[explicação à guisa de introdução] - texto 1

Levi Nauter
O outro blog que possuo (www.levinainternet.blogspot.com) tomou forma por demais diversa. As idéias postadas têm muito mais a ver com meu dia-a-dia, minhas indignações quanto às políticas e politicagens cotidianas do que com a espiritualidade, a religiosidade e, em última instância, com o cristianismo, o evangelho. Nalguns momentos os textos são extremamente pessoais, tipos os três nos quais reflito sobre a morte da minha mãe; noutros, poesias cujo foco não busca uma crença a priori.
Devo ressaltar, de início, duas questões. A primeira basta observar-se como escrevi até agora, utilizando verbos na primeira pessoa do singular, além de pronomes possessivos. O intuito é pessoalizar mesmo, tornar diretamente meu o discurso ideológico nos textos a serem postados – ou pelo menos será uma tentativa, já que tenho a tendência de considerar muito mais o nós do que o eu. Ocorre que, para fins de criticidade, parece-me importante deixar claro o que penso a respeito, neste caso, da minha cosmovisão cristã. Numa discussão qualquer, sempre considerei mais produtiva aquela em que o interlocutor se identifica – tanto no nome, o melhor epíteto de alguém, quanto nas posições ideológicas. Esclareço, em tempo, que considero a vida como um processo, isto é, numa linguagem freireana
[1], o mundo não é, está sendo. Em outras palavras, sou partidário da mudança. Acredito que meus textos, em conseqüência, mostrarão isso numa análise mais de conjunto. Não se descarta nem a ratificação de opiniões, tampouco as possíveis e necessárias retificações.
A segunda questão que precisa ser ressaltada faz uma referência ao que está dito no primeiro parágrafo desse texto. Trata-se de imediatamente não deixar dúvidas da minha crença na relação direta entre a relação terreal com a espiritual. Não obstante, nada tem a ver com os pode-não-pode das igrejas legalistas. Por exemplo, músico cristão não poder tocar com músicos não cristãos a fim de não se ‘contaminarem’. Isso é uma falácia. O que tenho defendido e possivelmente defenderei é que o meu cristianismo não pode e não deve ser dicotômico; não pode estar desatrelado do meu dia-a-dia, do meu cotidiano. Sou cristão por completo na medida em que encarno o cristianismo no cotidiano dos meus afazeres diversos e totais. Porém, é necessário, em alguns momentos, didatizar nosso pensamento registrado – ou subdividindo-o ou reescrevendo-o. Por isso este blog. Isso, então, não anula o cristianismo implícito em alguns textos do outro blog, apenas, a partir de agora, a discussão mais crítica e direta será feita por aqui.
Ainda é preciso comentar as limitações teóricas e tecnológicas dessa idéia. Em relação à primeira limitação, preciso dizer que teoricamente os textos não serão densos. O objetivo não é o pedantismo nem o, às vezes, inócuo aprofundamento teórico; mas, como num diálogo, passível de contraponto; diálogo que se inicia superficial e vai-se aprofundando com diferentes contribuições (cristãs e/ou não). Sem pressa, sem a pressão rotineira a que temos nos submetido nesses dias. Ademais, um blog é sempre pessoal e, portanto, a minha opinião estará, direta ou indiretamente, registrada. Ainda que eu coloque um texto de outro autor (o que certamente ocorrerá), inevitavelmente ele terá algo que vem ao encontro do meu pensar. Isso será inevitável, somos assim: convivemos por afinidades e estas têm um início na ideologia.
A outra limitação, tecnológica, tem a ver com a disposição gráfica do texto. O que coloquei em itálico, negrito, nota de rodapé etc., perde tal formatação no blog. Essa é a razão por que estou disposto a mandar o texto bem formatado a quem se interessar via e-mail.
Por fim, vale dizer que as contribuições (manifestações favoráveis ou contrárias) serão sempre bem-vindas. Isso não significará, todavia, mudança de opinião, talvez maior reflexão. O diálogo aqui terá mais finalidade de compartilhamento do que a tentativa de reversão. A idéia é a criticidade e não a simples internalização do ‘evangeliquês’, a assimilação do discurso dominante igrejeiro que inócuo e já sem contexto.
Em síntese, essas são algumas considerações necessárias para se ler os próximos textos.
Sejam todos bem-vindos.
Dialoguemos!
A Deus seja a glória!!!



[1] De Paulo Freire, educador brasileiro de quem sou um grande admirador.

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Sobre este blog

Para pensar e refletir sobre o cotidiano de um cristianismo que transcende as quatro paredes de um templo.


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LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.

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