Deus brincalhão, Deus poeta

Levi Nauter


Ah, esse Deus que sirvo.

Meu novo Deus é brincalhão e teimoso. Teima em me amar, teima em querer me ver bem. Teima em me querer bem. É um brincalhão porque me faz poesias. Deu-me poucos , mas bons amigos. Com eles dou muitas risadas. Deu-me uma mulher maravilhosa, de quem não sou dono. E uma filha lindona e delicada. Com elas tenho poesia ao longo do dia.


Mas duas coisas me relembram esse Deus poético: os livros e as músicas.


Semana passada, em meio às turbulências da vida, Ele me fez chorar. Descobri um cantor de primeira grandeza. Um artista mesmo e não só mais um músico.

Vander Lee, com sua mineirice, fez a oração que eu gostaria de fazer para o meu Deus. Quando desci do ônibus, estava em prantos. Tive de me controlar para não fazer tanto fiasco.


Se eu não tivesse conhecido esse novo Deus nem saído do fundamentalismo cristão jamais teria conhecido essas pérolas da riquíssima música brasileira.

Vamos à música que me tocou – com letra e vídeo.

Salve, Vander Lee!!!



Ó Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor
Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta

Que maravilha é, agora, a poesia cantada pelo próprio autor.






vídeo 11 - enquanto a inspiração não vem

Levi Nauter


Eu obviamente não acredito em inspiração, foi apenas uma brincadeira. Acredito, isso sim, na 'transpiração'.

Pois, enquanto nada melhor me acontece que ficar perto do fogão à lenha curtindo minha filhota e minha mulher, bebericando um vinho, comendo pinhão ou milho verde sob a temperatura de oito graus, vou curtindo muita música.

Gracias ao 'Dioni' e à Chris que me agraciaram com novidades - aquele em 2000, esta recentemente. Reafirmo: é bom ter amigos com bom gosto musical. Os CDs estão 'furando' de tanto rodar.

E como é bom ouvir música sem medo de ir para o inferno (he, he, he - tinha que ter uma pitada de cristianismo).

Curtam o Babyface (cantor, compositor, instrumentista múltiplo)







e também o excelente Jorge Drexler, aqui das fronteiras uruguaias.

que amor


Levi Nauter



Não tenho palavras para expressar o quanto minha filha é importante para mim e para a Lu. Fruto do nosso amor, ela é perfeita, linda e maravilhosa.

Como Deus é bom.


VÍDEO 10 - não vou me adaptar

Levi Nauter




Sempre me admirei com o potencial de Arnaldo Antunes. Considero-o fora do comum no pleno sentido da palavra: cantor, compositor, músico-instrumentista, artista plástico e poeta (a obra AS COISAS, publicado pela Iluminuras, vale a pena ser lida. Escrita por ele, ilustrado pela filha). Ele, na minha opinião, era a 'alma' dos Titãs. Somando-se o Nando Reis, os Titãs eram (notem bem, eram) imbatíveis.

Em termos religiosos, considero-me como a música que transcrevi abaixo. Para ilustrar melhor, inseri o vídeo.
Um momento belo tem muito de divino, por mais simples que seja. Ouçamos.

Não Vou Me Adaptar
Composição: Arnaldo Antunes

Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...

Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...

Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...

Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...

Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...









meu jardim

meu jardim
minhas flores

minha alegria

minha alegria
Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

Leituras

  • textos sobre EDUCAÇÃO (livros, revistas, artigos)
  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier