TEOLOGIA DO CURRAL

TEOLOGIA DO CURRAL
Levi Nauter[*]


Aqui no Rio Grande do Sul, mais especificamente na Assembléia de Deus de Canoas, eu continuo pertencendo à lista de frequentadores (chamada por eles de membresia), embora dela eu tenha saído em 2003 oficialmente (porque em pensamento eu já estava longe há mais tempo) e não tenha nenhuma saudade. Isso explica pelo menos duas questões.
A primeira delas diz respeito aos números de congregados ou fieis a ela subordinados. Incrivelmente passo na frente de alguns templos com um número minguado de pessoas; além disso, sei de gente que andou “abrindo” igrejolas paralelas e ‘roubou’ membros de outras denominações – sobretudo assembleianos. É uma promiscuidade só, todo mundo quer o membro de todo mundo. Assim como no Brasil (note-se os Wellingtons Bezerras e a família Valadão), nosso estado possui igrejas cujas direções provêm de uma árvore genealógica. Em outras palavras, temos a igreja dos Figueirós (Encontros de Fé), a igreja do Eraldo (Rio de Deus), a do Gilberto (Batista Filadélfia), a do Paulo (Mover) e mais uma penca de outros ditos ministérios espalhados em várias localidades gaúchas. O mais triste, do meu ponto de vista, são as razões para as criações: Deus e perfumarias. Deus porque sempre ele leva as culpas. Nas igrejas ‘pente’ ou neopentecostais Deus tem as costas largas: a bênção virá de Deus, o dízimo e as ofertas são para a obra de Deus; se trabalhamos ‘na obra’ a recompensa virá de Deus. E quando há um racha, adivinhe a quem vai a culpa? Sobre isso, um exemplo.
A igreja do Mover, para existir, rompeu relações com a Luterana da qual fazia parte. No entanto, quando olhamos e lemos o sítio parece outra coisa. É possível notarmos uma divinização de fatos corriqueiros, a meu ver, muito mais relacionados a questões de incompatibilidade de gênios (diria João Bosco[1]). Então, para não dizer algo do tipo “a coisa tava ruim e resolvemos sair fora, montar uma igreja”, diz-se assim:

 “começamos a conhecer e a experimentar, em plenitude, o agir do Espírito Santo em nossas vidas [...]entendemos da parte de Deus que deveríamos partir para um ministério no qual pudéssemos pregar e viver livremente [...] O Senhor... nos levou a uma fábrica, já há dez anos abandonada, em ruínas, por conta de um incêndio. [...]outro fogo começou a arder ali - o do Espírito Santo. Com o auxílio do nosso Deus, que moveu os corações de muitos irmãos e irmãs na fé.”[2]

Ainda falta um breve comentário sobre a perfumaria. Chamo assim questões praticamente irrelevantes para que se mude de uma igreja a outra. São banalidades intrínsecas ao ser humano. Trago como exemplo a nossa imperfeição ou, nas palavras do educador Paulo Freire[3], nossa incompletude. Parece-me um erro grosseiro trocar de denominação apenas porque uma tem visão mais à esquerda e a outra mais à direita numa ideologia política. Igualmente considero insignificante a troca em razão de uma pedir mais dinheiro que a outra – afinal, todas pedem. Como um último exemplo de perfumaria, conto uma experiência que vivi. Um pastor queria ‘atrair-me’ ao seu rebanho. Na época eu era um músico na ativa. Seu argumento foi tão pífio quanto deve ser a relevância de seu templo: “venha pra minha igreja. Aqui não é necessário usar gravata. Não temos costumes. Só se usa no domingo à noite...”. Ora boas![4]
Finalizando a primeira das duas enunciações que fiz no primeiro parágrafo é hora de dizer que, incrivelmente, eu ainda consto como fiel da Primeira Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Canoas. A razão dessa acertiva são as correspondências curralescas que ainda recebo, num endereço que já não moro mais há sete anos.
Agora inicio a segunda questão pela qual escrevi esse texto.
Chegou às minhas mãos uma cartinha curral-eleitoreira. Sim, dois célebres (se assim se pode chamar cidadãos comuns que se elegem deputados) fieis assembleianos são candidatos ao legislativo; um estadual, outro federal. Sob a égide da autoridade espiritual o pastor-mor de Canoas e o pastor-mor do estado (a dita Convenção) tecem elogios e indiretamente pedem voto aos ‘eleitos’ da congregação. Entre os feitos dos elegíveis? Um é pastor e, ao que parece, isso se basta. O outro, entretanto, já fez até sessão solene na câmara estadual e distribuiu alguma placa de homenagem, ou certificado, por alguma data igrejeira especial.
Infelizmente muita gente irá votar assim, a partir da indicação do pastor da igreja. Argumentará, talvez, como meu pai (um senhor de setenta e poucos anos) “a gente vota só por votar porque as autoridades já estão escolhidas por Deus”. Ou, ainda como meu pai, irá até um cartório eleitoral tentar não mais votar “porque não adianta nada, ninguém faz nada”. Lembro-me, no outro extremo, da última igreja que frequentei (Batista). O pastor ao apresentar um candidato à vereança disse: “nossa igreja elegeu esse irmão porque ele tem o ‘ministério da política’”. A que ponto havíamos chegado, votar em alguém pois, ao ver do pastor, o camarada era um quase enviado do céu[5].
Minha esperança é que as redes sociais cumpram o papel de “descurralização” eleitoral. E que as igrejas juntamente com seus pastores (que ganham a vida pra botar Deus em tudo) se conscientizem de que podem muito, mas não podem tudo.




SUGESTÃO DE UMA REFERÊNCIA
OYEKAN, Yinka. Manipulação, dominação e controle: desenvolvendo relacionamentos saudáveis. Rio de Janeiro, Danprewan, 2002.
TOURNIER, Paul. Culpa e Graça. Traduzido por Rute Silveira Eismann. São Paulo: ABU, 1985.
YANCEY, Philip; STAFFORD, Tim. Desventuras da vida cristã: as dificuldades existem, mas o final pode ser feliz. Trad. Jorge Camargo. São Paulo: Mundo Cristão, 2005.
BLUE, Ken. Abuso espiritual: como libertar-se de experiências negativas com a igreja. Trad. Sérgio R. Stancato de Souza. São Paulo: ABU Editora, 2000.




[1] http://youtu.be/FGsjpDkXZHE
[2] http://www.igrejadomover.org.br/content/19
[3] Paulo Freire foi um dos maiores expoentes da educação mundial. O pernambucano, além de esquerdista, prestou um inestimável trabalho ao Conselho Mundial de Igrejas (Genebra) quando de seu exílio.
[4] Isso provavelmente explica minha fascinação pela poesia cantada do Jorge Benjor: http://youtu.be/LRgqb0HvoCw
[5] http://www.youtube.com/watch?v=oyh6mSTpX5k





[*] Levi Nauter é professor de língua portuguesa e literatura; mestrando em educação (UNISINOS), blogueiro, casado com a professora de História Lu Mira e pai da Maria Flor. 

Resgatando a brasilidade da nossa fé

Mais um brilhante texto do mestre - literalmente - Ricardo Gondim.




Resgatando a brasilidade da nossa fé
Ricardo Gondim Rodrigues
Sempre achei curioso o fato de o código de acesso telefônico para os Estados Unidos ser 01 e o do Brasil, um longínquo 55. É que, na nova ordem globalizada, eles são a matriz. Merecem o primeiro lugar até na discagem direta internacional. Já o nosso número pode significar simbolicamente a distância com que o império nos enxerga.
Os americanos são verdadeiramente a nova matriz do mundo. Possuem um poder militar amedrontador, que policia os mares, as montanhas e florestas do planeta. Sua moeda é o referencial financeiro dos mercados. Investem mais dinheiro na ONU que qualquer outro país e assim podem vetar ou aprovar moções da comunidade internacional. Publicam mais livros, lideram em investimentos em pesquisa tecnológica e assim possuem o maior número de cientistas detentores do Prêmio Nobel. Quando queremos nos divertir, assistimos aos filmes que eles produzem. Quando os países pobres enfrentam apuros financeiros correm para Nova York pedindo um novo empréstimo. Os americanos são tão poderosos que conhecem pouco o que acontece em outros países. Eles se bastam. Por isso é que muitos continuam achando que Buenos Aires é a capital do Brasil e que as cobras ainda passeiam por nossas cidades.
Os brasileiros idolatram a América. Avaliamo-nos, cabisbaixos, como um povinho medíocre destinado a ser vassalo de uma grande potência. Preferimos suas músicas, embora não entendamos a letra. Não valorizamos devidamente nossa arte, cultura e história. Milhares já emigraram para lá. Aceitam lavar pratos e chão de cozinha por dólares tão escassos por aqui. Achamos que os parques de diversão americanos são mais interessantes que nossas praias de areia branca com sol quente e água morna.
Recentemente visitei uma famosa faculdade bíblica nos Estados Unidos. Gastei algumas horas na sua livraria. Maravilhei-me com a quantidade de títulos publicados, encantei-me com a profundidade teológica e a seriedade com que os diversos temas são abordados. Porém, entristeci-me ao constatar que não havia nada, em nenhuma prateleira, de autores latino-americanos. Brasileiros então, nem se fala! Lá na sede do império não se sabe quase nada sobre os evangélicos latino-americanos, a não ser rumores de que um grande avivamento ocorre por aqui. Estamos tão distantes da cultura americana como está o Conde Zinzendorf e sua misteriosa Morávia da realidade atual. Indignei-me quando li o famoso Este Mundo Tenebroso, de Frank Perreti. A trama do livro é a batalha espiritual que acontece em uma cidadezinha americana do interior que seria dominada por uma seita da Nova Era. No último capítulo, os demônios são finalmente vencidos e expulsos. Para onde eles vão? Para o Rio de Janeiro!
Nessa última visita aos Estados Unidos, preocupei-me em assistir aos programas dos televangelistas, conversar com os evangélicos sobre política e ouvir o conteúdo das pregações. Espantei-me ao perceber como os programas (principalmente os carismáticos) procuram imitar as grandes produções hollywoodianas. Os pastores se produzem com gel no cabelo e vestem ternos caríssimos. Suas esposas, carregadas de maquiagem, parecem personagens de outro planeta. Algo destoa quando falam do Jesus de Nazaré, que foi simples e viveu uma vida singela. O conteúdo dos sermões tem duas polegadas de espessura. As megaigrejas são construções suntuosíssimas, com luminárias de cristal, tapetes maravilhosos e assentos confortabilíssimos. Financiadas com empréstimos a juros baixos, erguem-se à beira das auto-estradas como símbolos da parceria de mamom e Jeová, que a cultura americana promove tão bem.
Os evangélicos americanos gostam muito do Partido Republicano. Veneram o seu presidente e acreditam que a sorte de seu país está ligada à obrigatoriedade da prece nas escolas, à proibição do aborto e à denúncia do homossexualismo. Não lhes interessa muito a emissão de gás carbônico na atmosfera (a maior do mundo), o descaso com a epidemia de aids na África e a desigualdade nas suas relações comerciais com os países miseráveis do planeta. Nenhuma denúncia é ouvida dos púlpitos americanos quando sobretaxam as importações e subsidiam a sua agricultura, falindo a economia primária das nações pobres. O american way of life (estilo de vida americano) e o evangelho são irmãos siameses. Quase impossível de se separarem!
A igreja evangélica brasileira repete o mesmo comportamento do restante de nossa nação. Também nos vemos com autodesprezo. A grande maioria dos nossos livros é tradução dos best-sellers americanos (alguns rasos e descontextualizados). Traduzimos suas músicas e nos maravilhamos com o poder espiritual de seus evangelistas. Convidamos pastores americanos para ministrar em nossos congressos sobre espiritualidade porque os consideramos mais íntimos de Deus. Eles nos ensinam métodos de crescimento da igreja e alguns chegam por aqui com pretensa autoridade apostólica, soprando sobre os auditórios para que as pessoas caiam. Balançam o paletó acreditando que uma onda espiritual sacudirá o povo. A ironia disso tudo é que aqueles que nos ensinam sobre espiritualidade vêm de subúrbios limpos, moram em casas calafetadas no inverno e refrigeradas no verão. Nunca presenciaram uma cena de violência urbana, jamais foram assaltados. Não gastam mais que 15 minutos no trânsito e convivem com uma congregação com renda per capita de mais de 50 mil dólares por ano. Só porque conseguiram aumentar sua congregação para mais de 2 mil membros, vêem-se habilitados a nos ensinar como fazer uma evangelização explosiva. Porque são habilidosos em manipular um auditório entorpecido pela euforia religiosa, acham que podem nos ensinar uma “nova unção” que derruba as pessoas no chão.
Eu gostaria de ser mentoreado sobre espiritualidade por um pastor que ora, lê as Escrituras e medita nelas, a partir da periferia das grandes cidades do Brasil, verdadeiras zonas de guerra. Porque sou brasileiro, quero ouvir mais dos pastores que cuidam de congregações lotadas de gente desempregada e aflita com a instabilidade da economia. Porque também convivo com a dura realidade da violência, quero aprender a aconselhar com pessoas que sabem o que é cuidar de gente que já testemunhou chacinas ou que já foi assaltada à mão armada.
Prefiro conversar com um desses plantadores de igrejas anônimos que já construíram várias pequenas igrejas sem recursos a ouvir de teóricos sobre o método gerencial mais eficaz que faz uma igreja crescer numericamente, mas que nunca plantaram, eles mesmos, uma igreja sequer.
Apesar de sermos ainda muito imaturos e vulneráveis a tantos modismos, o jeito brasileiro de viver a fé é fantástico. O fervor com que se louva a Deus, por aqui, é contagiante. As diversas expressões missionárias, mesmo ainda meio indisciplinadas e anárquicas, mostram-se bastante frutíferas. Haja vista, o pipocar contínuo de igrejas que se estabelecem nas redondezas pobres das grandes cidades. Sobejam exemplos de missões que alcançam prostitutas e travestis, e que ninguém valoriza devidamente. Os galpões velhos, os cinemas abandonados, lugares outrora esquecidos que viraram templos, são espaços simbólicos da incursão evangélica em setores esquecidos da sociedade.
O Brasil evangélico é um contraponto à complacência cristã do Primeiro Mundo. A nossa taxa de crescimento é uma das maiores de todo o mundo. Nosso zelo missionário, invejável. A mobilização da igreja impressiona quem se interessa em estudá-la. Vencemos preconceitos denominacionais em larga escala e pastores de diferentes tradições convivem sem maiores problemas. A instabilidade econômica nos forçou a aprender a sobreviver dos dízimos e ofertas semanais. Não somos uma igreja endividada. Artesanalmente montamos nossos corais. Artesanalmente estabelecemos centros comunitários em zonas carentes. E artesanalmente tentamos cumprir a missão integral.
O problema é que, ao reproduzimos na igreja evangélica a mesma baixa auto-estima nacional, não conseguimos ter mais teólogos com intrepidez de publicar suas reflexões e idéias, mais pastores que escrevam sobre suas experiências em suas comunidades, mais poetas e escritores que nos brindem com suas meditações e ficções.
Com tanta riqueza ao nosso redor, sugiro procurarmos não nos embasbacar olhando para a “matriz” e desejando ser iguais a ela. Resgatemos nossa identidade cristã nacional e façamos de nossa brasilidade um motivo de orgulho. Desvencilhemo-nos da dependência dos modelos importados, que podem ter relevância lá, mas que dizem tão pouco para o que vivemos aqui.
Mãos à obra, pastores, seminaristas, cantores, missionários, evangelistas, escritores, poetas e professores brasileiros. Temos muito que fazer!
Soli Deo Gloria



FONTE: www.ricardogondim.com.br

[férias 2013]




Levi Nauter



Enquanto não inicio oficialmente minha nova etapa de estudos (o mestrado), aproveito as férias de janeiro e fevereiro para colocar em dia aquelas leituras cujos compromissos apartam-me delas ao longo de um ano letivo.
Não sei bem por que, mas, de repente, peguei-me relendo obras que me marcaram profundamente depois de lidas[1]. Em meio a elas mesclei algumas ‘leituras rápidas’ – aquelas que nos exigem pouco em termos de aprofundamento temático e que fazem parte da vida, quer leiamos quer não.
Pois bem, começo pelo que chamarei de ‘quadrilogia da graça’: quatro livros[2] que me parecem fundamentais e imprescindíveis sobre a graça. Um deles, o do Yancey, terá uma resenha neste blog, um pretexto para eu falar da tal quadrilogia.
Outros dois livros que estou relendo também trazem temas atuais do cristianismo: Firme seus valores e Você pode fazer a diferença[3]. O primeiro deles foi escrito especificamente para refletir sobre a ainda vindoura década de 1980. Carece, portanto, de uma leitura que leve em conta o contexto histórico da época.
Por fim, ainda mais dois livros como que me chamam para a leitura sem trégua até os seus finais. O primeiro é do pastor de uma igreja emergente da qual a música já chegou ao nosso país – representada pelo Gateway Worship e cuja componente mais famosa é também a principal compositora, a Kari Jobe. Pois o pastor deles, John Burke, escreveu uma obra que vem sendo referência em alguns cursos de teologia. Trata-se de Proibida a entrada de pessoas perfeitas: um chamado à tolerância na igreja. Ter  lido a orelha e o prefácio do livro deixou-me instigado a ver no que vai dar esse negócio de respeitar as diferenças – algo difícil no evangelho fundamentalista e mercadológico que aí está. O segundo livro que me aguarda eu o comprei em 2004. Li pouco dele. Adquiri-o depois de ler uma bela resenha do pastor e filósofo Israel Belo a respeito. O famoso Charles Colson, acompanhado da Nancy Pearcey, discorre sobre as mudanças advindas com a pós-modernidade e intenta situar o cristianismo nessa realidade da qual somos protagonistas.
O verão promete.
Depois eu conto mais.
Vou curtir as férias!




NOTA
O texto foi escrito em 05 de janeiro e digitado no dia seguinte ao som do cd You Got My Attention, de Dara Maclean.
 





[1] Sei, de antemão, que obras importantes ficarão de fora. Por exemplo A volta do filho pródigo, do excelente Henri J. M. Nouwen. Também ficará de fora A mensagem secreta de Jesus, do emergente Brian D. McLaren.
[2] Os livros são, não necessariamente nessa mesma ordem: Culpa e Graça, clássico do psiquiatra cristão Paul Tournier;  Nas garras da graça, do melhor pastor de autoajuda, Max Lucado;  O despertar da graça, do pastor ancião que se renovou, Charles Swindoll  e o bravo Maravilhosa Graça, do jornalista e teólogo Philip Yancey. Além do livro bíblico de Romanos, considero que um cristão que se acha digno desse adjetivo não pode deixar de ler esses livros que recém cite.
[3] O primeiro é de autoria do Swindoll; o segundo, do psicólogo cristão Gary Collins.




momentos felizes



Levi Nauter


Ainda bem, 2012 foi recheado de alegrias. Há quem diga que a felicidade é feita de pequenos momentos felizes. Então que seja; tive vários momentos felizes – a maioria deles proporcionada pela minha filha, a Maria Flor (www.florzinhadaminhavida.blogspot.com).sua
Mais dois outros momentos me deixaram feliz. Minha mulher concluiu a especialização em Ensino Fundamental refletindo sobre a indisciplina na escola. Sua formação em História ficou ainda mais rica e mereceu a nota máxima. Parabéns, meu amor!
De minha parte, tive a honra de ter sido selecionado em uma das sete melhores universidades do país, na área da educação, conforme a CAPES. A partir de 2013 vou cursar o Mestrado em Educação na UNISINOS (conceito 6 na CAPES). Depois de ter me debruçado em obras da educação (Chartier, Maturana, Demo, Freire, Gnerre, entre outros) ao longo de 2012, vejo como uma coroação ter sido classificado em todos os quesitos seletivos. Mais ainda, a linha de pesquisa Educação, desenvolvimento e tecnologias terá um aluno cheio de vontade de aprender e refletir teoricamente sobre os desafios da educação popular em meio à violência.
Que venham as próximas conquistas.


