video 17 - noite feliz

Acho a voz da Nash maravilhosa. Uma delicadeza! Parte o CD natalino do Sixpence None the Richer, Silent Nigth ficou linda.




Igreja Gay: uma vergonha para os evangélicos

por Hermes Fernandes, via Pavablog*



Semana passada, no dia 27 de Novembro, uma das rádios evangélicas de maior popularidade do Brasil exibiu um debate sobre homossexualismo. Entre os participantes estavam o Pr. Silas Malafaia, o Desembargador Fábio Dutra, o Pr. Paulo Afonso, o Pr. Augusto Miranda, o Pr. Paulo César e o Pr. Marcos Gladstone. Este último é líder da Igreja Contemporânea do Rio de Janeiro, conhecida como "igreja gay".

Gladstone é homossexual assumido, e declara ser casado com seu companheiro e também pastor Fábio Inácio.

O debate poderia ter sido muito proveitoso, caso não houvesse alguns momentos desrespeitosos, onde as partes se atacaram mutuamente.

Silas, como sempre, vociferou suas opiniões sem o menor recato, chegando ao cúmulo de referir-se aos seus opositores que assistiam no auditório da rádio como "bonecas". No final, retratou-se, sabendo que isso poderia lhe render uma ação jurídica.

Se todos mantivessem a linha, muitas coisas poderiam ter sido esclarecidas. Oportunidade desperdiçada.

Tive pena do Gladstone. Embora discorde de seus posicionamentos, acho que ele merece respeito, como qualquer ser humano.

Silas disse que não há igreja evangélica gay, nem tampouco "pastor gay". Gladstone, para revidar, afirmou que era pastor reconhecido pela Federação de Teólogos do Brasil (ou algo do gênero).


Um dos momentos mais curiosos foi quando Gladstone afirmou que muitos pastores e filhos de pastores já o procuraram em sua igreja, confessando que eram gays. Não duvido nada! Conheço o caso em que um pastor foi flagrado sentado no colo de um obreiro.

Definitivamente, a igreja evangélica brasileira não está preparada para discutir um assunto tão polêmico como este. Falta maturidade, finesse, e sobretudo, amor.

Por que acho que é uma vergonha para os evangélicos que haja uma igreja gay? Simples. Esta igreja só surgiu para preencher uma lacuna deixada pela igreja evangélica. Se os gays fossem acolhidos em nossas comunidades, a fim de que fossem expostos à Palavra de Deus, eles não teriam qualquer razão para buscar uma igreja dedicada exclusivamente a eles.

Não estou dizendo que as igrejas deveriam legitimar sua conduta. Não! Apenas afirmo que devemos ser mais misericordiosos, compassivos, agindo mais ou menos como nosso Mestre agiria.

Me recuso a acreditar que Jesus os rechaçaria. Também não acredito que Ele estimularia que Seus seguidores se entrincheirassem contra os homossexuais, como tem sido feito.

Tornamo-nos seus inimigos número 1. Como poderemos evangelizá-los? Como poderemos conduzi-los aos pés do Salvador?

Será que somos melhores do que eles? Será que nossa avareza, idolatria, inveja, carnalidade, ocupam um lugar de menor importância dentro da lista de pecados condenados pela Palavra?

Sinceramente, creio que a Igreja deveria se manifestar solidária a todo grupo humano minoritário que buscasse ser respeitado. Sem endossar qualquer que fosse a conduta pecaminosa, deveríamos comprar uma briga pelas prostitutas, homossexuais, seguidores das religiões afro-brasileiras, ciganos, etc.


Te escandalizei?

Pois o Cristo a quem sirvo também escandalizou os religiosos pudicos de Sua época ao colocar-se em defesa da mulher adúltera, desmascarando a pseudosantidade dos religiosos que queriam apedrejá-la.

Tornamo-nos tão diferentes de Jesus. Estamos sempre do lado errado. Do lado dos poderosos, dos mantenedores do Status Quo, dos corruptos, dos salafrários.

Repito: não acho que devemos baratear a mensagem do Evangelho, endossando qualquer conduta que não se coadune com seus valores e princípios.

Porém, acredito que devemos usar de misericórdia, tanto quanto dela necessitamos. Afinal, são os misericordiosos que alcançarão misericórdia.

Ao xingar seus oponentes de 'bonecas', ou 'meninas', Silas Malafaia revelou o lado preconceituoso daqueles a quem ele julga representar. Foi um desserviço à causa do Evangelho.

Nunca vi ninguém se converter no calor de uma discussão.

Se queremos ser respeitados, devemos, antes de tudo, respeitar, mesmo o mais vil pecador. Não somos melhores do que eles.

Que tal se olharmos para nós mesmos como fez Paulo, que considerou-se o principal dos pecadores?

Que tal se deixarmos de olhar para o outro de cima pra baixo, e considerar-nos igualmente carentes da graça de Deus?

Que o Projeto de Lei 122 precisa de ajustes, não resta dúvida. Mas não será com xingamentos e ataques que vamos reverter isso.

O que não se pode negar é que o debate serve mesmo é a interesses políticos daqueles que se fiam na ingenuidade do povo evangélico para se elegerem.

Igreja nenhuma deveria sentir-se ameaçada por qualquer que seja a PL. Faz-se um escarcel danado para que os crentes pensem que a tal "ditadura gay" vai obrigar às igrejas a aceitarem e celebrarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E assim, os propineiros vão se elegendo e agradecendo ao deus Mamom pelas "graças" recebidas.





*= http://pavablog.blogspot.com/2009/12/igreja-gay-uma-vergonha-para-os.html, acesso em 03-12-09.






MÚSICAS PARA DEZEMBRO

Levi Nauter



Ano passado comentei do único disco de temática natalina que possuía. Repetiria tudo o que lá disse, mas bastará que verifiquem o mês de dezembro. Like Christmas All Year’Round, do Dennis Jernigan, não sairá do meu set list.

Ao contrário, outros títulos estão vindo agregar-se – ou por indicação de amigos ou por curiosidade minha. Só não entrará aqui o plágio descarado que fez André Valadão do CD natalino do Michael W. Smith. Pena que os medalhões ainda são fortes.

Bom, sem dar trela a eles, segue a lista:

  • Annie Moses Band - The Glorious Christmas [excelente]
  • Don Moen – Christmas
  • Hillsong's - Celebrating Christmas
  • Mary Mary - A Mary Mary Christmas
  • Navidad con Vástago
  • Amy Grant - Hallmark Presents The Spirit Of Christmas [excelente]
  • Amy Grant - Home for Christmas
  • Sixpence None The Riche - The Dawn Of Grace [excelente]
  • Leigh Nash - Wishing for This [excelente]



LEITURAS PARA O FINAL DE ANO E ÀS FÉRIAS

Levi Nauter



Eu tenho a sorte de ter alguns amigos, amigas, alunos e alunas. Sorte, tendo em vista o privilégio de ensinar e aprender – talvez mais esta que aquela tarefa. Pois esse pessoal, de quando em quando, enchem-me de livros a fim de que deles eu usufrua e, quiçá, produza um eventual artigo, uma resenha.

Sem citar o nome dos ‘emprestadores’, abaixo compartilho o que me aguarda e para cuja tarefa não vejo a hora de chegar:

  • Minhas histórias dos outros, Planeta, de Zuenir Ventura – um mestre na escrita;
  • América: a história e as contradições do império, L&PM, do professor Voltaire Schilling;
  • Conversão, Imprensa Metodista, do eminente Stanley Jones;
  • Sobre o Islã: a afinidade entre muçulmanos, judeus e cristãos e as origens do terrorismo. Nova Fronteira, de Ali Kamel;
  • Opus Dei – os bastidores: história, análise, testemunhos; Verus Editora, dos autores Dario F. Ferreira, Jean Lauand e Marcio F. da Silva;
  • Memorial do convento, Bertrand Brasil, do maravilhoso José Saramago;
  • Maria Madalena e o Santo Graal: a mulher do vaso de alabastro; Sextante, de Margaret Starbird; e
  • O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Quem mudou a Bíblia e por quê; Prestígio Editorial, do respeitado Bart D. Ehrman.

Lerei-os todos com muito afinco, não descuidando do material da minha área de atuação profissional (produção de texto e gramática) nem daqueles que visam a um cargo público melhor ($$).

Até mais,

LNM.


[que deusinho esse!]



Levi Nauter




Gostaria de me desvencilhar desse deus. Ele não me transmite mais aquela euforia de outrora. Considero-o mais um entre muitos. Um deus assim não merece a minha confiança. Tenho as minhas razões e espero, sinceramente, não ficar sozinho nessa empreitada.



Não posso confiar num deus que não deu inteligência aos latinos, exceto àqueles que moram no céu. Também não vejo graça (nem com gê minúsculo, tampouco com maiúsculo) num father multiforme que, no entanto, reduz os ritmos e as notas ao estilo do céu. Muito menos num ‘sinhôzinho’ que não muda de temática e fica na mesmice da água – razão pela qual me obrigam a ouvir coisas como “faz chover”, “dançar na chuva”, “...em justa medida / a chuvaaaaaaa, a chuvaaaaaaa...”; “vem sobre nós como a chuva”. Não será esse o motivo de tanta chuva aos pobres brasileiros?



Esse mesmo deus anda, por ora, atacando de danças e apaixonites agudas. A ilustração disso parece ser uma infinidade de grupos pseudoproféticos cujo mau gosto estético extrapola o aceitável. Para piorar, combine-se uma letra que empulha palavras-chaves – tais como: noiva, intimidade, apaixonado, incendiar a noiva (‘no meu tempo’ isso não era possível), entre tantas e tantas outras advindas do ‘fértil’ mundo gospel midiático. Possivelmente alguém veio do céu trazendo a boa-nova do vale-tudo a fim de abarcar o maior número de adeptos possível. E caímos nessa cilada. Afinal, nos é proibido pensar. Precisávamos ter perdido o bom-senso? Odiar a beleza e a plástica?



Embora nunca tenha ido, sinto-me um australiano. É! Lá já se canta na língua dos anjos. Noutras vezes é como se eu já estivesse no céu, essencialmente quando vejo anjos cantando na língua original: sing out, mighty to save, celebrate – Jesus – celebrate. Não sei por que todos os History Makers já subiram. Alguns felizardos latinos também já vivem na glória e, de lá, mandam ‘recados’ aos mortais: Marcus Witt, Ingrid Rosário, Marco Barrientos e a última moda entre nós, Jesus Adrian Romero.



O céu é que dita as regras. Lá está deus. Queres saber qual a cor e o jeito de sua face? Pois vá às páginas d’A cabana. Saber onde encontrá-lo? “Por que você não quer mais ir à Igreja” responde. Nada fica sem resposta, não há mistério celestial. Tudo está escrito. Como ser um cristão e andar na moda? Bastará ler o profeta Rob Bell ou o Brian McLaren, por exemplo. Ah, vem do céu o modelo dos que serão Deixados para trás.



Contudo, eu sou um besta mesmo. Decidi não cantar “o hino da vitória”, optei por não “beber dos teus rios”. Não consegui viver “derrubando Golias”, não cheguei ao fim dos “40 dias com propósitos”, nem tive “a grande virada”. Jamais descobri “the secret” e não reina em mim o american dream.



Resta-me o inferno. Não falo inglês – a língua dos anjos. Creio piamente que “no meio do caminho tinha uma pedra” e que “eles passarão...”. Tenho “vidas secas”; prefiro as veredas do sertão ou olhar os lírios do meu pampa.



Sou diabólico. No lugar da língua do céu preferi os representantes da minha: o Chico Buarque, o Zeca Pagodinho, o velho Francis Hime e o saudoso Tom Jobim. Adoro um passeio pelo Hades com essa gente. Os solfejos da ‘encapetada’ Elza Soares são de dar inveja. O que é aquela Virgínia Rodrigues? E a festança da Jussara Silveira junto com a bela Teresa Cristina e a Rita Ribeiro? E o talento, à Sansão, de Lenine? E o Raulzito que não morreu?



O inferno parece ter mais profetas. E decidi ouvi-los. Escuto o provocador João Alexandre que me tonteia com seus arranjos. Ele representa a igreja já fora de moda – a que pensa. E o que é esse poetinha Gerson Borges que vive em São Paulo, Nordestinamente? E o mundano Jorge Camargo que me ajudou a gostar de ouvir alguns mundanos como o Djavan, além de me fazer olhar melhor a poesia que não vinha dos Salmos?



No juízo final vou tocar a culpa numa penca de gente que não me mostrou o céu. E, sinceramente, espero que o Céu (de verdade) seja mais parecido com o inferno. Que tenha o meu cheiro, as minhas cores, as minhas linguagens, os meus gestos, a minha miscigenação rítmica. Acho, no fim das contas, que serei bem-vindo no céu verdadeiro. Terá chegado o fim da minha grande tribulação (é assim que me parece a música cristã midiática).



Deus, em meus delírios, encontrar-me-á no final da fila. E desconfio que Ele cantará ou assoviará um hino nas Bodas do Cordeiro: “...você que inventou o pecado esqueceu-se de inventar o perdão...”.








NOTA
Gravura de J. Borges para As palavras andantes, de Eduardo Galeano; L&PM, 5.ed.: Porto Alegre, 2007, p. 31.

video 16 - Leo Gonçalves

Levi Nauter


Leonardo Gonçalves é um excelente cantor de música cristã. Como bom adventista, temos muito o que aprender com eles: belos arranjos, ótimas letras (isso inclui o João Alexandre numa estupenda versão que dá nome ao último trabalho – Viver e Cantar). O cara faz o que quer com a voz, vale a pena buscar o CD.
Para conhecer um pouco mais dele, abaixo vai o site e uma palhinha musical.

Até mais.






TRISTEmunho "de fogo"

Levi Nauter


- Qual o seu nome irmã?


- É Maria, irmão.

- Conta a bênça, irmã.

- Irmão, eu tava com um sério pobrema na garganta, irmão.

- O que acontecia, irmã?

- Doía, irmão.

- Ah, ééééé irmã? Mas e daí?

- Aí, né irmão, eu vim aqui e aquele pastor orou por mim, me ungiu.

- Hum!

- Irmão, eu senti um calor. Foi uma glória.

- Conta a bênça, irmã.

- Agora eu to boa, irmão. To engolindo tudinho.

- Oh glória!!




[sou abençoado]


Levi Nauter
Prefiro andar de ônibus a dirigir meu carro. É menos estressante e me possibilita ler um bom livro ou ouvir músicas. Num trajeto de duas horas o que não se pode é ficar sem fazer nada.

Dia desses, distraí-me e comecei a olhar os carros que aguardavam o sinal tornar-se verde. Gente papeando, arrumando a gravata, retocando o batom, entre outras tarefas. De repente, um adesivo chamou minha atenção: sou abençoado.

Fiquei imaginando o que pensaria sobre bênção alguém carregando um adesivo desses. Seria ter um carro? Dirigi-lo? Um outro automóvel exibia que o carro era “100% de Jesus” (o que não acredito). Isso significa não pagar IPVA? Ou seria ‘podem roubar que Deus dá outro’?

Não encontrei respostas. Apenas pensei comigo mesmo uma série de coisas.
E eu, sou abençoado?

Naquele instante eu ouvia uma das mais novas promessas da música brasileira: Maria Gadú. Ela interpretava – e muito bem – os mestres Chico Buarque e Edu Lobo com A história de Lilly Brown, ainda por cima terminava fazendo uma citação à ‘Pantera cor-de-rosa’.

O disco que leva seu nome é uma obra: foto de bom gosto, músicas bem mixadas e o som está primoroso. Belos arranjos – puxando para o acústico. Merece destaque a versão intimista da popular Baba, sucesso na voz da Kelly Key. O violão dá o tom e o ritmo, enquanto a voz rouca trabalha com primor e ousadia nos contratempos rítmicos. Ne me quitte pas ganhou uma versão tango com direito a gaita e tudo. Ficou ótima. Essas três músicas fizeram-me lembrar da saudosa Cássia Eller, uma cantora que sempre dava um toque especial, todo seu, ao que fazia. A Gadú também faz isso.

É um deleite ouvir a canção Tudo diferente. O jogo de palavras é interessante em Lounge. Mas o dueto de Laranja é espetacular, assim como os arranjos. Repeti muitas vezes a canção-hino Dona Cila. Ai, que saudade me deu da minha mãe. Essa música trouxe uma série de boas lembranças da minha velha guerreira. À mãe devo meu gosto pela musical.

Nosso país tem essas belezas. Quando menos se espera surgem nomes expressando o nosso cheiro, os nossos ritmos, nossos instrumentos; a nossa poesia. Não me restou dúvidas...

...sou abençoado! Nasci brasileiro.

dedicado a você, Flor


Levi Nauter





Desde o início de setembro, estou vivendo momentos incríveis. Tirei uma licença especialmente para cuidar da minha filha. Ocorre que a Lu voltou ao trabalho e eu estou tendo meu momento de pãe (pai e mãe).



Papinhas, suquinhos naturais, remédios, fraldas, babeiros, mamadeiras, risadas, choros, babas, tosse; mãos e pernas que insistem em bater no ar, tudo faz parte, efetivamente, do meu dia-a-dia. E que experiência maravilhosa!!!



Larguei quase tudo para cuidar dela. Internet tem sido raro; postagens, idem. O caderno de rascunho é o meu companheiro, alguns livros e muita, muita música.



Até o final de novembro estarei nessa agradável experiência. No entanto, desde já, ouço as primeiras tentativas de sílabas. “Bbrrruuuummmm” – misturado com muita baba - é o que mais escuto.



Assim que der, deixo mais notícias.






Vídeo 15 - Palavra Cantada

Levi Nauter


Esses são os caras. Lá em casa, em matéria de música para criança, tem lugar garantido a Adriana Partimpim, o Grupo Cuidado que Mancha e os excelentes Palavra Cantada. Música de qualidade superior para a Maria Flor.
Um dos clássicos do palavra é Os Ratos. Vale conferir a gravação em estúdio, no CD Canções Curiosas.




flor da minha vida


Levi Nauter


Calma, tranquila, risonha. Maravilhosa. Está aprendendo a dar gritinhos lindos. Cinco meses.


Feliz aniversário, meu amor!!!



Video 14 - os maravilhosos TAKE 6

Levi Nauter


Em meio a tanta notícia ruim desses políticos, penso que o melhor é apelar para a arte. E nisso, Take 6 é um alento. Cantemos!





FALA MESTRE 3

"É preciso que haja um dia uma dúzia de governantes que não tenham nenhum sonho de se reeleger, porque esses e essas terão a coragem de fazer insanidades sanas."


Paulo Freire - educador





em FREIRE, Paulo. Pedagogia dos sonhos possíveis. Ana Maria Araújo Freire (org). São Paulo: Editora UNESP, 2001. pág. 256.




POLÍTICA E POLITICAGEM

Há lobos gordos, de pele lustrosa, fantasiados de ovelhas: eles andam pelos corredores dos palácios e gozam de imunidades parlamentares.


...acho que não existe povo no Brasil. Somos um bando de bois e vacas infestados por bernes gordos que não saem de nossas costas.


Rubem Alves



em Cenas da vida [19.ed. Campinas/SP: Papirus, 1997], páginas 62 e 63.


pais e filhos: agora é fato

Levi Nauter


Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Nem todas as respostas cabem num adulto. Arnaldo Antunes




Agora é verdade. Sou pai.

Hoje acordei com esse presente da vida. Levantei e, claro, a primeira coisa que fiz foi olhar o meu maior e melhor presente: minha filhota. Ela é a flor da minha vida. Com ela começo meu desenho de pai. Assim, relembro que ainda sou filho e tento, na medida do possível, melhorar a relação com o meu pai e a intensificar a minha função de pai da Maria Flor. O exercício tem sido reter o que foi bom e aprimorar as experiências traumáticas pelas quais passei. Sei, porém, do insucesso da minha empreitada antes da minha pequena ter uns vinte e poucos anos. Só então ela conseguirá fazer reflexões que vão me infligir penas ou absolver.

Agora entendo a preocupação com o futuro dos filhos. Já sonho ver minha linda bem encaminhada profissionalmente. Imagino vê-la sempre com saúde, risonha, amando a simplicidade e a vida. Também visualizo o grande desafio que me espera: mostrar Cristo longe das instituições religiosas. Precisarei refletir o pai celeste em mim que sou pai terreal. A minha fala, o meu cuidado, a minha presteza, meu companheirismo, meu humor, tudo poderá (ou não ) ser um discurso rumo a uma vida de fé cristã. Espero ser feliz nesse caminho.

Contudo, hoje fico mais atento aos detalhes do agora. Fico boquiaberto com a perfeição dela. As pequenas mãos já começam a pegar os brinquedos, a mamadeira e a apertar meus dedos ou a puxar os cabelos da mãe.

A voz dela é um doce. Rindo, dando os primeiros gritinhos ou até chorando; tudo me soa maravilhosamente bem. É como se fosse música, uma música composta por mim e a Lu. O cheiro dela nos encanta; as pernocas pedalando no ar nos enche de alegria e emoção. Sou um pai privilegiado, não há como resistir àquele rostinho dormindo cedo da manhã. Euforia contagiante é o seu sorriso matinal – misturado a um espreguiçamento de causar santa inveja. Ela é linda.

Nesse meu dia, ganhei um singelo (porém útil) presente. A Maria Flor é o presente que ultrapassa todas as datas. Olhá-la é lembrar o quanto Deus me ama. É saber do meu amor pela Lu. A Flor representa nossas metades, mistura nossa, a concretização de um sonho.

Eu sempre achei que a minha vida não teria graça sem filhos. Agora estou cheio de graça. Ela ri a toa, de graça. É um anjo.

Obrigado, filha, por tomar conta da minha vida.



Texto escrito no dias dos pais/2009. a preguiça só me fez digitar hoje - seis dias depois - ao som do sempre bom Don Moen e seu novo trabalho: I Believe There is More. A foto é obra da mãe coruja Lu, enquanto aguardávamos a pediatra nos atender no centro de Canoas. A Flor, na foto, tem quatro meses.

flor da minha vida


Levi Nauter


Eu e a Lu caprichamos.




nossa música brasileira

Levi Nauter
Há momentos nos quais me orgulho imensamente de ser brasileiro. Sobretudo a arte tem esse poder sobre mim. Não troco a música brasileira por nada nesse mundo.
Ontem, 31-7-09, assisti à homenagem - justa, aliás - aos Paralamas do Sucesso.
Duas cantoras arrasaram. Pelo menos aqui no Rio Grande do Sul elas não são tão conhecidas; mas esperam logo logo vê-las num show ao vivo.
Além de lindas, Greice Ive e Maria Gadu, cantam mmuuuiiiiittttoooooo.
Vale ouvir.

férias de inverno


Levi Nauter


Deve-se aprender a viver por toda a vida e, por mais que te admires, durante toda a vida se deve aprender a morrer. Sêneca





Merecidamente estou curtindo minhas férias de inverno. Depois de um primeiro semestre de correria, o segundo promete mais calmaria. É uma felicidade poder estar por casa – ao lado de duas mulheres muito especiais: minha mulher e minha filha. Junto com isso, quero rever meus poucos amigos, ler bastante, ouvir mmmuuuuuiiiittttaaaa música. Darei muitos beijos no meu anjinho enviado por Deus.

Com o avanço da Gripo A, fui agraciado com mais alguns dias de folga, de puro alívio.

Textos por aqui vão demorar, só lá pelo meio de agosto. Quero aproveitar bem minha estada perto de meus amores. Sopa, vinho, founde com alguns primos são alguns dos atrativos que me aguardam.

Fico também – como se tivesse um facão em minhas mãos e uma madeira para talhar – polindo Companheiros de caminhada: uma opção sem igreja.


joinha


Levi Nauter


Incrível como Deus dá sempre o melhor pra gente.

Te amamos, Maria Flor - inspiração da minha vida!!!



Cristianismo Criativo

Levi Nauter


Já faz algum tempo que o clipe abaixo está rodando o mundo. Na minha opinião ele, há muito, vem prevendo aquilo que só agora nós – tupiniquins – estamos recebendo sob uma enxurrada de livros. O propalado Cristianismo Criativo não deveria ser novidade em nossas vidas. Infelizmente, porém, poucos cristãos, essencialmente os evangélicos de toda a espécie, são adeptos da arte, do belo, da estética. Bem que o filminho poderia rodar outra vez por essas bandas.


Não posso deixar de tocar na denguice da Rebecca S. James. Uma música é possível ouvir; mais de uma, só se a gente gostar de mulher dengosa (não é bem meu caso). Quanto ao Chris Tomlin, parece-me que ele pouco usa de criatividade; consider-o uma mesmice.


Ainda assim o clipe vale a pena pela mensagens que traz na imagens captadas.


Aproveitemos.



essa é boa 5





Tabernáculo é uma taberna que virou igreja evangélica?





FONTE: http://verticontes.blogspot.com/




URUCUBACA - levi nauter


URUCUBACA[1]

Levi Nauter

Eu nunca fui muito crente. Cria e creio num Deus, evidentemente, mas não nesse difundido pela mídia gospel, tampouco nesse que vem se perpetuando pela tradição. Sempre tive grande dificuldade em acreditar na mandingomania existente nos templos evangélicos, especialmente nos neopentecostais (os pentecostais, digamos, clássicos tiveram de apelar pra não perderem a freguesia). Copo com água, pozinho santo; óleo disso, óleo daquilo são pífios exemplos de um vasto exemplo catálogo de enganação que tão de perto nos rodeia. A coisa tomou uma forma que, às vezes, parece um erro não acreditar nessa papagaiada. Outro dia passei na frente de um templo esteticamente feio (feiíssimo). Nele, uma faixa ‘encascurrada’ sugeria: “participe de sete quartas-feiras da vitória e ganhe sua causa impossível”. Que deus chinelão que dá bênçãos impossíveis e não arruma a própria casa?

Eu não acredito nisso. Acredito na racionalidade, no culto racional. Creio na inteligência, na cultura, na informação, no conhecimento, na ciência. Uno-me ao John Stott: crer é pensar. Ser cristão é ser humano, é acreditar que quanto mais humano mais perto de Deus vamos ficando. Ele se fez humano vindo ao nosso encontro, salvando-nos – como diria o Elienai Cabral Jr.[2] – da perfeição.

Por que estou escrevendo? Porque a tal mandingomania ultrapassa o evangelho. Aliás, uma reflexão até superficial revelará que o ‘evangelho’ tomou posse do mundo e não o contrário. O que era ‘despacho’ na esquina tomou forma gospel e está mais profundo: foi para dentro das casas. A rosinha que eu via junto com a bala de banana, na infância, tornou-se a rosa ungida, por exemplo. Trabalhei numa escola onde, certa vez, num despacho, uma cruz feita com sal causou frisson. A diretora chamou um pastor a fim de “desmanchar a coisa ruim”. Hoje irmãos em transe (ou querendo transar) cruzam no corredor de sal (olha a frieira!). Ouvi muito sermão contra a música do ‘mundo’, louvava o diabo e não a Deus quem a escutasse. Agora, num dia da semana, irmãos e irmãs – agarradinhos – louvam-se ao som da chata Celine Dion ou da protuber(r)ante Mariah Carey. Um vídeo da Colbie Caillat ou da Corinne Bailey Rae seria muito mais interessante; o clima pintaria mais rápido. E um do George Michael?

Agora eu tenho uma filha. A linda Maria Flor tem-me feito um pai muito feliz. Ao mesmo tempo, estou descobrindo outras crenças, a das velhas senhoras, devotas da benzedura e das simpatias. No ambiente fundamentalista em que me criei não havia tais conhecimentos.

Conversei sobre a bebezinha não evacuar. “Dá leite de vaca, virá uma diarréia fenomenal e resolverá o problema”.

- Ah, ela também não ta dormindo direito à noite – disse curioso pela resposta.

- Pega uma camisetinha dela, vire ao avesso e pendure na porta. Pode fazer que funciona.

Fiquei abismado. Mais de uma pessoa me falou a mesma coisa. Nunca ouvira aqueles conselhos/receita. Também pudera, nunca tive filhos.

E mais receitas:

- a filha tem soluço? Pegue ‘pluminhas’ da roupa dela, faça uma bolinha; em seguida, com a língua, faça o sinal da cruz na testa da criança e coloque a bolinha lá (na testa, claro). Nunca testei a receita, só o tempo para a confecção da bolinha somado ao tempo de escovação pré-sinal-da-cruz já fazia o soluço fugir.

Recentemente comentava que minha filha, com três meses, estava rindo pra caramba; dava uns gritinhos dignos de muitos beijos paternos e maternos. Parecia-me, confessei, que ela queria dizer algo. O que oujvi?

- ache um pintinho e coloque-o a piar na lingüinha dela. Ele tornar-se-á uma tagarela.

Outra amiga; mais receitas. “Ela tem enjoos?” Sim! “Quando ela ficar maiorzinha, dê um pouquinho de sal num pacotinho para ela por no bolso. É tiro e queda.”

Não fiz nem nunca farei esses procedimentos. Prefiro seguir o conselho da nossa pediatra. Também me parece mais coerente acreditar que há uma espécie de ciclo vital (ou algum nome mais adequado) sob o qual nós estamos sujeitos, pouco importa a idade que temos: fomos crianças, adolescentes, jovens, adultos novos e adultos velhos (ou idosos). Acho importante que essas fases sejam inexoráveis, concordemos ou não com elas.

Em termos cristãos também sou cético à mandingomania. Creio num Deus milagreiro, creio na possibilidade de milagres. Mas descreio das pessoas que se acham abençoadoras e milagreiras. Discordo dos amuletos (mensagens ‘poderosas’ gravadas em DVD ou CD ou publicadas em livros do tipo Como tomar posse da bênção). Desconheço um Deus que me retribui segundo meus 10% ou coisa parecida. Esse Deus não merece minha confiança, prefiro o Deus incondicional. Descreio ferrenhamente da unções de qualquer coisa: do boi selvagem, da vaca, do leão, do porco. Quem me garante que não vem daí a doença da vaca louca, bem como da gripe suína? Em síntese, incomoda-me a fauna e flora gospel.

Sobra-me crer na vida que Deus me deu para viver intensamente. Acordar pela manhã, ir trabalhar, ser honesto, justo e responsável. Resta-me crer que Deus dá sabedoria à ciência médica, aos homens e mulheres que não têm estudo mas têm experiência pela vivência in loco. Nalguns momentos acredito e noutros desconfio da ciência jurídica e, pior ainda, na política. Contudo, creio na política da boa vizinhança. Creio piamente no respeito ao outro – independentemente da cor racial, sexual ou religiosa. Creio num Deus que é soberano sobre tudo e que não larga uma bomba e manda um avião atrás com alimentos.

Creio em um Deus que optou por dar-me o livre arbítrio.

Creio em um Deus que gosta do belo (não de ouvir o pagodeiro).

Creio num Senhor que odeia, como eu, a urucubaca.





NOTA

A ilustração é de John Astrop para o livro Diário de um adolescente hipocondríaco, de Aidan Macfarlane e Ann McPherson, publicado pela Editora 34.



[1] Texto escrito num quarto silencioso e digitado ao som do maravilhoso Michael Bublé e seu CD “Meets Madison Square Garden”.

[2] Salvos da perfeição, editora Ultimato. Obra do blogueiro Elienai Cabral Junior.

Michael Jackson e meu louvor

Levi Nauter
Eu queria escrever sobre umas coisas que ando ouvindo desde a gravidez de minha mulher e que continua fazendo eco: as crenças populares sobre cuidados com bebês. Mas não é possível. Não por agora.
Acordei neste domingo frio e decidi (re)ouvir meu disco recém adquirido, Michael Jackson King of Pop – Brazilian Collection. Enquanto tomava café lembrei de outros artistas que eu admirava e que já não estão mais nesse mundão. Quem tomará seus lugares, assim como acontece na Academia de Letras. Ainda bem, no mundo da arte musical a coisa não funciona assim. É sabido que Justin Timberlake e o ‘batedor’ Chris Brown ficariam satisfeitos com a cadeira. Mas Jackson é Jackson.
O café estava bom, o mamão principalmente.
Contudo, o Michael levou-me ao início da minha carreirinha de pretendente a músico. Eu sonhava tocar guitarra como aquele cara que tocou em Rock With You. Ouvia, ouvia e nada. Eu estava longe disso. Ademais, que música na minha igreja tinha aquele ritmo todo? Desisti. Larguei a guitarra, instrumento que admiro até hoje. Fui para a bateria. Os tais hinos igrejeiros eram tão chatos. Treinar ao som do Michael era bem melhor. Um dia fui arrebatado. Escutara pela primeira vez Billie Jean. O batera era um relógio acompanhado daquele baixo; tudo era perfeito. No meio daquilo tudo, o que aparece? A guitarra. Era o céu. O hit Bad também me levava ao céu, mas era mais difícil, carecia de mais fé. Na verdade eu tinha de me concentrar para conseguir a agilidade necessária. Devia também esquecer o lindo vocal que teimava em tirar minha atenção do ritmo. Ao fim dessa música, meu “ufa!” era o “usbé”. Suado, jogava as baquetas no chão com muito gosto. Afeito ao ritmo, faltava-me familiarizar com contratempos – uma parte importante no embelezamento musical. Fui ouvir Don't Stop 'Til You Get Enough e The Way You Make Me Feel.
Crescido tive a fase, digamos, romântica. You Are Not Alone me fazia pensar na Lu – queri a repetir o que acontecia no clipe da música. Consegui!!! Casei.
Terminei o café.
Preciso dizer que o Michael Jackson era motivo de susto. Quando estava nas primeiras séries do ensino fundamental, um cara dublava o mega sucesso Thriller. Eu ficava impressionado com os passinhos, com aquele break. Junto com alguns colegas mais curiosos, íamos até o camarote improvisado, o refeitório. “O Michael ta lá, já chegou, eu vi” – dizia eufórico para os mais baixinhos. Gostei tanto que montei um grupo ‘breakdance’. Fiz sucesso em alguns recreios. Mas a vergonha, a timidez, me fez desistir.
Ele foi um marco na minha vida e na de muitas e muitas outras pessoas. Há um antes e um depois do Jackson. A arte musical e a cinematográfica nunca mais foi a mesma depois dele.
Ao longo de sua vida – também como nas nossas – houve páginas nebulosas, escuras. O importante foi que ele conseguiu tornar a maioria delas em arte. A nós, penso que cabe o conselho de São Paulo: reter o que é bom.
Para mim ele foi um baluarte profético. Afinal, vamos combinar, me diz se Thriller não possui uma dança profética? E o que é aquele canto de vitória que insiste em nos convocar, melodicamente feito em Heal The World?
Não me resta dúvida de que as canções que toquei no meu tempo de igreja tinham uma certa inspiração nesse negro divino.

