[a igreja que eu busco: primeira contribuição] - levi nauter

L evi Nauter



Desde que criei este blog venho tentando contribuir sistematicamente com alguns textos meus e de autores com os quais me identifico ideologicamente. Afinal, nenhum texto é inedito; ainda que indiretamente, dialogo quem leio, li e lerei. Essa é a razão de preferir a palavra tentar a dizer cabalmente que contribuo. Em outras palavras, sempre que escrevo vislumbro e intento a possibilidade de ser útil, de ser compreendido e, devo admitir, de ser aceito. Como essas intenções não dependem exclusivamente de mim, ocorre, por vezes, exatamente o contrário. Recebo comentários (por e-mail ou pelo próprio blog) de todos os tipos. Felizmente, a grande maioria é favorável a minha cosmovisão.
Estou cônscio de que abordo as mazelas da igreja-instituição. Por quê? Por entender que ela deveria morrer. É necessário matá-la porque ela não beneficia os fiéis senão os medalhões, os que recebem "pela$ bênção$". São os neopentecostais, os televangelistas, os radiocomunicadores - os mesmos que, sem nenhuma vergonha - alardeiam viver pela fé. Torna-se fácil viver pela fé quando a conta bancária está 'gorda'. Dá-se receitas para o povo que, ironicamente, só funcionam para os receitantes e lotem-se os templos. Templos lotados equivale a boas receitas. Essa tem sido a minha denúncia e, neste sentido, não vou calar.
No entanto, não sou compreendido por alguns. Denunciar não significa necessariamente a denúncia pela denúncia. Quando o faço, nas entrelinhas está o anúncio. Porém, poucos conseguem fazer essa leitura. Fazem-na superficialmente, sem o devido contexto, sem algumas informações prévias importantes ou, o que é muito comum, com o julgamento já feito antes de conhecer o texto. Se digo, por exemplo, que amo o doce indiretamente digo que o sal pode me incomodar. Parece elementar.
Já cansado de ler algumas bobagens a mim enviadas, pretendo começar a anunciar em vez de denunciar.

IGREJA COMO ESTATÍSTICA
O primeiro pressuposto para eu freqüentar uma igreja-corpo é o esquecimento da instituição. Busco (sem muito empenho) um lugar que não se preocupe com número de membros. Não busco uma mega-igreja. Tampouco pretendo me tornar número, dado estatístico. Não quero um templo no qual eu precise fazer 'carteirinha' de participante. Se uma determinada comunidade carece dessa organização, parece-me que é o primeiro passo rumo a institucionalização, ou seja, precisará de sustento, significando dinheiro.
Nessa mesma esteira, está a tensão ao dízimo. O dízimo é tão bíblico assim como outras temáticas nelas registradas e ignoradas. Ocorre que se trata de dinheiro. Por isso a instituição não abre mão: como viveriam os que dizem viver da fé? De minha parte, penso que todos deveriam questionar essa fonte de receita. Ou, no mínimo compreenderem a diferença entre trazer (sabe-se para onde vai) e dar (sabe-se apenas que será usado)dízimo. Freqüentei uma denominação que 'ungia' os dizimistas e incutia que os outros estavam 'sob maldição'. Paradoxalmente quem dizia isso estava desempregado. Ironicamente, a bênção sempre era de responsabilidade do céu e não daquele que recebia meus dez por cento. Também não toparia participar de uma igreja-corpo em cujo mural figurasse o nome dos dizimistas (disfarçados de 'colaboradores fiéis', patrocinadores, gideões, entre outras criatividades evangélicas). Barganhazinha com o Todo-poderoso? Nem pensar. O dízimo precisa de contexto.
Não quero encontrar um templo no qual a membresia se acha acima da lei - intocável, impunes, donos da verdade. Muito menos aceitaria alguém me cuidando, querendo saber o que como, bebo, visto, faço, peco. Sou, sim, dono do meu nariz, maior de idade e responsável pelos atos. Menos ainda aceitarei o fajuto discurso do princípio da autoridade (pretexto para quem quer mandar, retórica do manda-quem-pode). Aceito a democracia, o diálogo, o contraponto. Jamais de cima para baixo, mas, sim, de forma horizontal. Sou contra a espécie de livro-ponto no templo. A assiduidade não pode ser pautada pelo medo de se levar falta. Digo isso porque conheço uma denominação que possui um software de controle da assiduidade. Absurdo.
Minha última abordagem são os eventos nos quais chove matemática, estatística. Há um certo gessamento no Espírito Santo. Deus só pode atuar por especificidades: culto de doutrina, culto de ensino, culto de cura, culto de libertação, culto de louvor, culto de despertamente espiritual, e por aí se vai. Ora, jamais servirei a um Deus assim. O meu Deus é diferente. Nesses pseudocultos é que se ouvem frase boçais igrejeiras. A referência a elas quase sempre é: lá se converteram 100, 200 pessoas; batizamos 10, 20...
Estou, perdoem o vocabulário, "de saco cheio" de lugares em que não se pode discordar, sugerir mudanças. Quando alguém ousa, precisa ouvir:
– Mas quem é você? Pastoreias qual igreja? Você é autoridade espiritual sobre quanto membros? Quem te dá cobertura espiritual?
Ainda bem, Deus é misericordioso.

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Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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  • PROIBIDA A ENTRADA DE PESSOAS PERFEITAS, de John Burke
  • OS DESAFIOS DA ESCRITA, de Roger Chartier