O DANADO DO HALLOWEEN




 
Levi Nauter



Nesta quarta-feira, dia 31-10-12, celebrou-se em diversos lugares o tal Halloween. Obviamente que, tanto por questões de tempo quanto de perder tempo, não vou ficar divagando sobre as origens dessa festinha. Não é esse o foco do meu texto. Por outro lado, corro o risco de que muitos cristãos, sobretudo os evangélicos e, destes, os mais fundamentalistas fiquem buscando minhas falhas textuais para, a partir delas, escreverem contra mim. Mas também não é esse o foco do meu texto.
Eu quero é falar sobre aqueles pais que, não podendo colocar seus filhos em escolas confessionais, querem – mesmo que indiretamente – dar ordens à escola pública.  Sim, eu trabalho em escolas públicas há 14 anos e, mesmo antes, sempre fui aluno de escola pública (a exceção da faculdade). Então falo com uma certa propriedade, embora eu não seja – graças a Deus – o dono da verdade.
Não são raras as oportunidades em que pais ou responsável por alunos e alunas chegam à secretaria da escola, para efetivarem a matrícula, e perguntam: “vocês fazem alguma festa, alguma comemoração das quais meu filho não possa participar?”. Nesses momentos eu me lembro dos episódios de Todo mundo odeia o Chris[1]. Neles, quando o Chris diz uma coisa e pensa outra, a cena mental (no caso, o que seria verdade para a personagem) aparece. Geralmente eu digo uma coisa pensando noutra. Embora eu diga “mãe (ou pai, dependendo do caso), nossa escola é pública e não se manifesta sobre nenhuma religião em especial; apenas trabalha-se com algumas datas comemorativas”. Se o pai, a mãe ou ambos são evangélicos, a primeira pergunta, acompanhada da resposta, leva a outra: “e o halloween?”.
Muitos cristãos têm verdadeira ojeriza à palavra de origem inglesa. Halloween, para esses, equivale a diabo, a prostituição ou coisa que o valha. Estranho é não terem as mesmas ressalvas em relação à palavra Natal – hoje tão explorada comercialmente quanto àquela encapetada que não quero citar. Vou homenagear essas pessoas e também vou parar de citar halloween. Vou fazer mais, riscá-la-ei do meu léxico. Assim, posso muito bem – pela cosmovisão igrejeira, me esbaldar no Natal e na Páscoa (palavras, digamos, mais sacras).
Ora, para que um filho ou filha se torne um cidadão de respeito, uma pessoa cumpridora de seus deveres e blá-blá-blá ele ou ela têm de viver. Viver a realidade. Muitos cristãos, infelizmente, confundem as coisas periféricas com aquilo que é essência. Sinto muito discordar desse pessoal, mas eu lamento que na minha infância não pude ler sobre bruxas e princesas, sobre príncipes e bruxinhos. Sinto muito que os contos de fadas não fizeram parte de um momento importante na minha primeira infância. Depois, nem a poesia tomou conta de mim. Apenas o pragmatismo, o moralismo; em seguida, o teologismo. Durante muito tempo eu fui, guardadas as devidas proporções, um Saulo, ou seja, um esquadrinhador de textos. Qualquer coisa lida tinha – obrigatoriamente – que ser útil para o dia seguinte. Manuais teológicos, chaves bíblicas e outras obras que me prescrevessem e não as que dialogassem eram as minhas preferidas. Ah, como mudei.
Quanto tempo perdi lendo monólogos e não diálogos. Como demorei para ver a bíblia como um conjunto de livros que fala de humanidades, de justiça, graça e amor divinos (e sobremaneira dos dois últimos). Que pena não ter percebido antes a importância quase divina de se ler Gabriel Garcia Marquez, Saramago, Guimarães Rosa, Machado, Drummond, Quintana, Lispector – entre tantos e tantos outros e outras profetas profanos.
Por outro lado, se vale (e acho que vale) o adágio ‘antes tarde do que nunca’, agora que ando “cheirando os quarenta anos” tenho toda a tranqüilidade que a idade vai me dando para buscar o tempo perdido. Tempo que é parte da minha história; sendo assim, em vez de ignorá-lo quero compartilhar tais experiências para que os mais novos tenham mais sorte.
A gente não deixa de ser verdadeiro cristão porque viu de perto uma abóbora fazendo careta. A gente não vai para o inferno porque tem uma vassoura igual a daquela bruxa, sabe? Tampouco perderemos a vida eterna porque gostamos de histórias fantásticas. Mas também a gente não irá para o céu porque olhava Avenida Brasil e não olha a Salve, Jorge. Esse Deus interesseiro, barganhador, que premia por tarefa é uma criação humana. Esse Deus não existe.
Há muito mais para pais e mães se preocuparem numa escola[2] do que simplesmente saber se nós (eu trabalho em duas escolas diariamente) trabalhamos o danado do Halloween ou a Semana da Consciência Negra.
A educação, inclusive a religiosa, vem de casa. A escola é um lugar onde se compartilha o conhecimento ou se transforma informação em conhecimento. Ademais, o saudável confronto de ideias é uma forma de ratificar ainda mais nossas crenças. Aprendamos isso.


[1] Todo mundo odeia o Chris é possível assistir pela TV Record e pelo canal fechado TBS.

[2] Minha mulher (de quem não sou dono) tem um trabalho muito bom sobre Violência Escolar, parte da exigência para o título de Especialista em Educação. 





novo presente



Levi Nauter


O trabalho precisa ser tal que torne a nossa vida cada vez melhor. E a comparação deve ser da gente pra gente mesmo.
Eu e minha família somos felizardos!
Outro presente está chegando, em alguns dias.











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Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


"Viver é escolher, é arriscar-se a enganar, aceitar o risco de ser culpado, de cometer erros" [Paul Tournier]

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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier

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