Menos mal que ainda temos a rainha do pop, vivinha da Silva. Mas dela falemos noutro dia.

sobrenome

Levi Nauter


Eu trabalho manhã, tarde e noite. Aos sábados, às vezes, trabalho o dia todo. Tô reclamando? Não. Apenas gostaria de ter tido a sorte de ter um desses sobrenomes:
Sarney, Maluf, Quercia, Malafaia, Macedo - entre outros.

Talvez isso facilitasse minha vida e, assim, eu teria mais tranquilidade para pagar minhas contas sem suar tanto a camisa.

video 12 - no frio

Levi Nauter


Enquanto meus escritos não fluem como eu gostaria, vou curtindo muita música. Estou cheio de novidades para os meus ouvidos. Fogão à lenha, sopa de ervilha, chimarrão, vinho; a esposa e a filhota. Ah, a temperatura maravilhosa de 5 graus. Todo o clima.


Logo penso em fazer o que alguns colegas andam fazendo (eles, em relação a livros): listar o que venho escutando musicalmente.


Por ora, deixo-vos com a Tammy Trent - interpretando a linda At the foot of the cross. Eu prefiro a norte-irlandesa Kathryn Scott (no CD Satisfy) ou o clássico Don Moen (no CD Thank You Lord). Mas a Tammy não compromete. O lugar também é bonito.










Deus brincalhão, Deus poeta

Levi Nauter


Ah, esse Deus que sirvo.

Meu novo Deus é brincalhão e teimoso. Teima em me amar, teima em querer me ver bem. Teima em me querer bem. É um brincalhão porque me faz poesias. Deu-me poucos , mas bons amigos. Com eles dou muitas risadas. Deu-me uma mulher maravilhosa, de quem não sou dono. E uma filha lindona e delicada. Com elas tenho poesia ao longo do dia.


Mas duas coisas me relembram esse Deus poético: os livros e as músicas.


Semana passada, em meio às turbulências da vida, Ele me fez chorar. Descobri um cantor de primeira grandeza. Um artista mesmo e não só mais um músico.

Vander Lee, com sua mineirice, fez a oração que eu gostaria de fazer para o meu Deus. Quando desci do ônibus, estava em prantos. Tive de me controlar para não fazer tanto fiasco.


Se eu não tivesse conhecido esse novo Deus nem saído do fundamentalismo cristão jamais teria conhecido essas pérolas da riquíssima música brasileira.

Vamos à música que me tocou – com letra e vídeo.

Salve, Vander Lee!!!



Ó Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor
Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta

Que maravilha é, agora, a poesia cantada pelo próprio autor.






vídeo 11 - enquanto a inspiração não vem

Levi Nauter


Eu obviamente não acredito em inspiração, foi apenas uma brincadeira. Acredito, isso sim, na 'transpiração'.

Pois, enquanto nada melhor me acontece que ficar perto do fogão à lenha curtindo minha filhota e minha mulher, bebericando um vinho, comendo pinhão ou milho verde sob a temperatura de oito graus, vou curtindo muita música.

Gracias ao 'Dioni' e à Chris que me agraciaram com novidades - aquele em 2000, esta recentemente. Reafirmo: é bom ter amigos com bom gosto musical. Os CDs estão 'furando' de tanto rodar.

E como é bom ouvir música sem medo de ir para o inferno (he, he, he - tinha que ter uma pitada de cristianismo).

Curtam o Babyface (cantor, compositor, instrumentista múltiplo)







e também o excelente Jorge Drexler, aqui das fronteiras uruguaias.

meu jardim

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minhas flores

minha alegria

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Maria Flor

Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier

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