Odiar a beleza e a plástica?



Embora nunca tenha ido, sinto-me um australiano. É! Lá já se canta na língua dos anjos. Noutras vezes é como se eu já estivesse no céu, essencialmente quando vejo anjos cantando na língua original: sing out, mighty to save, celebrate – Jesus – celebrate. Não sei por que todos os History Makers já subiram. Alguns felizardos latinos também já vivem na glória e, de lá, mandam ‘recados’ aos mortais: Marcus Witt, Ingrid Rosário, Marco Barrientos e a última moda entre nós, Jesus Adrian Romero.



O céu é que dita as regras. Lá está deus. Queres saber qual a cor e o jeito de sua face? Pois vá às páginas d’A cabana. Saber onde encontrá-lo? “Por que você não quer mais ir à Igreja” responde. Nada fica sem resposta, não há mistério celestial. Tudo está escrito. Como ser um cristão e andar na moda? Bastará ler o profeta Rob Bell ou o Brian McLaren, por exemplo. Ah, vem do céu o modelo dos que serão Deixados para trás.



Contudo, eu sou um besta mesmo. Decidi não cantar “o hino da vitória”, optei por não “beber dos teus rios”. Não consegui viver “derrubando Golias”, não cheguei ao fim dos “40 dias com propósitos”, nem tive “a grande virada”. Jamais descobri “the secret” e não reina em mim o american dream.



Resta-me o inferno. Não falo inglês – a língua dos anjos. Creio piamente que “no meio do caminho tinha uma pedra” e que “eles passarão...”. Tenho “vidas secas”; prefiro as veredas do sertão ou olhar os lírios do meu pampa.



Sou diabólico. No lugar da língua do céu preferi os representantes da minha: o Chico Buarque, o Zeca Pagodinho, o velho Francis Hime e o saudoso Tom Jobim. Adoro um passeio pelo Hades com essa gente. Os solfejos da ‘encapetada’ Elza Soares são de dar inveja. O que é aquela Virgínia Rodrigues? E a festança da Jussara Silveira junto com a bela Teresa Cristina e a Rita Ribeiro? E o talento, à Sansão, de Lenine? E o Raulzito que não morreu?



O inferno parece ter mais profetas. E decidi ouvi-los. Escuto o provocador João Alexandre que me tonteia com seus arranjos. Ele representa a igreja já fora de moda – a que pensa. E o que é esse poetinha Gerson Borges que vive em São Paulo, Nordestinamente? E o mundano Jorge Camargo que me ajudou a gostar de ouvir alguns mundanos como o Djavan, além de me fazer olhar melhor a poesia que não vinha dos Salmos?



No juízo final vou tocar a culpa numa penca de gente que não me mostrou o céu. E, sinceramente, espero que o Céu (de verdade) seja mais parecido com o inferno. Que tenha o meu cheiro, as minhas cores, as minhas linguagens, os meus gestos, a minha miscigenação rítmica. Acho, no fim das contas, que serei bem-vindo no céu verdadeiro. Terá chegado o fim da minha grande tribulação (é assim que me parece a música cristã midiática).



Deus, em meus delírios, encontrar-me-á no final da fila. E desconfio que Ele cantará ou assoviará um hino nas Bodas do Cordeiro: “...você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão...”.








NOTA
Gravura de J. Borges para As palavras andantes, de Eduardo Galeano; L&PM, 5.ed.: Porto Alegre, 2007, p. 31.

video 16 - Leo Gonçalves

Levi Nauter


Leonardo Gonçalves é um excelente cantor de música cristã. Como bom adventista, temos muito o que aprender com eles: belos arranjos, ótimas letras (isso inclui o João Alexandre numa estupenda versão que dá nome ao último trabalho – Viver e Cantar). O cara faz o que quer com a voz, vale a pena buscar o CD.
Para conhecer um pouco mais dele, abaixo vai o site e uma palhinha musical.

Até mais.






TRISTEmunho "de fogo"

Levi Nauter


- Qual o seu nome irmã?


- É Maria, irmão.

- Conta a bênça, irmã.

- Irmão, eu tava com um sério pobrema na garganta, irmão.

- O que acontecia, irmã?

- Doía, irmão.

- Ah, ééééé irmã? Mas e daí?

- Aí, né irmão, eu vim aqui e aquele pastor orou por mim, me ungiu.

- Hum!

- Irmão, eu senti um calor. Foi uma glória.

- Conta a bênça, irmã.

- Agora eu to boa, irmão. To engolindo tudinho.

- Oh glória!!




[sou abençoado]


Levi Nauter
Prefiro andar de ônibus a dirigir meu carro. É menos estressante e me possibilita ler um bom livro ou ouvir músicas. Num trajeto de duas horas o que não se pode é ficar sem fazer nada.

Dia desses, distraí-me e comecei a olhar os carros que aguardavam o sinal tornar-se verde. Gente papeando, arrumando a gravata, retocando o batom, entre outras tarefas. De repente, um adesivo chamou minha atenção: sou abençoado.

Fiquei imaginando o que pensaria sobre bênção alguém carregando um adesivo desses. Seria ter um carro? Dirigi-lo? Um outro automóvel exibia que o carro era “100% de Jesus” (o que não acredito). Isso significa não pagar IPVA? Ou seria ‘podem roubar que Deus dá outro’?

Não encontrei respostas. Apenas pensei comigo mesmo uma série de coisas.
E eu, sou abençoado?

Naquele instante eu ouvia uma das mais novas promessas da música brasileira: Maria Gadú. Ela interpretava – e muito bem – os mestres Chico Buarque e Edu Lobo com A história de Lilly Brown, ainda por cima terminava fazendo uma citação à ‘Pantera cor-de-rosa’.

O disco que leva seu nome é uma obra: foto de bom gosto, músicas bem mixadas e o som está primoroso. Belos arranjos – puxando para o acústico. Merece destaque a versão intimista da popular Baba, sucesso na voz da Kelly Key. O violão dá o tom e o ritmo, enquanto a voz rouca trabalha com primor e ousadia nos contratempos rítmicos. Ne me quitte pas ganhou uma versão tango com direito a gaita e tudo. Ficou ótima. Essas três músicas fizeram-me lembrar da saudosa Cássia Eller, uma cantora que sempre dava um toque especial, todo seu, ao que fazia. A Gadú também faz isso.

É um deleite ouvir a canção Tudo diferente. O jogo de palavras é interessante em Lounge. Mas o dueto de Laranja é espetacular, assim como os arranjos. Repeti muitas vezes a canção-hino Dona Cila. Ai, que saudade me deu da minha mãe. Essa música trouxe uma série de boas lembranças da minha velha guerreira. À mãe devo meu gosto pela musical.

Nosso país tem essas belezas. Quando menos se espera surgem nomes expressando o nosso cheiro, os nossos ritmos, nossos instrumentos; a nossa poesia. Não me restou dúvidas...

...sou abençoado! Nasci brasileiro.

meu jardim

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minhas flores

minha alegria

minha alegria
Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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  • textos sobre EDUCAÇÃO (livros, revistas, artigos)
  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier